Prazeres da vida
O Renault Laguna Coupé é um dos mais belos automóveis do mercado. A sua carroçaria “coupé” esconde genes desportivos e é quase fascinante. Afinal, depois de algumas centenas de quilómetros ao volante, bem pode-mos dizer que o Laguna Coupé não se esgota na sua beleza: é um dos (bons) prazeres da vida.
O Laguna Coupé tem linhas apuradas e muito equilibradas. Elegante, tem por base os tradicionais “coupés”, mas a sua imagem traz consigo também muito do ideário desportivo. É, em simultâneo, dinâmico e compacto, além de ter um perfil bastante estilizado.
A volumetria da carroçaria de três portas esconde um interior menos arrojado, mas onde, mesmo assim, existe bastante espaço. O Laguna Coupé pode apenas transportar quarto passageiros, mas fá-lo sem concessões ao conforto.
Outra das características do Laguna Coupé é a qualidade. Não só a carroçaria não apresenta falhas de montagem, como no interior a qualidade se encontra na escolha dos materiais que forram o habitá-culo, bem como na sua montagem apurada.
A ergonomia é outra das características do Laguna Coupé. É certo que o painel de instrumentos é herdado do Laguna Berlina e que, por isso, não acompanha o arrojo das suas linhas. Porém, tem uma vantagem: é um produto já bem testado no seu “irmão” de cinco lugares e quatro portas e, por isso, nada a dizer de errado.
Na verdade, apesar de menos obviamente belo, os genes desportivos encontram-se representados em alguns pormenores do interior. Como é o caso do volante cortado e do velocímetro, que é o mesmo que existe no Mégane Coupé R.S. e marca uns agradáveis 280 km/h. E, também, da pedaleira em alumínio.
Viajar sobre carris
A versão que aqui apresentamos é a equipada com o motor turbo-Diesel 2.0 de 180 cavalos. Trata-se de um motor muito interessante, capaz de bom desempenho em qualquer tipo de estrada, em muito ajudado pela caixa manual de seis velocidades, exacta e fácil de manusear. Além disso, a sua disponibilidade fica garantida desde cedo, se bem que, em percursos mais sinuosos, a saída de curva seja pre-judicada por alguma “preguiça” inesperada, levando-nos a recorrer a relações mais fortes na caixa de velocidades.
Porém, a cereja em cima do apetecido bolo que é o Laguna Coupé está no chassis 4Control. Este conceito, existente de série no nível GT de equipamento, permite que as quatro rodas sejam direccionais. E, com isso, que o comportamento do chassis seja impecável, elegendo como seu terreno favorito das estradas sinuosas. Nelas, torna-se muito difícil provocar o Laguna Coupé, pois este, graças ao sistema 4Control, mantém-se imperturbável de curva para curva, fazendo-as como se estivesse sobre carris. Impressionante!
Um único reparo: em auto-estrada, sobressaem do silêncio de rola-mento alguns ruídos aerodinâmicos, oriundos do grosso pilar central e que provocam um certo incómodo numa viagem macia e doce, como têm que ser todas as que se fazem a bordo de um automóvel tão elitista e quase exclusivo como o Laguna Coupé.
Finalmente, o equipamento. Este exemplar do Laguna Coupé era o GT. Trata-se do nível máximo e, na verdade, nele quase tudo aquilo que se quiser exigir de um automóvel, é possível encontrar – desde o ar con-dicionado automático bi-zonal ao sistema de som BOSE com carrega-dor facial para seis CD e função de leitura de MP3 com Plug&Music.
Em termos de segurança, possui o que de melhor a Renault consegue fazer, desde a segurança activa à passiva – ou seja, uma dezena de “airbags” e os tradicionais sistemas de controlo de travagem, tracção, anti-patinagem ou estabilidade.
Este automóvel custa pouco mais de 47 mil euros. Um valor que não é excessivo, tendo em conta a sua qualidade e, claro, a oferta de equi-pamento de série. Além disso, o Laguna Coupé é, ao mesmo tempo, um desportivo e um topo-de-gama. E, para que conste como correcta esta inclusão na “alta sociedade” automóvel, o exemplar que o AutoanDRIVE ensaiou possuía alguns opcionais luxuosos como, por exemplo, o sistema de navegação Carminat Bluetooth DVD Auditorium (1.340 euros), com cartografia da Europa (120 euros). O que, contas feitas, representou uma parcela capaz de elevar o preço final do “nosso” Laguna Coupé para quase 49 mil euros.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., turbo-Diesel, 4 cil., duas árvores cames à cabeça, 1995 cc, turbo-compressor de geometria variável, inj.directa múltipla c./ common rail e intercooler
Potência (cv/rpm): 178/3.750
Vel. Máx. (km/h): 222
Acel. 0-100 km/h (s): 8,5
Consumos (l/100 km): 6,2
Emissões CO2 (g/km): 163
Preço (euros): 47.250

