Cirurgia estética
Em tempo de Mundial de Futebol, é bom ouvir dizer que “em equipa que ganha não se mexe”. Pois foi exactamente isso que a Nissan fez com o seu ponta-de-lança, o Qashqai: de retoque em retoque, tornou-o mais apelativo, sem alterar as qualidades que contribuíram para ser reconhecido como o seu maior “best-seller” dos últimos tempos.
Os números não enganam – já escrevemos esta frase várias vezes e é bem verdade. E, sobre o Nissan Qashqai, os números dizem o seguin-te: lançado em Março de 2007, o Qashqai vendeu em três anos mais de 500 mil unidades na Europa. Verdade que nestes números está incluído o seu irmão maior, o Qashqai +2, de sete lugares, que se jun-tou à família no Outono de 2008. Mas é também verdade que, desse meio milhão de Qashqai vendidos, mais de 60 mil ficaram na Península Ibérica – e 9.000 em Portugal. Outra realidade desvendada pela esta-tística: mais de 80% dessas unidades foram vendidas a quem nunca, até então, tinha possuído um Nissan! Mais que a frieza dos números, é esta percentagem que faz pensar: afinal, que atributos tão bons pos-sui o Qashqai, desde que nasceu, para cativar assim tão dedicada-mente as pessoas?
A receita até é simples. Muito simples: uma estética descomprometida mas dinâmica e jovial; uma versatilidade evidente; maneabilidade den-tro e fora do asfalto; facilidade de condução; economia de consumo e manutenção; fiabilidade; conforto de rolamento; dinâmica e comporta-mento de uma berlina; um motor eficaz de baixa cilindrada (1.5 dCi); e um preço final abaixo do resto do mercado, com uma cuidada relação preço/qualidade/equipamento.
Atenta e astuta, apesar de surpreendida pela receptividade do Qash-qai, a Nissan limitou-se, ao longo dos anos, a burilar aquilo que tão bem tinha nascido. Assim, neste Qashqai 2010, os atributos naturais mantêm-se intactos. As diferenças são provocadas por uma milimétrica cirurgia estética, exterior e interior, bem como pela melhoria de todas as características anteriores.
Mexer para melhor
De facto, numa altura em que, mais de três anos depois do seu lança-mento, a procura ultrapassa ainda a oferta e em que o mercado, no segmento dos Crossover, está mais agressivo que jamais, a Nissan voltou a ser inteligente. As diferenças que se vêem no Qashqai 2010 promovem o Crossover japonês a um maior patamar de qualidade, jovialidade estética e capacidade dinâmica. Além disso, a Nissan intro-duziu uma versão Pure Drive, com atributos que permitem emissões de CO2 para a atmosfera de apenas 129 g/km. Foi com esta, aliás, que o AutoanDRIVE rodou durante algum tempo.
Mas vamos às diferenças. No exterior, elas são evidentes na frente, através de um novo “capot” do motor, mais encorpado e viril; novos guarda-lamas, de maior envergadura; nova grelha em ninho de abe-lha, negra e envolvente, integrando, no centro de um V cromado, o símbolo da marca em grande plano; e novos grupos ópticos, mais ele-gantes e desportivos. Na traseira, novos são também os grupos óp-ticos, assim como o deflector aerodinâmico. As jantes em liga leve, de 18” (em opção), têm também novos padrões de “design”, mais despor-tivos e apelativos. De uma forma geral, todo o exterior foi aerodina-micamente afinado, diminuindo o coeficiente de resistência para 0,33 Cx, para o que contribuiu a adição de painéis aerodinâmicos extensi-vos, suavizando o fluxo do ar sob o automóvel e diminuindo os ruídos de rolamento.
A versão Pure Drive recebeu um tratamento aerodinâmico especifico, sendo de realçar as alterações na parte inferior da carroçaria, bem co-mo a existência de tampões aerodinâmicos para as rodas e a supres-são dos locais para a montagem dos faróis de nevoeiro (quando estes não existem de série).
No interior, as grandes diferenças concentram-se numa nova instru-mentação, com maior facilidade de leitura; materiais de maior quali-dade e com novas cores e padrões e, em termos de equipamento de série, a existência de um limitador de velocidade, controlado para evi-tar a passagem acidental dos limites de velocidade.
Dinâmica afinada
Em termos dinâmicos, o Qashqai 2010 sofreu um conjunto de cirúrgicas alterações, promovendo uma maior qualidade e segurança dinâmicas. Entre essas alterações, registe-se que os amortecedores foram afina-dos por forma a diminuírem o rolamento da carroçaria, bem como a absorverem mais eficazmente as irregularidades do piso e as transfe-rências de massas. Os ruídos aerodinâmicos foram reduzidos, através da adopção de um pára-brisas acústico e de um isolamento do interior mais eficaz.
A versão ensaiada pelo AutoanDRIVE vinha equipada com o nível Tek-na Sport, que incluía o tecto em vidro panorâmico, bem como câmara de visão traseira para ajuda ao parqueamento. Propulsionado pelo bem conhecido bloco 1.5 dCi de 106 cv, em termos dinâmicos não foi uma surpresa, pois já conhecíamos as suas qualidades, de outros en-saios anteriores. E nem a existência de pneus de baixa resistência e a adopção de uma relação de transmissão mais longa, factores neces-sários para permitir mais baixas emissões poluentes, beliscou as suas qualidades inatas de estradista.
Emfim possuindo uma maior altura da carroçaria em relação ao solo, mostrou-se à altura de algumas escapadelas longe do asfalto, apesar de possuir apenas tracção às rodas dianteiras.
Ao fim e ao cabo, pode dizer-se que o Nissan Qashqai está melhor, com as suas qualidades já conhecidas reforçadas e afinadas para o ataque à continuidade no topo da íngrime montanha que teve que subir até se tornar o “major player” da marca nipónica.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1461 cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 106/4000
Vel. Máx. (km/h): 177
Acel. 0-100 km/h (s): 12,2
Consumos (l/100 km): 5,1
Emissões CO2 (g/km): 129
Preço (euros): 27.440

