Uma boa entrada
Todas as cozinhas, nacionais, tradicionais, da avozinha ou em nossa casa, têm uma entrada. Pode ser de “gourmet”; pode ser de “tapas”; pode ser apenas ao nosso gosto. Chez Renault, a entrada do “menu” Laguna Coupé faz-se através do prato servido com um molho 2.0 dCi com índice de 150 calorias. Uma boa entrada, com certeza.
O Renault Laguna Coupé é o que se sabe: um automóvel muito ele-gante, de ar jovem e possante. As suas linhas continuam a fascinar, continuam a ser modernas e a olhar o futuro. O perfil dinâmico não cansa o olhar e, muito menos, afasta a premência de abrir a porta, entrar e carregar no botão de “start” para colocar a emoção em movimento. Portanto, o Laguna Coupé continua a ser emocionante.
Chegam para as encomendas
O Laguna Coupé tem duas motorizações: uma a gasolina e outra turbo-Diesel. Ambas sediadas num bloco de dois litros de cilindrada, declinam-se em 150, 180 cv e 205 cv, sendo os mais “fracos” os Diesel. O mais barato é o equipado com o motor 2.0 dCi de 150 cv, com um preço base de 40.700 euros; os outros dois custam mais cerca de 3.000 e 7.000 euros, com a fasquia mais alta a ser suportada pela versão 2.0 dCi de 180 cv, que o AutoanDRIVE aliás já ensaiou. Agora, escolhemos a versão de entrada de gama. E depressa verificámos que, apesar de ser 30 cv menos encorpada, chega e sobra para as encomendas.
Associado a uma caixa manual de seis velocidades, a Renault traba-lhou as respectivas relações por forma a permitir uma centelha des-portiva em quase todas as situações, pecando somente pelas recu-perações menos óbvias quando as rotações do motor descem abaixo das 1.700; aí, urge trocar de caixa e ser acutilante com o acelerador, se não quisermos ficar com a sensação de termos entre mãos um bonito, mas apenas isso, carro com carácter desportivo adormecido. No resto, o Laguna Coupé mantém a sua vocação de papa-léguas, mostrando-se com perfeito à-vontade em percursos sinuosos, desde que feitos com rapidez – aliás, é aí que a sua veia desportiva vem mesmo ao de cima, graças ao chassis 4Control, que utiliza a direccio-nalidade nas quatro rodas para traçar carris imaginários, onde o carro se coloca e de onde nunca descola. Um regalo!
Motor e eficácia dinâmica, são atributos sem dúvida inegáveis; os con-sumos, esses, são patrocinados pela caixa de relações algo longas, situando-se no final da casa dos seis litros, início dos sete, por cada centena de quilómetros percorrida – mesmo assim, um pouco longe dos 5,5 litros anunciados pela marca.
Condimentos de qualidade
O resto, continua a ser os atributos típicos da Renault, que nunca se fez rogada em condimentar os seus pratos. E o Laguna Coupé não é a excepção à regra. O espaço e ergonomia continuam sem reparos, em especial na frente, pois atrás o Laguna Coupé apenas permite a utili-zação por duas pessoas, embora o faça com conforto e sem quezílias; afinal, é um puro 2+2, mas “à séria”, nada daqueles “dois mais dois” onde, afinal, apenas cabem mesmo e só… dois!
Quanto à qualidade dos materiais e à sua montagem final, também nada a dizer: os ruídos parasitas não deverão fazer parte das nossas preocupações durante muitos milhares de quilómetros.
O porta-bagagens é profundo, talvez um pouco mais que o desejado para se colocarem lá volumes mais corpulentos, exigindo alguma força muscular para os erguer do chão e fazer deslizar no fundo atapetado do mesmo… e vice-versa!
Dito isto, vamos ao equipamento, aquilo que faz justificar os pouco mais de 40 mil euros por um acepipe destes. A Renault disponibiliza, nesta motorização, o nível Dynamique S, significando um equipamento bastante completo, onde não faltam o doce do conforto, o sal da segu-rança e o dedo da qualidade. Condimentos como o sistema de ajuda ao estacionamento traseiro; o sistema de navegação Carminat Tom Tom com cartografia nacional; o Radiosat 3D Sound by Arkamis com carregador facial de CD e leitor de MP3 com ficha auxiliar; os estofos em couro carbono escuro; o painel de bordo em harmonia escura, com inserções tipo carbono; a cor branco glaciar exterior – são ajudas pre-ciosas ao paladar final de um prato de “gourmet”, cuja entrada não descura a fineza da concepção e a exigência do apreciador.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., turbo-Diesel, 4 cil., duas árvores cames à cabe-ça, 1995 cc, turbo-compressor de geometria variável, inj.directa múlti-pla c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 150/4000
Vel. Máx. (km/h): 210
Acel. 0-100 km/h (s): 9,5
Consumos (l/100 km): 5,5
Emissões CO2 (g/km): 144
Preço (euros): 40.700
Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues
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