Renault Mégane Coupé 1.5 dCi 110 FAP GT Line EDC

Os olhos também comem

O Renault Mégane Coupé desde sempre se impôs pelas suas formas viris e musculadas. A linha de ombros é larga, a de cintura afilada e suavemente imposta pelo perfil labial da superfície vidrada lateral. Como se isso não bastasse, a Renault decidiu vesti-lo com adereços a condizer – é que os olhos também comem.

Esta nova vestimenta “made by Renault” tem o apelativo nome de GT Line. Apimentada, tornou ainda mais juvenil o carácter naturalmente rebelde do Mégane Coupé. Agora, ainda para mais pintado de branco nacarado, destaca-se no universo cinzentão da maior parte do parque automóvel. Apetece tê-lo – porque, simplesmente, me apetece. Como diz o anúncio. E é verdade.

Vestido para matar
Mas, afinal, o que é ser… GT Line? Muito simples: são pequenos por-menores, chamativos e que entram pelos olhos dentro, que a Renault decidiu introduzir em toda a sua gama Mégane – Berlina, Coupé e Sport Tourer.
Exteriormente, o Coupé GT Line identifica-se pelo pára-choques dian-teiro específico, com a sua entrada de ar central de novo desenho e sublinhada por uma travessa em preto brilhante. Os grupos ópticos principais possuem fundo negro, enquanto os faróis anti-nevoeiro se encontram enquadrados por aros de tonalidade Dark Metal, vincando fortemente a… forte personalidade do Coupé. Na traseira, o pára-choques é da mesma cor da carroçaria e integra um difusor inferior aerodinâmico em carbono preto. Sobre o portão de acesso ao porta-bagagens, impõe-se a força de um “spoiler” pintado na mesma cor da carroçaria. Além disso, em letras cromadas brilhan-tes, a expressão GT Line pode ver-se na grelha dianteira e no portão traseiro – para que não restem dúvidas sobre a alma definitiva deste Mégane Coupé. Finalmente, o ramalhete é composto pelos espelhos retrovisores em Dark Metal e pelas bonitas jantes Celsius de 17”, também na mesma tonalidade Dark Metal.
No interior, a alma GT Line também está reforçada em pequenos por-menores. Os bancos dianteiros são herdados do R.S., tipo “bacquet”, com excelente apoio lateral e para as pernas do condutor e passagei-ro, graças a reforços incluídos na sua estrutura. A pedaleira é em alu-mínio e o conta-rotações é analógico e com fundo branco. Além disso, a desportividade da sua imagem está reforçada na existência de in-serções em carbono brilhante, colocadas nos punhos das portas, nas saídas de ar laterais e nos frisos longitudinais do painel de bordo.

A raça continua
Ao contrário dos seus irmão de… gama, o Mégane Coupé não recebeu nenhum “upgrade” dinâmico; na verdade, foi o contrário – a Berlina e a Sport Tourer é que receberam o seu bem equilibrado chassis desporti-vo, mais baixo 12 mm, fomentando assim o equilíbrio e o prazer que se tem ao volante. Prazer e carácter dinâmico que já conhecíamos de ou-tros ensaios com o modelo mais jovial da gama Mégane, ainda por ci-ma equipado com o mesmo bloco 1.5 dCI de 110 cavalos.
Contudo, a Renault reservou uma surpresa – em simultâneo com a li-nha GT, lançou uma inédita caixa de velocidades automática de dupla embraiagem, com seis relações, que designou por EDC. Suave na en-grenagem, quando em modo totalmente automático, deixa escapar toda a raça que a sigla GT Line exige, quando deslocamos o manípulo para a esquerda e começamos nós a comandar as passagens de cai-xa. Vem então ao de cima a raça do seu chassis devorador de sinuo-sidades asfálticas, ajudado pelos 110 cavalos do motor que, sem se-rem de forma alguma balísticos, já dão para animar a malta. E a malta, com uma imagem tão expressiva como é a do Mégane Coupé GT Line, até sente algo mais no coração, para lá da simples curiosidade de ver, bem de pertinho, que raio de Mégane é este, alvo com o um anjo, mas de vestes um pouco atrevidas de mais para ser santo…
O preço base do Mégane 1.5 dCI 110 FAP GT Line EDC é de 28.600 eu-ros. Porém, a unidade ensaiada pelo AutoanDRIVE trazia consigo al-guns opcionais, que aumentaram a factura final para pouco mais de 30.300 euros. A saber: Pack Sensor, incluindo sensores traseiros de estacionamento, com o custo de 410 euros; tecto de vidro fixo panorâ-mico, excelente complemento das vestes brancas da carroçaria, 840 euros; e, tão útil para a nossa ignorância quanto ao recôndito local algarvio onde se situava determinado “resort” da moda, o sistema de navegação Carminat TomTom, por 500 euros. Mesmo assim, nada mal para quem quiser ter um Mégane com uns laivos de raça e diferente dos restantes.
 
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Diant., 4 cil., 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 110/4000
Vel. Máx. (km/h): 190
Acel. 0-100 km/h (s): 11,7
Consumos (l/100 km): 4,4
Emissões CO2 (g/km): 114
Preço (euros): 28.600 (30.350 euros – versão ensaiada)

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues

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