Tecnologia avançada de mais
O NSU RO 80 foi um dos automóveis que mais me fascinou. A sua tecno-logia era demasiado avançada para a época e lembro-me, ainda adolescen-te, de tentar perceber o que era diferente naquele carro de dimensões ge-nerosas e um estranho barulho de motor.
O NSU RO 80 foi um caso único na NSU – não foi feito à semelhança de qualquer outro e, depois do seu fim, não deixou sucessores. Ou seja: RO 80 só houve este e mais nenhum! Curiosamente, apesar de muito avançado para a época, também não deixou saudades.
Espaço e conforto
O NSU RO 80 era uma berlina de quatro portas e quase cinco metros de comprimento – mais exactamente, 4.780 mm. Desenhado por Claus Luthe, as suas formas eram generosas, com uma frente poderosa e uma bagageira de grandes dimensões – um “design” que fez sucesso e foi emulado, por muitos outros construtores, nas duas décadas se-guintes! Luthe, que depois foi para a BMW, concebeu um automóvel em que as características muito planas da silhueta eram amenizadas por grandes superfícies vidradas – um conceito que, pouco depois, começou a ser seguido, por exemplo, pela Citroën. O seu perfil muito baixo e as formas muito fluidas da frente, permitiam-lhe um coeficiente muito avançado para a época (0,355 cx), possibilitando-lhe uma boa capacidade dinâmica; na verdade, o seu “design” era aerodinamica-mente tão bem conseguido que, em 1984, o Audi 100, possuía inegá-veis traços familiares!
O NSU RO 80 era um automóvel muito espaçoso, capaz de transportar de forma confortável e agradável quatro adultos, tantos quantos os lugares que possuía. Construído com uma qualidade acima da média de então, padeceu no entanto de alguns problemas mecânicos, que o tornaram pouco apetecível e desejado no mercado. Mal amado por muitos dos seus proprietários, que não percebiam muito bem a eleva-da tecnologia do carro, a sua reputação de pouco fiável levou a que, por exemplo, os seus motores rotativos fossem substituídos por bem mais convencionais motores V4 ou V6.
Pouco conhecido fora da Alemanha, o NSU RO 80 começou a ser produ-zido em Outubro de 1967. Até Abril de 1977, saíram da linha de monta-gem 37.204 veículos. Hoje em dia, por causa da sua baixa popularida-de, exemplares originais em bom estado são escassos e com preços demasiado inflacionados; todavia, a teoria de que o RO 80 foi um fiasco tecnológico, tem sido, pouco a pouco, ultrapassada, em muito traças à perseverança da Mazda, que continuou nos anos seguintes a apostar nos motores rotativos para parte da sua frota.
Dois motores e 115 cv
Porém, apesar das debilidades da sua mecânica, o NSU RO 80 foi um dos automóveis mais avançados tecnologicamente para aquela época. O RO da sua designação identificava o tipo de motorização que utiliza-va – dois pequenos motores rotativos Wankel, de 497,5cc cada, totali-zando 995cc. Estes motores produziam uma potência de 115 cv, valor tanto mais admirável quanto a sua pequena cilindrada. O RO 80 alcan-çava os 180 km/h e acelerava dos 0 aos 100 km/h em 13,1 s.
Mas havia mais: o NSU RO 80 tinha tracção dianteira e a transmissão estava a cargo de uma caixa semi-automática de três velocidades, sem embraiagem: em vez disso, era um botão situado no alto da alavanca e que operava um sistema de vácuo, que engatava ou desengatava as engrenagens, sendo as mudanças metidas através da alavanca, que utilizava em convencional “H”.
Além disso, o NSU RO 80 tinha travões de disco Dunlop ATE às quatro rodas, algo raro então e só aplicado em viaturas de grande luxo. As suspensões eram independentes nas quatro rodas, sendo a dianteira tipo MacPherson e a traseira composta por braços triangulares sus-pensos, à semelhança daquilo que hoje em dia é comum nos automó-veis. A direcção era de pinhão e cremalheira ZF, com assistência, de acordo com os desenhos mais recentes.
Tal avanço tecnológico resultou fatal para a NSU. Muitas vezes, logo após os primeiros 50 mil quilómetros, era comum ter que se refazer totalmente os motores, que apresentavam cada vez mais problemas logo a partir dos 25 mil quilómetros. O mais comum era o desgaste nos rotores, que levavam os RO 80 com frequência às oficinas. E, aqui, o drama continuava: sem perceberem bem aquele tipo de mecânica e sem bases técnicas para solucionarem o problema, muitas vezes os carros regressavam ainda em pior estado às mãos dos seus descon-solados proprietários.
Com a reputação arruinada e financeiramente desgastada, a NSU foi adquirida pela Audi em 1969. Porém, isso não resolveu o problema da fiabilidade dos RO 80: a publicidade tem destas coisas e o RO 80 nun-ca recuperou da sua fama de mau carro. A tal ponto os problemas de motor eram conhecidos que a sua popularidade caiu pelas ruas da amargura. Os seus donos decidiram cortar o mal pela raiz, desfazen-do-se dos pequenos e leves motores Wankel e substituindo-os por um dos mais pesados então existentes no mercado – o Ford V4 “Essex”, que então equipava a Transit Mk I. E foi pior a emenda que o soneto…
Ironicamente, registe-se um pequeno pormenor: o NSU RO 80 foi eleito Carro do Ano em 1968, pelas revistas europeias da especialidade!














Hoje descobri o NSU RO 80. Hoje ao deslocar me para ir almoçar qual o meu espanto quando vejo um lindo carro mesmo a passar ao meu lado. Ao tentar descobrir que carro ” vermelho ” seria aquele só via a traseira do mesmo, e lá estava as siglas RO 80. Mas, naquele momento fiquei ” pasmado ” a olhar para aquela silhueta futurista. Sem saber que marca era aquele automóvel. Até que cheguei a uma passadeira e lá estava eu a passar e aquele barulhinho do motor diferente do que estamos habituados. Até que vi a placa NSU. Sou um apaixonado pelo mundo automóvel. Mas sinceramente não conhecia este carro.