Renault Mégane Coupé 2.0 T R.S. 250

Olé!

Ninguém consegue passar despercebido com o Renault Mégane Coupé 2.0 T R.S. 250. Não apenas pelo amarelo “RS” da carroçaria, ou pelo seu as-pecto agressivo, que enche os olhos de inveja e o peito de coragem fictícia de matador de touros. Por tudo: o Mégane R.S. não se esgota naquilo que os olhos vêm. Bem pelo contrário: olé!

“Olhos que não vêem, coração que não sente”, diz o provérbio popu-lar. Pois é isto mesmo: o olhar rodeia por todos os lados, guloso, o Mégane R.S. – antes de abrirmos a porta e nos sentarmos na “bac-quet” Recaro solidamente fixa no chão alcatifado do habitáculo. A partir daí, aquilo que os olhos viram no exterior, transforma-se, de forma automática, no sentimento mais rude de um coração a bater depressa. Basta carregar no botão que diz Start e deixar os ouvidos captarem o sussurrar dos 250 cavalos adormecidos, debaixo do frágil e leve “capot” em fibra, cujas abas superiores entram pelos olhos, atra-vés do pára-brisas inclinado.
Pois é: logo no exterior, o Mégane R.S. pouco tem a ver com o Mégane “de série”, mesmo que seja o TCE 180, o tal aperitivo que a Renault criou para este, bem mais portentoso.

Olhos que não vêem…
Os técnicos da Renault Sport não deixaram os seus créditos por mãos alheias – a começar pela elaboração de uma carroçaria desportiva no seu mínimo pormenor. Na frente, os LED diurnos aquecem a linha po-derosa, culminada na grelha inferior em rede negra, com um pequeno lábio também negro, para que nada se perca do fluxo de ar para o arrefecimento do bloco 2.0 T de 250 cavalos e dos enormes travões, existentes por dentro das bonitas jantes de 19” específicas para esta versão, cujo interior negro realça as maxilas vermelhas, mordendo os enormes discos ventilados.
Depois, ao longo de toda a carroçaria, são bem visíveis os esforços para que nada se perca na crítica transformação dos fluxos de ar em dinâmica perfeita: as abas laterais alargadas, com ligação por travessa aerodinâmica colocada sobre os estribos trabalhados; a traseira, onde pontua um “spoiler” superior, discreto mas de dimensões generosas (quase tapando um terço do óculo traseiro) e, em baixo, o difusor ae-rodinâmico em carbono com a única saída do escape, triangular e cro-mada. Para que a estética do ramalhete ficasse perfeita e completa, os espelhos retrovisores são também em negro – e desenhados de tal forma que cortam o vento sem ruído.

Discrição interior
Curiosamente, o interior do Mégane R.S. decepciona um pouco: é, digamos, a antítese do seu exterior quase espalhafatoso, mas muito, muito atraente. Efectivamente, sentados por trás do volante herdado do Mégane “normal” – em que a diferença está nos pespontos amare-los e pálidos, bem como no anel cosido em pontos amarelos grossos, situado bem em frente dos olhos, para que não hajam confusões quanto ao lado para onde as rodas estão viradas, quando o cérebro está mais empenhado em perceber como é a curva que se segue – pouco de desportivo nos salta aos olhos mais atentos.
Por exemplo: no painel de instrumentos, as indicações resumem-se ao elementar, realçando-se o fundo amarelo do conta-rotações. Não exis-te mais nada, além deste, do conta-quilómetros e do indicador de tem-peratura (no mesmo mostrador das rotações) e nível de combustível. Nem sequer qualquer botãozinho, que nos permita gerir a posição do acelerador e levá-lo aos modos Sport ou Extreme, naquilo que a Re-nault designa como RS Monitor. Isso pode se feito – tornar o acele-rador mais ou menos sensível, provocando uma resposta imediata à pressão do nosso pé direito, apenas decidida ou bem mais brutal e incisiva – mas através do computador de bordo…
Ainda no interior, a veia desportiva está presente nos pedais per-furados, em alumínio e nas “bacquets” Recaro, que são em pele negra – e muito, muito quentes, nestes dias de calor. Atrás, há o espaço normal num Mégane Coupé e a bagageira é a mesma, com os seus mais de 350 litros de volume e a característica profundidade, que torna um exercício de músculo elevar a mala de viagem e colocá-la lá em baixo.
A alavanca da caixa de velocidades está envolta em pele também negra, mas não possui os pespontos em amarelo do volante – na verdade, isso nem interessa, o que interessa é a sua boa capacidade de engrenagem, a sua disponibilidade para ajudar à condução rápida e atlética, gerindo a alma do motor da melhor forma, de curva em curva. Onde o Mégane R.S. se sente que nem peixe na água – ou touro na arena. O trabalho nas suspensões levado a cabo pelos técnicos da Renault Sport não é fictício e para constar na ficha técnica: o carro baila sobre carris, literalmente – também muito graças ao diferencial mecânico. A direcção é directa, precisa e fácil, tornando a inserção em curva num exercício de precisão total, mas incisivo e viril.
A pensar nisso, encaminhámos o touro, mansamente, para a sua arena preferida: uma estrada nocturna, sem trânsito e com uma dúzia de curvas. A raiva, essa, apenas espumou quando carregámos o ace-lerador, a fundo. A estrada era a subir – e a subir, todos os santos ajudam, nestas coisas dos desportivos puros e duros. Como este Mégane R.S. é.
No final da experiência, de uma coisa não vamos falar: consumos. Mas falamos de outra: por menos de 37 mil euros, que outro automóvel tão poderoso e com performances tão catitas você consegue encontrar? Pode escrever o nome, na nossa secção reservada aos comentários…

Touro enraivecido
Quase duas horas da manhã. Noite cerrada, quente. Trânsito, nem vê-lo. EN3, junto ao cruzamento de acesso ao Fórum Romeira e ao Vila Baixa Caffé (a catedral juvenil do momento), do lado direito e, do lado esquerdo, ao centro da vila-presépio.
Paramos o Mégane R.S. O motor mal se ouve, não existem aquele roncar estridente e os melindres de quem está preso e deseja ser solto – pelo premir súbito do pedal do acelerador, de metal luzidio e perfurado. Nada disso – mas, quando de facto, primeira velocidade engrenada, com aquele modo brusco e sólido que é natural nesta caixa manual de seis relações, que equipa o R.S., colocamos o pé no pedal direito, as coisas mudam de feição. O ronronar satisfeito de gatinho adormecido transforma-se no bramir de um touro enraivecido, espicaçado pela farpa colorida do matador. Somos nós: são precisos apenas 6,1 segundos para atingirmos os 100 km/h, em segunda velo-cidade. A primeira curva, longa, à esquerda já desapareceu, a peque-na recta também foi devorada, metemos a terceira, mas aliviamos o pé direito, na curva à… direita que se segue. É longa, fecha na saída, mas não faz mal: o R.S. tem atributos que chegam e sobram para isso e o seu diferencial não deixa escapar nem um cavalinho para lá do asfalto.
Sempre a subir, nova recta, com uma direita ainda mais longa e que também fecha no final; aqui, há que ter um cuidado especial, pois estamos no cruzamento, à esquerda, para estrada que leva a Torres Vedras. Mas, a esta hora da noite, não há ninguém à vista.
Depois dessa curva, cega e de piso algo irregular, segue-se uma recta longa, de cerca de 250 metros, que aproveitamos para puxar pelos 250 galões de combate que enfeitam a cabeça do motor 2.0 T do R.S.  – terceira, quarta, quinta levezinha, o ponteiro chega rapidamente aos 170 km/h. Travagem forte – os discos da frente de grandes dimensões e enormes maxilas vermelhas quase fazem parar o carro. Temos que aliviar um pouco o pé esquerdo, a curva no final dessa recta faz-se bem em terceira a fundo, mesmo que feche um pouco mais na saída. “No problema, baby”: o chassis Cup do R.S. tem excelência de despor-tista puro e duro (ou não tivesse sido feito a pensar em catedrais como Nurburgring, Monza ou Brands Hatch) e a frente não foge nem um niquinho, mesmo que os pneus respectivos estejam quase nas lonas.
A zona a seguir é de curvas encadeadas, com boa visibilidade. Direita, esquerda, direita, sempre em aceleração: a estrada é larga, foi limpa recentemente das lamas do inverno e apenas na última direita se exige um pouco mais de dureza na direcção, para obrigar o Mégane R.S. a manter a trajectória. É aqui que adrenalina sobe a sério, pois a saída não deixa ver quem vem lá e, a subir menos, chegamos ao final da Rampa de Alenquer – 1.550 metros de adrenalina pura, venenosa, que apetece repetir, indefinidamente. Mas é melhor não: os pássaros nocturnos não têm culpa da loucura humana.
Do nosso lado esquerdo, na subida, as luzes de presépio natural de Alenquer acompanharam-nos em silêncio respeitoso. Não pelas nossas capacidades invejáveis de piloto nato e cujas aptidões jamais foram devidamente reconhecidas pelos olheiros do Mundial de F1 – nada disso! Simplesmente, em respeito pela paz de mochos escondidos nos ramos das acácias e das oliveiras, que nos atrevêramos a quebrar ruidosamente.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Diant., transv., 4 cil. em linha, 4 válvulas por cilindro, duas arvoras de cames à cabeça, distribuição variável, injecção indirecta, turbo compressor com “intercooler”
Potência (cv/rpm): 250/5500
Vel. Máx. (km/h): 250
Acel. 0-100 km/h (s): 6,1
Consumos (l/100 km): 8,4
Emissões CO2 (g/km): 195
Preço (euros): 36.950

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues

2 respostas a Renault Mégane Coupé 2.0 T R.S. 250

  1. GOSTARIA DE SABER SE A FONTE PARA O VOSSO PRCO FOI A RENAULT, POIS O PREÇO QUE ME FOI APRESENTADO É SUBSTANCIALMENTE SUPERIOR SENDO QUE AINDA ESTAMOS NO MESMO ANO??? (PARECE-ME POUCO PROVAVEL QUE TENHAM AUMENTADO O PREÇO COM O MERCADO AUTOMOVEL, EM GERAL, EM CRISE.

    OBRIGADO!

    • Boa noite

      Sim, as nossas fontes de informação quanto aos preços, por exemplo, são sempre as marcas – seja através dos seus sites oficiais, ou de contactos directos com os seus repsonsáveis. Neste caso, o preço indicado para o Mègane Coupé RS era de 36.950 euros, de acordo com a Renault, sendo este o valor base para uma eventual configuração, na qual será o cliente a indicar opcionais a seu gosto, que poderão encarecer a factura final. Não sei que preço lhe indicaram, mas no site da marca, em rápida consulta, pode verificar-se que o seu preço base é actualmente de 37.300 euros, podendo ser acrescentado de 1.810 euros, que são o custo total dos opcionais que a Renault propõe para o veículo. Ou seja, o máximo que lhe podem pedir pelo Mègane Coupé RS Turbo de 250 cv é cerca de 40.310 euros, pois existem, incouídos naqueles opcionais, Packs adicionais Couro, Couro RS ou Conforto, a que não pode fugir – a não ser, por exemplo, que não queira esses Pack e, então, o carro ficará por pouco mais de 38 mil euros. Valor a que terá que acrescentar despesas administrativas e de transporte. Por isso, informe-se bem junto da marca por que razão estão a pedir-lhe esse valor – e não com o concessionário.

      Sempre ao dispor

      Hélio Rodrigues

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