Suzuki Jimny 1.3 VVT 16v MODE2

A pulga e o elefante

Conhece a história da pulga e do elefante? Pois foi isso mesmo que nos aconteceu com o Suzuki Jimny 1.3 VVT, ao longo dos mais recônditos trilhos da Serra da Estrela, durante o Desafio Turismo de Portugal 4×4, que o Clube Escape Livre organizou no fim-de-semana: que grande nuvem de pó levantámos atrás de nós!

O Jimny não é – de forma nenhuma! – uma novidade na Suzuki. Na verdade, a cronologia afirma que nasceu em 1965, já na forma de um jipe compacto, com carroçaria de três portas. No início, chamava-se Hope Star ON360 e era um pequeno utilitário com tracção às 4 rodas. Ao longo dos tempos, foi adoptando diversas designações, como Samurai, Santana e Sierra – até que, há 40 anos, a Suzuki recriou o seu mais pequeno 4×4 sob o nome de Jimny. Mas o Jimny, tal como hoje o conhecemos, surgiu em 1998 – com tal sucesso que, entre nós, deu mesmo lugar a um troféu, integrado no Nacional de TT.
Em Portugal, está disponível neste momento apenas com a motoriza-ção a gasolina 1.3 VVT, de 16 válvulas e 85 cv, um bloco que utiliza a tecnologia de comando de válvulas variável, associada à injecção mul-tiponto, para promover uma constante entrega de binário, mesmo em situações de maior urgência. A carroçaria tem três portas e é de tecto rígido e a sua imagem actual foi lançada em 2006.
O Jimny é um veículo de tracção traseira, mas que utiliza o sistema Drive Action 4×4, permitindo tracção total desde que se carregue, du-rante uns segundos, num dos três botões existentes na consola dian-teira e, em caso de maior necessidade, a utilização de redutoras, per-mitindo ao Jimny passar por cima de toda a folha. Literalmente – foi isso que pudémos constatar, ao longo dos cerca de 200 quilóme-tros que percorremos, pelos trilhos mais escondidos da Serra da Estrela.

Grandes para quê?
O Suzuki Jimny é verdadeiramente compacto! O seu comprimento é de apenas 3665 mm – e, no meio dos outros 40 jipes, 4×4 e “pick up”, destacava-se pelo seu tamanho minimalista. E se, na frente, o espaço é suficiente para os dois ocupantes, já quem se sentar nos bancos traseiros terá que possuir uma pequena compleição física – em tama-nho, pois em resistência ser-lhe-ão pedidas aptidões atléticas, tais os saltos e solavancos que irão enfrentar, desde que se saia da fita ne-gra do asfalto! Quanto a bagagens, é melhor não pensar em grandes sacos – se se não quiser rebater os bancos traseiros, então o espaço limita-se ao necessário para aceitar um trólei e dois sacos de viagem médios, sobrepostos; foi o que fizemos e, como sabíamos que, em dois quartos do percurso, iríamos ter que os levar connosco, foi também a melhor forma de eles não se desfazerem com tantos saltos e “cambalhotas”, pois permaneceram, graças à exiguidade do espaço, bem apertadinhos uns contra os outros!
Porém, a escassa estatura do Jimny é uma ilusão – de óptica, também, mas principalmente de capacidades. No final dos dois dias e meio de aventura, apeteceu perguntar: grandes para quê? O Jimny, com os seus menos de quatro metros, os seus pouco mais de 2,5 de distância entre eixos, portou-se que nem um gigante, nos mesmos caminhos que os outros, monstros do TT, muitos deles preparados a preceito, percorreram. Nunca se negou a nenhum desafio e, verdade seja dita, a sua leveza (1070 quilos em ordem de marcha, 1420 de peso bruto) e a sua curta distância entre eixos, até resultaram numa condução divertida – mas, ao mesmo tempo, algo assustadora, em especial nas zonas de precipícios a subir, onde as reacções do Jimny, muito vivas e incisivas, causaram alguns calafrios ao passageiro do lado!

Uma agradável surpresa
Na verdade, o Jimny foi uma agradável surpresa para nós – tirando o facto de termos levado muito mais “pancada” do que se estivéssemos a bordo de um 4×4 maior e mais pesado. Nos corta-fogos a subir, dois deles em pedra solta e cascalho grosso, o Jimny, pulando de pedra e pedra, de socalco em socalco, quem nem um canguru, fez ver a quem olhava para ele com algum desdém – e não foram poucos os aventu-reiros melhor equipados que duvidaram das suas capacidades… Nos trilhos rochosos, cabia entre qualquer calhau e bem posso dizer que nunca fiz tantos cruzamentos de braços na minha vida; e o facto é que, rodando atrás dos “outros”, eu bem os via saltarem por cima das pedras e afloramentos rochosos, enquanto eu, tirando partido de uma direcção leve e muito directa, passava com as rodinhas do Jimny ao lado, sem sobressaltos! Depois, nas curvas em gancho “com manobra” – como rezava o “road book” – nunca tive que fazer nenhuma mano-bra: o Jimny passou sempre à primeira!
Ah! É verdade: apenas utilizei as redutoras nos corta-fogos de casca-lho grosso e solto; nos outros locais, não eram necessárias, o Jimny nunca se negou a subir, apesar dos seus “pequenos” 85 potrozinhos, mas de puro sangue.
Por isso, uma vez mais: grandes para quê? Além disso, com ângulos de ataque e de fuga maiores que a concorrência, até valados verticais o Jimny foi capaz de trepar, conforme pude constatar numa breve demonstração feita pelo Luís Celínio…
Acresce referir, em jeito de conclusão, que o Jimny que utilizámos ao longo de um milhar de quilómetros, se se revelou guloso em auto-estrada, já no todo-o-terreno e, principalmente, em estrada normal, o seu apetite foi bem mais comedido. E, depois de aventuras como estas, o que importa se os dois altifalantes do rádio (com leitor de CD) tinham um som roufenho e inaudível? Afinal, o ar condicionado estava lá, para arrefecer o pó que entrava pelas janelas e afins; os bancos em combinação de pele e tecido até têm um bom apoio lombar, essencial para as tropelias que exigimos ao Jimny; e, caso as coisas corressem mal, tínhamos “airbags” ali mesmo à nossa frente e as portas possuíam barras de protecção contra choques laterais. Mas, afinal, correu tudo bem – as únicas mazelas foram (fracas) dores no pescoço, de tantos saltos agarrados à “roda” e, na nossa acompa-nhante e magnífica navegadora (nunca se enganou…), na parte final da espinha. Enfim, nada que mais uma centenas de quilómetros, alhures no futuro, não fizessem esquecer. Afinal, é tudo uma questão de hábito!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 4 cil. em linha, 16 válvulas, 1328cc, inj.multiponto
Potência (cv/rpm): 85/6000
Vel. Máx. (km/h): 140
Acel. 0-100 km/h (s): 14,1
Consumos (l/100 km): 174
Emissões CO2 (g/km): 7,3
Preço (euros): 18.030

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: Hélio Rodrigues e Clube Escape Livre

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14 respostas a Suzuki Jimny 1.3 VVT 16v MODE2

  1. Miguel diz:

    Boa tarde,
    descobri este site por acaso e como tenho um Jimny, não pude deixar de ler, pois afinal, o Jimny é tudo isto e muito mais…
    Só há aqui uns pequenos pormenores que estão errados:
    - O jimny não tem tracção dianteira como referido, mas sim, traseira.
    - O jimny não tem bloqueio do diferencial. Fica com tracção integral mas sem bloqueio.

    • Antes de mais, agradeço a sua atenção. De facto, existia no texto um pormenor errado: a tracção do Jimny é, claro, traseira, e não dianteira. Já está corrigida a informação. Quanto ao bloqueio dos diferenciais, a utilização das redutoras, de acordo com informação que pesquisei, promove o bloqueio do diferencial traseiiro.

      Um abraço

      Hélio Rodrigues

      • Miguel diz:

        Gostaria que me fornecesse o local onde pesquisou essa informação sobre o uso de redutoras e bloqueio do diferencial traseiro, pois estou registado num forum de proprietários de Jimny’s e os unicos que tem bloqueio de diferencial são os que foram colocados à posterior pelos seus donos, usando um compressor de ar para activar este bloqueio.

      • Curiosa questão, que me deixa confuso! De facto, depois de receber este seu comentário, aprofundei as minhas pesquisas. E se, no site da Suzuki Portugal, apenas referem a existência do sistema 4×4 Drive Select, sem especificarem mais nada, encontrei quatro versões sobre o tal bloqueio do diferencial do Jimny.
        1 – Esse bloqueio é feito pelos seus proprietários, conforme refere;
        2 – O sistema 4×4 Drive Select actua COMO um bloqueio do diferencial central;
        3 – O Jimny NÃO TEM diferencial acoplado à caixa de transferências;
        4 – Finalmente, “com sistema de tracção 4×4, diferencial central e bloquieo traseiro” (sic, in http://www.riogrande4x4.com.br)

        Como já percebi que quem percebe disso é quem tem mesmo um Jimny, qual é de facto a realidade? Não apenas para saber, mas também para corrigir a informação colocada no AutoanDRIVE.

        Um abraço

        Hélio Rodrigues

  2. Miguel diz:

    Links de um ensaio feito já faz algum tempo
    http://img41.imageshack.us/img41/6272/76462335.jpg
    http://img41.imageshack.us/img41/8092/32555348.jpg
    http://img41.imageshack.us/img41/5175/98594659.jpg
    http://img41.imageshack.us/img41/4962/61870910.jpg

    Jimny na wikipédia onde refere o seguinte:
    “A tração 4×4 é do tipo selecionável (4WD, Four-Wheel Drive ou Part-time), com caixa de transferência de dupla relação (alta e reduzida) e rodas-livres com cubos de bloqueio automático por vácuo. As trocas entre os modos 2WD (tração traseira), 4WD (4×4 High) e 4WD-L (4×4 Low) são feitas via comandos eletrônicos no painel. Um sincronizador permite mudanças entre 2WD e 4WD em velocidades de até 100 km/h, mas ainda é necessário parar completamente o veículo para se acionar o 4WD-L (reduzida). Como não há um diferencial central incorporado à caixa de transferência, o uso dos modos 4WD e 4WD-L em pisos com boa aderência não é recomendado, sob risco de danos ao sistema de transmissão.”
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Suzuki_Jimny

    São apenas algumas informações… Qualquer duvida, volta a dizer, que apesar de não ser um entendido em mecânica, vou tentar responder

    • Nas minhas pesquisas, esta foi também uma informação que encontrei. Porém, continua a assistir-me uma dúvida: sem ter bloqueio do diferencial, por que razão, em modo de tracção “4wd LOW”, passa a ter, de repente, tão mais força que em modo normal “4wd”?

  3. Miguel diz:

    Tem apenas a ver com a desmultiplicação. Passo a citar alguns paragrafos, de um teste efectuado pela AutoHoje TT&Aventura na edição de Out/Nov/Dez 2009.

    “Porém, o pequeno Suzuki não tem nem pode ter diferencial autoblocante, o que acaba por ser a sua maior limitação. Mesmo com a multiplicação da relação de caixa, se cruzar os eixos e deixar as rodas opostas no ar, não avança mais porque a potência foge pelas rodas sem atrito, pois não há bloqueio de diferencial.”

    “A redutora tem a relação 2,0:1 (reduz para metade)…”

    Estes são os excertos que achei mais importantes para este caso.

  4. Alcyr Pereira diz:

    Amigos,não consegui entender a parte de consumo de combustível.Quantos quilômetros por litro de gasolina faz o Jimny na estrada normal, sem ser off-road? E,outra dúvida: ele se sustenta bem rodando a 100/110km por hora? Anda fácil nesta velocidade ou forçando o motor?É que estou quase comprando um modelo 2011 e tenho estas dúvidas.Quem puder me responder, eu agradeço. Um abraço e todos. Alcyr Pereira

    • Flavio Ciro diz:

      Minha dúvida é exatamente esta.
      Quero um carro tb para viajar até 500 quilómetros pelo menos uma vez por mês…

    • Luis diz:

      Caro Alcyr,
      Para rodar nos 11–120 km/h o giro do motor fica em torno de 4.000 rpm. Detalhe: o motor é muito silencioso! Tinha um Sandero antes e posso te garantir que era mais incômodo do q o Jimny. É claro q a direção no Sandero é mais confortável, já q o Jimny, devido à suspensão e os eixos rígidos, é mais difícil de “domar” em alta velocidade, mas até os 120 Km/h é tranquilo.

  5. Flavio Ciro diz:

    Caros,
    Gostaria de uma opnião sobre o Jimny quanto à sua capacidade de velocidade em autoestrada.
    É muito incomodo rodar com ele acima de 120 por hora?
    Estou esperando o meu aqui no Brasil, que diga-se de passagem, custa um dinheiro que vcs nem imaginam por aí.
    Sem airbags, cerca de 25 mil euros.
    Bom eh isso. Abs a todos

  6. angela de castro alvares diz:

    aprendi bastante. agradeço a todos os informantes. Vou comprar o meu jimny esta semana!

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