Alta tensão
O novo BMW Série 3 ostenta características que lhe dão uma personali-dade notável. Contudo, quando juntamos uma carroçaria Coupé de duas portas, um motor turbo-Diesel de 3 litros e 245 cv e o associamos a uma caixa Steptronic de seis velocidades e à tracção total xDRIVE, fica garanti-do: alta tensão anda no ar!
O BMW 330d xDRIVE Coupé é um daqueles automóveis que, depois de o ensaiarmos, apenas com muita mágoa o devolvemos ao dono. As emoções que nos proporcionou são inesquecíveis – a começar pela sua imagem elegante, poderosa e senhora de um equilíbrio que nem as grandes damas da corte vienense possuíam. Afinal, o caminho para um automóvel é quase como o do coração: não começa pelo estôma-go, como o que se dirige a este, mas inicia-se nos olhos, naquilo que eles vêem e apreciam. E no BMW 330d Coupé há muito para apreciar.
Equilíbrio absoluto
O “design” do Série 3 Coupé emana um carácter profundo, viril e domi-nador, em todos os seus detalhes. Nada foi deixado perdido pelos es-tilistas no acto de definirem o seu perfil, dotando-o de uma apetência dinâmica incrível, evidente em todos os traços que o compõem. O Série 3 Coupé é sólido, robusto, apesar da fluidez das suas linhas, desde a cintura elegante e fina, acentuada pelos traços que desenham o teja-dilho em suave mergulho para a traseira, à frente formada pelo “capot” volumoso, limitado suavemente pela grelha em duplo rim e pelos grupos ópticos duplos, em forma de escama de peixe. Em baixo, o pára-choques envolvente é dividido por uma grelha inferior, que se prolonga num lábio aerodinâmico, acentuando a sua veia poderosa e desportiva. As cavas das rodas de grandes dimensões são ocupadas por umas rodas de 18” polegadas, alojadas em firmes jantes em liga leve de raios em forma de estrela, promovendo movimento constante, mesmo quando imobilizado para a fotografia.
Mas a sua assinatura BMW torna-se evidente nos faróis dianteiros em LED tipo coroa, anéis luminosos que o identificam sem hesitação como sendo um Série 3, mesmo quando o sol desce para lá da paisagem, em contra-luz distante e apaixonante – afinal, à imagem do Coupé. Essa assinatura continua depois para a traseira, elevada mas envolvente, onde as luzes divididas em duas secções se encontram perfeitamente integradas no conjunto das linhas horizontais que definem, mesmo aqui, o carácter absolutamente dinâmico do Série 3 Coupé. E, para que não hajam dúvidas, finas linhas horizontais em LED assinam a imagem de forma inconfundível, para um “design” nocturno igualmente repleto de poder e sedução.
O interior, no entanto, não acompanha a sedução das suas linhas ex-ternas. Apesar da qualidade dos materiais que o compõem, estrutu-rando um ambiente igualmente forte, dinâmico e ergonómico, todo voltado para o prazer da condução, as linhas esguias e em ângulos rectos terminais do “tablier” fazem lembrar os Série 3 do século passa-do, ficando longe, por exemplo, da ousadia evidenciada no Série 5.
Sangue na guelra
Estamos prontos a ir para a estrada. Sentados ao volante – desporti-vo, com boa queda e boa pega – basta carregar no botão de arranque para o sólido motor turbo-Diesel de elevadas prestações começar a ronronar. Um ruído fundo, premente, que a tábua metálica perfurada do acelerador faz crescer, cada vez mais redondo, cada vez mais an-sioso. Entretanto, o cinto de segurança já está posto – depois de nos ter sido “entregue” mal nos sentamos, fechamos a porta e informamos o BMW de que vamos… passear. Este sistema alimentador do cinto de segurança impede que se viaje sem ele colocado (algo ainda muito vulgar nas nossas estradas…) e, como em qualquer “coupé”, por estar integrado no pilar B e, logo, muito recuado em relação aos ocupantes dos bancos dianteiros, exigindo alguma maleabilidade corporal para o ir buscar, facilita a sua colocação, pois não exige qualquer movimento adicional por parte do condutor ou do passageiro. Aliás, directamente ligado ao detector de ocupação do assento, mal o passageiro se senta no seu banco, é premiado com a aparição do cinto, ali mesmo ao lado da cara… basta esticar a mão e usá-lo!
Entretanto, percebe-se de imediato que todo o ambiente a bordo, a começar pela luz ambiente (notável, de noite) foi preparado para rece-ber o condutor e, claro, os outros três passageiros. Porém, a envol-vência ergonómica do painel de bordo e da consola central dizem que tudo foi pensado no prazer da condução, uma condução desportiva de raiz e, claro, sem hesitações provocadas por desvios do olhar – tudo está ali, mesmo à mão, sem precisar de diminuir a atenção dada à es-trada. Até mesmo os dois passageiros dos bancos de trás, confortá-veis e acolhedores, podem ter uma visão completa do desfrute de toda a adrenalina promovida pelas prestações do motor de 245 cv, asso-ciado à caixa Steptronic, à tracção xDRIVE e à direcção activa, do BMW 330d xDRIVE Coupé. Tudo, em nome do prazer.
Engrenada a caixa automática Steptronic de seis velocidades (um opcional, por 2280 euros; o normal é a caixa automática desportiva de sete velocidades) na posição Drive, deixemos o 330d começar a rolar. Onde vamos? Aqui? Ali? Decidimo-nos pelo alto da serra de Montejunto – até lá chegarmos, teríamos bastas razões para perceber toda a alma desportiva que fremia na pele deste “nosso” novo companheiro de viagem. E, com curvas para todos os gostos, subidas, descidas, com bom e menos bom piso, ao longo daqueles cerca de 20 quilómetros, tivemos, com certeza, muito boas razões para sorrir.
Primeira razão: o motor. Três litros, 245 cavalos, um binário impressio-nante de 520 Nm – chega a sobra para todas as encomendas, que até podem ser muitas, dependendo da estrada que se escolheu. Na que trilhamos, mostrou-se à altura em todas as ocasiões, nunca desfale-cendo, estando sempre lá, dizendo e repetindo, na sua voz rouca e atlética, que ainda há mais, se preciso for. De um turbo-Diesel, restam os consumos, nunca ultrapassando os 8,1 l/100 km – no resto, desde a disponibilidade à reacção poderosa e por vezes quase brutal, bem que poderia ser um qualquer homólogo a gasolina, de maior cavalaria.
Segunda: a caixa Steptronic. Seis velocidades, modo sequencial e au-tomático. Patilhas no volante: foi este que escolhemos; é ainda mais rápido, além de promover uma adrenalina suplementar, pois fica sempre na boca o doce sabor de controlar, mãos ferradas no volante desportivo em pele, toda a acção, em permanência.
Terceira: o chassis. De série, o 330d Coupé vem equipado com um sistema de regulação electrónica do chassis, integrando o controlo dinâmico de estabilidade (DSC) e o controlo dinâmico de tracção (DTC). Juntos, permitem neutralizar situações limite de derrapagem, não sendo demasiado intrusivos no retirar do prazer da condução, mas avisando que estão lá, vigilantes e activos. Além disso, a desportivi-dade fica ainda mais acentuada através da direcção activa, um opcio-nal nas motorizações de seis cilindros, agilizando a condução e tornan-do-a ainda mais precisa e divertida.
Quarta: a tracção integral inteligente. O seu nome é como o algodão – não engana. Ter as letrinhas xDRIVE, ali mesmo de lado, junto às cavas das rodas dianteiras, parece que torna ainda mais nobre o 330d – e é verdade. O sistema xDRIVE distribui a força motriz pelos dois eixos, mantendo uma equilibrada eficácia em todos tipos de piso e em todas as situações. Em estrada seca, a tracção é distribuída na pro-porção de 40/60% pelos eixos dianteiro e traseiro, respectivamente; contudo, mal exista uma pequena variação na tracção de uma roda, a força motriz é passada a 100% para o eixo respectivo, permitindo, assim, uma constante dinâmica de condução. E bem o sentimos, en-costa da serra acima, naquelas curvas encadeadas e estreitas, que por vezes mergulhavam nas vinhas que roçavam a carroçaria brilhante.
Lá em cima, parámos. Respirámos fundo. No final, ficou o silêncio do vento na paisagem, longínqua, névoas distantes ao sol da manhã alta, o branco das quintinhas e das aldeias, lá em baixo: é hora de descer. Mas agora devagar, desfrutando o prazer que o conforto e a qualidade do ambiente a bordo exigem. Para que o prazer fique mesmo completo e não fique limitado na tensão de uma dinâmica absoluta e equilibrada como poucas.
“Must” em equipamento
Falar de equipamento, depois destas emoções, é quase falar de tri-vialidades. Mas, num BMW, o equipamento nunca é trivial – mantém a mesma intensidade, no que diz respeito à qualidade e bondade de utilização. Mas, como em qualquer BMW, paga-se à parte – e caro. Quem tem um BMW, pode ter tudo o que quiser (ou quase tudo…), desde que esteja disposto a abrir os cordões à bolsa.
A unidade ensaiada pelo AutoanDRIVE tinha, como é bom de ver, quase tudo. Exemplos? Vamos a eles: pintura vermelho Vermilion metalizada (880 euros); jantes em liga leve e de raios em estrela de 18” com pneus mistos (225/40 R18 na frente; 255/35 R 18, atrás), 1.090 euros); bancos e interior em pele Dakota preta (1.900 euros); frisos em madeira nobre de nogueira (520 euros);
Pack Dynamic, que inclui bancos dianteiros desportivos, controlo de iluminação em curva e sistema de acesso Comfort (1620 euros); sensores de estacionamento dianteiros e traseiros (320 euros); espelhos retrovisores exteriores e interiores com função automática anti-encandeamento (430 euros); sistema de navegação Profissional (2770 euros); transmissão auto-mática de seis velocidades Steptronic (2280 euros); sistema de som HiFi (600 euros); luzes dianteiras em LED diurnos (320 euros); tecto de abrir eléctrico (1150 euros); bancos dianteiros aquecidos (400 euros); volante desportivo em pele com patilhas (140 euros). Ou seja, quase 20 mil euros de opcionais, que incrementam o preço final para uns pecaminosos 83.392 euros. Pecaminosos? Não, de forma nenhuma: pecado é não retirar prazer de um automóvel como o BMW 330d xDRIVE Coupé.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 6 cil. em linha, 24 v, 2993cc, turbo-Diesel, turbo-com-pressor de geometria variável c./”intercooler”, inj.directa múltipla “common rail”
Potência (cv/rpm): 245/4000
Vel. Máx. (km/h): 250
Acel. 0-100 km/h (s): 5,8
Consumos (l/100 km): 6,5
Emissões CO2 (g/km): 171
Preço (euros): 66.500 (unidade ensaiada: 83.392 euros)
Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos
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