Oficial e cavalheiro
Discreto e de boa cara, é um perfeito cavalheiro, no ronronar sereno do seu motor de seis cilindros. Porém, transforma-se num modelo de acu-tilância e decisão, quando pressionado pela desportividade insuspeita da sua faceta de oficial sério, dinâmico e sensível. Mas seguro, sempre.
O anterior BMW Série 5 não tinha nada a ver com o seu antecessor: foi uma pedrada no charco. O novo BMW Série 5, se bem que revelando uma nítida continuidade geracional, não deixa de ser diferente, muito diferente: a qualidade e a tecnologia são nele levadas ao extremo, transformando-o, mais que nunca, não numa, mas NA referência do segmento. Tudo, a partir de agora, girará à sua volta. No segmento dos automóveis topo de gama. Feitos para quem sabe o que quer da (boa) vida. O AutoanDRIVE ensaiou o BMW 530d Berlina e percebeu porque isso irá doravante suceder.
Poder de sedução
O novo BMW Série 5 está perfeitamente à altura da concorrência. Apesar de algo discreto, pois linearmente não é mais que uma evo-lução sobre a geração anterior, sem grandes alaridos estéticos, não deixa contudo de ser um sedutor. E de elevado gabarito: apesar do silêncio das alterações visuais, estas não deixam de ser notadas – claro que o Série 5 não é capaz de fazer parar o trânsito, mas possui carisma suficiente para, na rua, fazer desviar um executivo engravata-do, levá-lo a atravessar para o passeio do lado oposto e rondar, dis-cretamente, este novo Série 5 que nunca antes tinha visto ali mesmo à mão de… acariciar. Tudo, à flor da carroçaria do Série 5, foi pensado para seduzir.
Com suavidade, sem ruídos desnecessários: na frente, o duplo rim tipicamente “Bêéme” está lá, em destaque, formando a gre-lha tradicional, encimando um pára-choques mais envolvente, na cor da carroçaria e que se prolonga para o solo, em lábio aerodinâmico perfeito; no seu centro, está uma grelha inferior, em negro, dividida por dois pequenos aerofólios e limitada pelos farolins redondos anti-nevoeiro. Os grupos ópticos sorriem para as abas das rodas, que albergam uma poderosas jantes de raios em forma de pás de turbina, em liga leve e 18”. E por falar em poder, este extravasa de forma se-rena o “capot” volumoso, de dupla nervura em “V” no topo, que con-tinua numa linha de cintura cada vez mais elevada, embora promo-vendo um perfil atlético, mas fluido e elegante, em muito ajudado pela linha do tejadilho suave e caída para a traseira mais curta que o expectável.
E por falar em traseira, é nela que se observam as principais diferen-ças estéticas para a geração anterior, corporizadas principalmente nos grupos ópticos integrais, mas também no maior volume do conjunto, embora sem nunca dissimular a enérgica elegância do todo.
Sofisticação interior
Ok: já andámos à volta do “Bêéme” tempo que chegue; entremos. E continuemos a surpreender-nos. O interior acompanha a evolução externa, ao mais ínfimo pormenor. Bancos com memória, aquecidos, activos, acolhem-nos com quase familiaridade. O painel está virado para nós, o condutor, como é apanágio na marca bávara. Tudo no seu lugar: a larga consola central faz uma divisão óbvia para o passageiro; nela, destacam-se o “joystick” da caixa automática e o i-DRIVE, com-pacto de informações viradas para uma viagem de conforto absoluto.
O interior do “nosso” 530d estava forrado a pele Dakota Bege Veneto, em que os tons claros alegram e iluminam o ambiente e onde a sensa-ção de espaço se combina com uma qualidade enérgica: nada foi deixado ao acaso, toques artesanais resistem ao conjunto tipicamente BMW, com destaque para as inserções em alumínio, os pespontos da pele e o grafismo combinando elementos analógicos com digitais. As formas do painel de instrumentos ondulam e aproximam o Série 5 dos seus irmãos maiores, os Série 7 e 5 GT, dos quais aliás herdou outras coisas, como a plataforma, que promove a maior distância entre eixos do segmento: 2968 mm. Posto isto, vamos para a estrada!
Ala que se faz tarde!
Cadinho de argumentos estéticos e de sedução, o Série 5 mantém o nível quando se fala de dinâmica e qualidade mecânica. O 520d é a opção talvez mais racional, mas sem dúvida que a mais emocional, no que diz respeito a motorizações turbo-Diesel, é a versão 530d. Utilizando o bloco de seis cilindros em linha, com 245 cavalos de potência máxima e um binário de 540 Nm – significa a presença de uma disponibilidade total, em qualquer momento, bastando para isso carregar na tábua do acelerador e acompanhar todo o seu poder de decisão através dos comandos situados no volante. Esta é, quanto a nós, a versão mais rápida e eficaz da caixa automática Steptronic de oito velocidades, que equipa o 530d, transformando-o de um sereno cavalheiro, cheio de tiques e afabilidades, num oficial decidido, acuti-lante e eficaz – desde que tenha também escolhido a posição “Sport” na consola central.
Na auto-estrada, mas também na estrada: um dos muitos opcionais disponíveis, em termos de conforto e segurança di-nâmica, é o “Adaptative Drive”, que promove o controlo direccional em todas as rodas que, bem associado à suspensão pilotada e ao chassis activo, tornam o pesado e volumoso BMW 530d num atleta de alta competição, devorador de quaisquer dificuldades colocadas no seu caminho. Para quem não o conhece ou está desprevenido, acreditando que, na sua massa de mais de duas toneladas, não passa de um pa-chorrento automóvel de elevada qualidade tecnológica e de conforto, vocacionado para o executivo de topo de uma qualquer empresa, de-sengane-se: quando desafiado, o 530d pode revelar-se uma verda-deira caixinha de (boas) surpresas! Curiosamente, uma delas está nos consumos: as nossas medições nunca ultrapassaram os 8,1 l/100 km.
“Cocktail” de… qualidade
A unidade ensaiada estava supimpamente equipada, como bom oficial que se revelou. E BMW que é! Entre outros mimos, descobrimos uma escolha criteriosa, que transformou o “nosso” 530d num “must” de conforto, segurança e qualidade. Se não, vejamos: “Adaptative Drive”, 3.115,75 euros; alarme anti-roubo, 504,17; ar condicionado automá-tico com controlo de quatro zonas, 907,5; assistente de luzes de máximos, 161,33; aviso de alteração de faixa de rodagem, 645,33; bancos dianteiros aquecidos, 403,33; bancos dianteiros Comfort com ajustes eléctricos, 2.349,42; bancos traseiros rebatíveis, 524,33; câmara traseira, 443,67; controlo dinâmico de amortecimento (EDC), 1.351,17; controlo de iluminação em curva, 473,92; “cruise control” activo com função Start/Stop, 1.613,33; direcção activa integral, 1.815; faróis de xénon, 968; fecho automático da tampa da bagageira, 584,83; interior e bancos em Pele Dakota Bege Veneto, 2.087,25; jantes BMW 329 de raios em forma de pás de turbina e 18″, 1.976,33; luz ambiente, 292,42; pintura “Azul Deep Sea” metalizada, 1.018,42; pneus Runflat, 302,5; retrovisores interior e exteriores com função automática anti-encandeamento, 574,75; sistema de acesso “Comfort”, 826,83; sistema de lavagem de faróis, 282,33; sistema de navegação Profissional, 2.611,58; sistema de som HiFi Profissional, 1.018,42; “Surround View”, 736,08; transmissão automática de 8 velocidades Steptronic, 2.288,92; volante aquecido, 262,17; volante desportivo em pele, 151,25. Contas feitas no final e a factura ficou nos 100 mil euros. Qualidade, paga-se bem…
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 6 cil. em linha, 24 v, 2993cc, turbo-Diesel, turbo-com-pressor de geometria variável c./”intercooler”; inj.directa mútipla “common rail”
Potência (cv/rpm): 245/4000
Vel. Máx. (km/h): 250
Acel. 0-100 km/h (s): 6,3
Consumos (l/100 km): 6,2
Emissões CO2 (g/km): 162
Preço (euros): 73.547,88 (unidade ensaiada: 100.319,58 euros)
Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues















