SEAT Ibiza ST 1.6 TDI CR 90 cv Style

Há sempre uma primeira vez

Na vida, há sempre uma primeira vez para tudo. Na vida do SEAT Ibiza, pe-la primeira vez apareceu uma versão carrinha na gama, em 26 anos de carreira. Designada ST, possui uma mão-cheia de bons argumentos, al-guns deles relacionados com a Auto Emoción tão apregoada pela SEAT.

Nascido em Paris (leia-se, apresentado…) em 1984, o SEAT Ibiza sem-pre se destacou por uma imagem compacta e desportiva. Essa imagem tem vindo a ser aperfeiçoada ao longo das diversas gerações, mas sem a necessidade de conceber uma versão mais versátil e familiar do Ibiza; aliás, a SEAT assumiu-o sempre como um “hatchback”, seja de três ou cinco portas. As variantes de três volumes e a carrinha, foram comercializados sob a designação Cordoba, embora isso fosse sempre negado pela SEAT. Mas, com um mercado cada vez mais exigente e com os principais adversários a criarem versões carrinha dos seus modelos mais emblemáticos – o exemplo mais marcante é o Renault Clio, que também nunca tinha antes conhecido uma versão carrinha – a SEAT decidiu dar um passo em frente. E deu-o bem dado: de facto, o Ibiza ST é um compacto de bons argumentos para ser um sucesso.

Imagem jovem
O SEAT Ibiza ST demarca-se de forma nítida da concorrência – ou o seu “design” não tivesse a mão criativa e ousada de Luc Donckerwolke, autor de alguns projectos na Lamborghini. Por isso, não se estranha que a sua silhueta seja fluida e bem lançada, em especial a secção traseira, quase sempre a grande pecha neste tipo de carrinhas com-pactas, destruindo o equilíbrio existente – que, verdade seja dita, é já um pouco fraco de origem. Porém, no Ibiza ST a secção traseira acaba por ser o ponto mais bem conseguido num “design” atraente, de tal forma que, à distância, até parece um pequeno Exeo ST! Claro que em muito a responsabilidade pela harmonia estética tem a ver com a versão “hatchbak”, bastante bem conseguida em termos visuais. Na versão ensaiada, a existência, como opcional, das jantes “Fabula” de 16” ajuda a conseguir um ainda melhor efeito visual, associando-o a uma veia desportiva, na mais pura tradição SEAT.
A jovialidade das linhas externas prolonga-se de seguida para o inte-rior, onde o ambiente consegue ser desportivo, apesar de uma certa crueza do “tablier”, com grandes espaços vazios frente ao passageiro. Porém, a boa ergonomia geral de todos os comandos e uma posição de condução ideal fácil de encontrar e descontraída, ajuda a retirar alguma alegria da condução do Ibiza ST. A visibilidade é boa, os ban-cos são confortáveis, apesar de duros e oferecem bom apoio lombar e para as pernas. Pena que, no que diz respeito à escolha dos mate-riais, esta não tenha seguido os mesmos critérios de rigor, com a exis-tência de alguns plásticos de menos boa qualidade, duros e potencial-mente criadores, no futuro, de ruídos parasitas.
Claro que a mais-valia deste tipo de pequenas carrinhas não significa uma enorme versatilidade em relação à versão original. Na verdade, não passam de melhorias no acesso ao habitáculo e um maior volume da bagageira, que no Ibiza ST se aproxima muito de carrinhas do seg-mento seguinte, com os seus 430 litros básicos – para alguma coisa vale ser mais comprido 18 cm que o Ibiza original. Adicionalmente, e-xiste ainda um pormenor curioso – uma prateleira escondida na tampa que cobre a bagageira, onde se podem colocar também objectos. Quanto ao resto, o espaço interior e a versatilidade de utilização man-têm-se sem alterações, em relação às versões base. Os bancos tra-seiros podem deslizar, com controlo da inclinação das costas, aumen-tando o espaço disponível não apenas para os passageiros, mas tam-bém, em alternativa, para a carga.

Condução dinâmica
Dinamicamente, o SEAT Ibiza ST não desilude – nem se afasta muito da máxima emocionante da marca espanhola. Mesmo a versão equipa-da com o motor 1.6 TDI de 90 cv é uma agradável surpresa, permitindo fazer viagens sem sobressaltos, sem consumos exagerados e sem o recurso extraordinário às relações inferiores da caixa de cinco velocida-des, de engreno exacto e fácil. Aliás, as relações desta privilegiam mesmo o conforto dinâmico, não se notando, como em alguns outros casos, a falta de uma sexta velocidade.
A desportividade do Ibiza ST está garantida pela firmeza das suspen-sões, sem roçar contudo o desconforto e por uma direcção exacta e informativa, embora dissolva de forma menos eficaz as irregularidades da estrada, em troços mais danificados. Os travões cumprem bem com a missão exigida aos quatro discos, não denotando cansaço provocado por sobreaquecimento em troços mais sinuosos – que, apesar de não serem o terreno preferido do Ibiza ST, não deixam de funcionar como um bom barómetro para a eficácia e a segurança de rolamento, nunca colocando estes dois parâmetros em dúvida.
Um dos argumentos do SEAT Ibiza ST está no equipamento de série, que inclui itens como o ar condicionado manual, espelhos retrovisores rebatíveis, Hill Hold e ESP. A versão Style acrescenta barras no tejadi-lho prateadas (curiosamente, não muito intrusivas em termos de ruí-dos aerodinâmicos), equipamento de rádio com leitor de CD e MP3, volante (de três raios, de boa pega) e alavanca da caixa de velocida-des forrados em pele e fecho centralizado com comando à distância, entre outros. Opcionalmente, a unidade ensaiada pelo AutoanDRIVE possuía jantes em liga leve “Fabula” de 16” (202 euros), o Pacote Técnico (sensores de chuva e de estacionamento traseiro, espelho retrovisor interno an-ti-encandeamento, 343 euros), apoio de braços dianteiro, Pacote Arru-mação (393 euros) e o Pacote Executive (inclui Climatronic com porta-luvas refrigerado, Bluetooth, vidros traseiros escurecidos, pré-instala-ção de navegação portátil e sistemas auxiliares e de entrada de cabo USB, 565 euros). O que, tudo junto, faz disparar o preço base para valores a rondar os 24 mil euros.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Diant., 4 cil. em linha, 16v, 1598cc, turbo-Diesel, inj. dir. c./ ”common rail”, turbo e “intercooler”
Potência (cv/rpm): 90/4.200
Vel. Máx. (km/h): 177
Acel. 0-100 km/h (s): 12,2
Consumos (l/100 km): 4,2
Emissões CO2 (g/km): 109
Preço (euros): 21.619

Texto e Fotos: Hélio Rodrigues

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