Poupadinho e limpinho
Ler no “display” que temos uma autonomia para 1.100 km, quando o con-ta-quilómetros já marca quase 200, não é vulgar. Mais invulgar ainda é continuarmos a fazer quilómetros, conduzindo ao nosso ritmo normal, e vermos que a autonomia apenas baixou para pouco mais de 1040 quiló-metros – e teima em não arredar pé. Isto aconteceu ao volante do Renault Clio “98G”.
Agora, pergunta o leitor: Renault Clio quê? Pois é: trata-se de um vul-gar Clio, da mais recente geração, equipado com o também vulgar mo-tor turbo-Diesel 1.5 dCi, de provas mais que dadas, declinado na po-tência de 85 cv. Então, se é isso, onde está o “98G”?
Explicamos a seguir: não está! Isto é, não se vê, não se sente, não se percebe. É este o segredo escondido do tal Clio: quer dizer que o vul-gar motor, afinal não é tão vulgar como isso, pois apenas emite 98 gramas de dióxido de carbono para a atmosfera por cada centena de quilómetros percorrida; daí, o 98G que identifica o Clio “especial” que o AutoanDRIVE ensaiou durante meio milhar de quilómetros.
Poupar até é fácil
Nalguns casos, o segredo está na massa. Aqui, o segredo está na for-ma de poupar… massa. Massa, pilim, tustos, euricos, dinheirame, car-canhol – o nome que quiser dar às notazinhas (na maioria das vezes de plástico e com formato de cartão colorido…), que deixa sempre que vai atestar (isto é, meter 20 eurinhos de “gasóil”), na bomba lá da es-quina.
E como é possível poupar tanto? Nada de muito complicado. A Renault não teve que inventar nada de novo; apenas algumas alterações no exterior do Clio – uma lâmina deformável, aumentada 15mm, sob o pára-choques dianteiro, uma carenagem específica no trem traseiro e pneus de baixo atrito Michelin 185×60 15R; e ainda menos alterações mecânicas – uma caixa manual de cinco velocidades, com as relações mais longas e o binário especificamente adaptado e a cartografia do motor centrada na diminuição do consumo e das emissões poluentes. Nada mais! O resultado, vem por acréscimo…
Autonomia: 1.200 quilómetros!
E que resultado! Em nota de rodapé, assinalemos que os nossos con-sumos não ficaram perto dos 3,7 l/100 km anunciados pela marca; mas todos nós sabemos como essas médias são feitas. E, ainda por cima, fazia tanto calor que era impossível viajar sem o ar condicionado ligado – o que penaliza sempre os consumos, digamos, em cerca de 10%. Por isso, os 4,5 litros que registámos parecem excelentes, ficando a certe-za de que, com mais de quilómetros de rodagem, a média tenderia a aproximar-se bastante dos 4 litros. Cumpre também dizer que, em auto-estrada e com velocidades de cruzeiro rondando os 150 km/h, com picos de 170, o numerozinho mágico pode subir até aos 5 litros, o que continua a ser excelente.
Depois disto, se o motor 1.5 dCi de 85cv já era o mais equilibrado na relação eficácia dinâmica/consumos, então com estes “truques” todos, revela-se quase imbatível. Aliás: com a relação de caixa mais longa, o Clio fica mais “soltinho” e interessante de conduzir. Até parece mais rápido… e até apetece perguntar: porquê escolher os outros com a mesma potência, se este Clio é bem mais interessante, poupadinho e (embora isto não se veja, é uma questão de mera consciência ecoló-gica) mais limpinho?
Além disso, a Renault decidiu propor o seu Clio mais verde de sempre com um nível de equipamento bastante apelativo. Assim, a versão Dy-namique, aquela que ensaiámos, estava enriquecida com faróis anti-nevoeiro, jantes em liga leve “Del Arte” de 15” e o sistema de navega-ção Carminat by TomTom, com comando Bluetooth e cartão SD, com-pondo um ramalhete que já possui, de série, ar condicionado, retrovi-sores eléctricos, sistema áudio Radiosat CD MP3 com ligação iPOD, computador de bordo e “air bags” frontais e laterais. Tudo isto, por pouco mais de 20 mil euros. No final, uma curiosidade: se quiser abrir os vidros traseiros, nas versões de cinco portas, terá que usar o “velho” método da manivela… Certamente, uma pequena lembrança do passado, num automóvel voltado para o futuro!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil., 1.461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj. directa c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 85/3.750
Vel. Máx. (km/h): 174
Acel. 0-100 km/h (s): 12,7
Consumos (l/100 km): 3,7
Emissões CO2 (g/km): 98
Preço (euros): 20.300

