Citroën DS3 1.6 HDI 112 Sport Chic

Carrinho giro!

O Citroën DS3 marca um novo caminho para a marca francesa. Iniciado com C3, de que é o avatar desportivo, o DS3 canaliza ainda novas expe-riências de consumo. Não é apenas a sua silhueta que apaixona e faz a diferença: com o DS3, qualquer cliente pode ter um carro único. Assinado por si. Afinal, o DS3 é muito mais que um… carrinho giro!

Carrinho giro: foram estas as duas palavras que mais ouvimos, quan-do alguém queria catalogar aquilo que os seus olhos viam, ao olhar para o DS3. E só pode ser verdade: a própria Citroën define o DS3 com “anti-retro”. De facto, para quem acreditava que a sigla DS traria al-guns laivos de memórias passadas, a exemplo daquilo que a VW fez com o Beetle, a BMW com o MINI ou a FIAT com o 500, de passado o DS3 apenas tem isso mesmo: as duas letrinhas, com as quais a Ci-troën decidiu acrescentar uma linha de futuro radioso ao seu irrequieto compacto de 3,95m. E, por falar em MINI, a Citroën foi também clara durante a apresentação do DS3: o pequeno carro bávaro será o seu principal “target”, nas contas dos mercados mundiais.

“Design” apaixonante
Mas voltemos às palavras. O DS3 é, como já foi dito, um automóvel di-ferente. Palavras da Citroën: “um compacto sensual”, “sempre pronto a atacar”, “impertinente”, “o sonho de qualquer designer”. Pois bem, já que os livros dizem que um jornalista não deve adjectivar (portanto, não deve ter opinião, o que quanto a mim é um erro crasso…), procuremos justificar os adjectivos assinados pela… Citroën.
“Compacto sensual”: o DS3 é um automóvel curto (3,95m) e baixo (1,46m), com uma silhueta firme e dinâmica, sugerindo movimento contínuo, mesmo quando imóvel. A diferença é marcada pelo tejadilho “flutuante” e pela linha de cintura acentuada pelo friso lateral em for-ma de barbatana de tubarão. Depois, a frente é ampla e aberta, limi-tada pela impertinência de uma assinatura luminosa específica, permi-tida pelas luzes laterais em LED, cravadas em ambas as abas do pára-choques. O “capot” curto mergulha de súbito, obrigando o olhar a per-der-se na grelha em duplo “chevron”, único traço distintivo da marca francesa, pois é o símbolo DS que centra as atenções, tanto na frente, como atrás, bem a meio do portão curto, bem encaixado sob o peque-no deflector superior e entre os pequenos grupos ópticos. Depois, sob o volumoso pára-choques, sobressai um perfil extractor em falso car-bono, culminando num final em beleza… desportiva o perfil exterior do DS3.
A sensualidade do “design” acompanha o interior, em pequenos por-menores que, aliados à qualidade dos materiais luxuosos escolhidos pela Citroën, como couro e cromados em profusão, contribuem para um ambiente sofisticado e desportivo, até mesmo sedutor. Os pedais são em alumínio e têm perfis anti-derrapantes incrustados.
A luminosidade é optimizada pelo formato do pára-brisas, mas também pelas generosas janelas traseiras que, em simultâneo com o “design” dos apoios para a cabeça, permitem ainda uma boa visibilidade para trás. A utilização intensiva de aplicações cromadas é combinada com características de versões únicas, como o brilho e a cor, sempre diferente, da alavanca da caixa de velocidades, ou com o padrão dos bancos, para recriar um ambiente jovem mas, ao mesmo tempo, de qualidade, em que a pureza do “design” exterior se prolonga, quiçá ainda mais refinada, no interior.
Pormenores que também fazem a diferença, são os comandos do ar condicionado integrados na consola central e rodeados de aros cro-mados, a posição de condução baixa, os bancos envolventes e com bom apoio lateral, o volante pequeno, “cortado” em baixo, desportivo e dinâmico e os mostradores de “design” apelativo e moderno, tam-bém com acabamentos cromados.
A versatilidade e o espaço foram igualmente trabalhados pela Citroën. O DS3 possui cinco verdadeiros lugares, com o espaço para as pernas dos passageiros dianteiros optimizado pelo painel sobre-elevado e, atrás, capaz de surpreender pela positiva, embora a aparência sugira alguma claustrofobia.
Além disso, o DS3 possui um interior bastante convivial e versátil. Es-paços de arrumação não faltam – sendo de referir o enorme e pro-fundo porta-luvas de 13 litros, bastante mais que em muitos modelos de segmentos superiores. A bagageira, essa, é funda e tem 285 litros de volume, que pode ser aumentado pelo rebatimento assimétrico dos bancos traseiros. Curiosamente, para lá das normais questões juvenis sobre velocidade e afins, postas por proprietários do imortal Saxo Cup, houve uma que me deixou a sorrir: será que a Citroën vai fazer uma versão comercial do DS3?
A versão ensaiada pelo AutoanDRIVE incluía-se no nível “Sport Chic” e, para lá de todas mordomias obrigatórias hoje em dia em automóvel que se preze (ar condicionado automático, bom grau em segurança activa e passiva, sistema de rádio “XPTO ao quadrado” espalhando música por todo o lado, etc, etc…), ostentava ainda o volante em couro, com inserção DS cromada ao centro e regulador de velocidade.

Alma desportiva
Equipado com o motor 1.6 HDI de 112 cv, o DS3 mexe-se bem. Leve e com um chassis que privilegia as características dinâmicas, em detri-mento do conforto, o DS3 sente-se que nem peixe na água nas estradas sinuosas e com transferências de massas sucessivas. A sua curta distância entre eixos faz milagres de maneabilidade, a direcção é informativa e incisiva e a suspensão possui a dureza necessária para que se retire muito prazer da sua condução. E é caso para pensar: se com este motor “de Lineu”, que até é bem auxiliado pela caixa de velocidades de seis relações, apesar da sua engrenagem por vezes ser mais lenta que o obrigatório num bom desportivo, o DS3 já é um brinquedo, digamos, interessante, o que será o DS3 com o motor 1.6 THP a gasolina e com os seus 150 cv, decerto bem mais “racés” que os 112 deste!
Claro que, em especial para quem viaja atrás, o final de uma viagem mais longa é algo apetecido, já que a suspensão “inventa” degraus e buracos um pouco por todo o lado – mas é só isso, pois cumpre mili-metricamente a sua missão de levar o carro de curva para curva, traçando carris imaginários, de onde ele só sai em casos de maiores necessidades. Mas, afinal, este é também um carro hedonista, para prazeres (quase) solitários, prazeres jovens e, aqui e agora, com estranhos mas benfazejos laivos de luxo e qualidade. A Citroën, cada vez mas, já não é o que era – aquela marca popular, em que a quali-dade era deixada para o vizinho do lado.

Você quer, você tem
Pois é: o DS3 é feito à sua medida. Você quer, você tem um carro dife-rente, com a sua assinatura exclusiva. E como? A Citroën simplifica a questão de uma forma muito fácil: através de 11 cores para a carro-çaria e quatro cores para o tejadilho (Preto Onyx, Branco Opal, Azul Botticelli e Vermelho Carmen), abrem-se as portas a 38 combinações únicas. Além disso, cada combinação pode ser acrescentada com pormenores pessoais, desde as cores das jantes (existem 12 modelos distintos, que podem ser de 16” ou 17” – o “nosso” DS3 utilizava estas últimas, em fundo negro diamantado), aos “kits” de autoco-lantes decorativos para as conchas dos retrovisores exteriores ou dos frisos laterais das portas. E, enfim, existem “kits” decorativos para o próprio tejadilho – também quatro, a saber: Zebra, Onde, Perle e Urban Tribe.
Isto, no exterior, porque no interior a personalização vai ainda mais longe. Para tal, a Citroën propõe uma enorme variedade de acaba-mentos para os bancos, bem como embelezadores para o painel de bordo e o punho da alavanca da caixa de velocidades. Já os tapetes acompanham o padrão decorativo do tejadilho.
Posto isto, quem disse que você não pode ter um carro único? Afinal, o Citroën DS3, na sua filosofia e conceito, já o é: um corte radical com o passado, apostando firmemente no futuro.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1560 cc, turbo-Diesel, turbo-compressor de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 8 válvulas
Potência (cv/rpm): 112/4000
Vel. Máx. (km/h): 190
Acel. 0-100 km/h (s): 9,8
Consumos (l/100 km): 4,5
Emissões CO2 (g/km): 119
Preço (euros): 24.565

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues

3 respostas a Citroën DS3 1.6 HDI 112 Sport Chic

  1. José Gonçalves diz:

    Pois o bolide está muito engraçado, e o artigo do jornalista Hélio Rodrigues está bem escrito, mas existe um lapso nas especificações tecnicas,pois este motor não é 16 valvulas cujo código é DV6T 110cv, mas sim o novo motor DV6C 82Kw 112cv, e entre muitas coisas tem um turbo com geometria variável.
    Podem conferir as epecificações neste linck.
    http://www.tremery.psa.fr/fileadmin/sites/TREMERY/docs/Nosmoteurs_DV.pdf

    • José Gonçalves diz:

      Ok.. A correção está feita.
      Obrigado Srs Moderadores.

      • Bom dia, José Gonçalves. Somos nós que agradecemos a sua atenção a este “pormenor” tão importante. Foi corrigido de imediato, conforme percebeu… mas foram tantos anos (e modelos, da Citroën e Peugeot) a lidar com o “velho” motor de 110 cv e 16 válvulas que este deslize aconteceu com toda a “naturalidade”…

        Hélio Rodrigues

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