Honda CR-Z Hybrid GT Top

Energia viva

O Honda CR-Z promete ser um sucesso. Jovem e comprometido com a defesa do meio ambiente, a sua imagem não consegue deixar ninguém indiferente. Alma mista, basta carregar num botãozinho para que se solte a energia viva que há dentro de dele – e de si.

O Honda CR-Z é, já foi dito e redito (até mesmo aqui, no Autoan-DRIVE), o primeiro híbrido desportivo existente no mercado, equipado com uma caixa manual de seis velocidades. Assinado pela marca ni-pónica, tecnicamente conjuga a “velha” solução “made by Honda”, designada por IMA, que recupera a energia derivada, por exemplo, das travagens, transformando-a em energia eléctrica e armazenando-a em baterias, com um motor térmico a gasolina, de 1.496cc, o mesmo exis-tente em modelos como o Jazz. Parece, e é, um sistema simples, já devidamente testado e fiável, e que foi objecto de melhoramentos para ser adaptado no CR-Z. Afinal, mesmo sendo pioneiro, é preciso acompanhar as exigências de um mercado que nunca pára – antes pelo contrário, é um mundo em constante movimento.

Três formas de viajar
O Honda CR-Z tem vestes de mulher fatal e um coração dividido em três. De saia curta e grandes superfícies luminosas, a sua carroçaria tem todos os adereços para ser um “case study” de amor fatal. Senti-mos isso sempre que saímos com ela, a mulher fatal, para as ruas e as estradas deste país de mulheres bonitas, mas menos fatais. E, até, para as auto-estradas.
Baixinha e de formas pouco contidas, acaba por ser dócil às falinhas mansas com que a vamos convencendo. Ao fim de alguns quilómetros de conversa, já sabemos todos os seus segredos, por dentro e por fora. E ficamos ainda mais encantados.
Esta mulher fatal acorda com um ronronar felino, que mal se ouve. Dei-xamo-la ir aquecendo, lentamente, com toda a suavidade do veludo que é o sistema IMA em funcionamento. Olhos que não vêem, ouvidos que sentem melhor o que se passa. E o que se passa é que, ao mes-mo tempo que o painel à nossa frente se enche de verde, o CR-Z (a mulher fatal, para quem ainda não tenha percebido do que estamos a falar…) vai devorando os quilómetros, rumo à Barragem de Castelo de Bode – um dos sítios onde se produz a energia viva que também o alimenta.
Uma centena de quilómetros de conversa depois, lá estamos. Altura de carregar no primeiro dos três botõezinhos mágicos, que ajudam a per-ceber a alma intensa que esta mulher fatal tem dentro de si. O botão diz “Sport” e… Ooops! Lá vamos nós, saltitando de curva em curva. É impressionante: o ronronar de gatinha adormecida transforma-se num rouco rugir de panterazinha; a suavidade de entrada nas curvas desa-parece e, em seu lugar, está aquela postura incisiva e gritante que se deseja num desportivo. Até parece que aquele botãozinho está ligado aos braços da suspensão, mas tal não é verdade: o que muda, isso sim, são os parâmetros da gestão electrónica do motor térmico, bem como a acutilância da direcção e a resposta do acelerador. O CR-Z fica nervosinho, se usarmos bem o pedal direito pode tornar-se mesmo agressivo. Mas não passa disso: se consegue ser (muito) divertido num troço sinuoso, para quem pensa ter em mãos um carro veloz, de-sengane-se – o CR-Z, embora tenha este aspecto de menino travesso e 124 cavalitos a pastar debaixo do “capot”, não é um desportivo puro e duro, capaz de grandes rasgos de inspiração ou de longos capítulos de estonteantes velocidades. Se chegar aos 200 km/h, já tem muita sorte – sem ser a descer, é claro, pois aí todos os carros são rápidos… no engano! O CR-Z é, mesmo, como a mulher fatal do início desta his-tória: um belo corpo, boas técnicas de sedução, artes de Kamasutra no momento certo, mas depois rédea curta… que se pode borrar a pintura e já se mostrou aquilo que era preciso mostrar para seduzir.

Boca sequiosa
Agora, é preciso pagar a factura. O CR-Z que o AutoanDRIVE ensaiou estava nivelado no topo de equipamento – o GT Top, que tinha mor-domias como o tecto de abrir panorâmico e os bancos em pele. O sis-tema de navegação é o único opcional que a Honda propõe e custa 2.300 euros. Ah! Como se esperava, o GT Top é o CR-Z mais caro do plantel, 26.200 euros.
Porém, o que ninguém espera é que a conta final das bebidas possa ser tão elevada. A Honda garante que os consumos médios do CR-Z não passam dos 5 l/100 km, mas nunca conseguimos nada que disso se aproximasse. Aliás, resulta curioso ver a oscilação do indicador de consumos instantâneos, sempre que se muda de botãozinho… E se, quando está em modo “ECO”, esse indicador fica abaixo dos tais cinco litros, quando se passa para o “Sport”, o limite de dez litros é ultra-passado – impossível saber quanto, pois ele acaba mesmo nos dez litros. Bom, mas vamos lá à “dolorosa” – apesar de termos feito mais de uma centena de quilómetros continuamente em modo “ECO”, nunca conseguimos fazer baixar o consumo dos 6,6 l/100 km. Já no modo “NORMAL”, esse valor subiu para os 7,1 litros e, no modo mais vivo e enérgico, pulou para valores de uísque velho: 8,4 l/100 km. Mulher fatal e muito bela – mas viciantemente dispendiosa. Mas isto é como tudo na vida: quem não tem dinheiro, não tem vícios. E o CR-Z é um vício – não muito caro, é certo, mas exigente na alimentação, mesmo que se escolham pratos de salada!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Eléctrico e a gasolina; eléctrico: sistema IMA, corrente contínua, 14 cv/1.500 rpm; térmico: diant. transv, 114 cv/6.100 rpm, 1497cc, 4 cil. em linha, 16 v, distribuição variável, inj. directa
Potência (cv/rpm): 124/6.100
Vel. Máx. (km/h): 200
Acel. 0-100 km/h (s): 9,9
Consumos (l/100 km): 5
Emissões CO2 (g/km): 117
Preço (euros): 26.200

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues

Uma resposta a Honda CR-Z Hybrid GT Top

  1. jose diz:

    e entao o meu faz 10 e 12 mas e sempre a brincar em estrada curta e em mod sport
    mas estou bem contente

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