Nada será como dantes
A promessa já tinha sido feita pela Renault há alguns meses: o Dacia Duster iria surpreender, quando chegasse ao mercado. Pois bem: apre-sentado agora em Marrocos oficialmente, vai estar nas concessões da marca dentro em pouco, a partir dos 15.600 euros. E já há uma certeza: os “outros” que se cuidem, pois nada mais será como antes, no mundo do TT de lazer.
A Dacia é uma marca de origem romena, comercializada sob chancela da Renault, que aproveita assim para lançar produtos novos, com argumentos quase idênticos aos das suas gamas principais, mas por um preço “low cost” – ou seja, do outro mundo. E, desde que surgiu o Logan, a “tal” carrinha funcional que quase fez entrar em pânico os homens da produção, tal a inesperada procura, por toda a Europa (incluindo a Alemanha!), cada novo Dacia dá azo a alguma ansiedade. Tanto nos habituais clientes Renault (e não só), como nos gestores de produtos das marcas concorrentes, que se arrepiam só de saber que… pode muito bem vir lá um novo carro, mais barato, mas com caracte-rísticas capazes de fazer oscilar o mercado. O mais recente exemplo de um Dacia que promete dar que falar, é o Duster.
Uma forma diferente de ser… TT
O Dacia Duster (que irá ser comercializado em alguns países sob o nome Renault!) é, ao fim e ao cabo, um… Renault. Não apenas porque a marca do losango aproveitou muito daquilo que já existia sob a sua assinatura (como os interiores da gama Mègane e as bem conhecidas bases mecânicas assentes nos blocos turbo-Diesel 1.5 dCi com a potência declinada entre os 85 cv e os 110 cv e 1.6 16v a gasolina, de 105 cv), como lhes forneceu identidade própria, construindo um carro diferente e radicalmente mais em conta: o Duster, o sexto modelo novo comercializado pela Dacia.
A marca utiliza palavras simples parta definir o Duster: “todo-o-terreno robusto, de grande habitabilidade e com um preço imbatível.” E parece ter razão: a primeira prova de fogo do Duster foi o Rallye Aucha des Ga-zelles, que dominou sem grandes dificuldades. Quanto a habitabili-dade, basta dizer que as cotas utilizadas foram rebuscadas do familiar Mègane. Finalmente, qual o TT existente no mercado, com idêntico leque de oferta em termos de equipamento, economia, performances e qualidade (esta sem pretensões luxuosas, mas bem honesta para o preço final), por menos de 15.600 euros?
O Dacia Duster está disponível em duas versões, no que a transmissão diz respeito: 4×2 e 4×4. O primeiro significa um automóvel polivalente, capaz de algumas ligeiras incursões fora do asfalto, mas sem veleida-des no todo-o-terreno mais “a sério”. O segundo – apenas disponível na versão equipada com o motor 1.5 dCi de 110 cv – garante ampla liberdade de imaginação, na descoberta das melhores paisagens, por esses trilhos acima, graças à sua altura ao solo (210 mm), agilidade (apenas 1250 quilos!) e robustez (a carroçaria foi reforçada para enfrentar todos os tipos de caminhos).
O visual do Duster é muito particular, identificando de imediato um veículo com aptidões TT – e, também, catalogando-o com um puro produto Dacia. Características como as ópticas duplas, as vias mais largas, as barras no tejadilho, as protecções na carroçaria e os pára-choques envolventes não deixam dúvidas: estamos perante um TT, com genes que se estendem mesmo à capacidade 4×4 de rodar em todo o terreno.
No interior, a posição de condução é mais elevada, e a modernidade casa-se, como em todos os Dacia, com a simplicidade e facilidade de utilização, ergonomia e leitura.
Preços de competição
Desenvolvido na mesma plataforma que originou o Logan e com um comprimento de 4,31 m – equivalendo ao Mègane – o Duster possui caixa de cinco velocidades manual, nas versões 4×2, e de seis velo-cidades, nos 4×4. Esta versão tem três modos de utilização: Auto, em que são as condições de piso e aderência e definir as percentagens de tracção, entre os eixos dianteiro e traseiro; Lock, programado pelo condutor, que bloqueia a transmissão no modo 4×4 de forma perma-nente, para uso apenas em TT; e 2WD, com tracção só nas rodas dianteiras, reduzindo os consumos e emissões de CO2, sendo ade-quada para bons pisos.
O Duster está disponível, conforme já dissemos, com o motor turbo-Diesel 1.5 dCi de 85cv e 110cv e nas versões 4×2 e 4×4 (apenas 1.5 dCi de 110cv e caixa de seis velocidades, derivada das já existentes na Renault e também na Nissan). Porém, a entrada de gama vai fazer-se através de um motor 1.6 16v a gasolina, com uma potência de 105 cv. Os consumos são referidos pela marca como sendo baixos, na ordem dos 5,1 l/100 kms, nas versões turbo-Diesel.
E, com argumentos de segurança ao nível do segmento superior (por exemplo, sistema ABS Bosch 8.1 com repartidor electrónico de trava-gem (EBV) e assistência às travagens de emergência (EBA), bem como, em opção, controlo dinâmico de condução (ESC) com anti-patinagem (ASR) e controlo de sobreviragem (CSV) e airbags frontais e laterais de cabeça/tórax, estes de acordo com as versões) e um equipamento declinado nos mesmos níveis praticados pela Renault, o Duster prome-te ser uma pedrada no charco no mundo dos TT. Depois do Duster, a ideia de que ter um TT é uma escolha onerosa e de que não existem TT baratos, entra para a galeria dos mitos.
PREÇOS
- Duster 1.6 16v 105cv 4×2 Pack – 15.600 euros
- Duster 1.5 dCi 85cv 4×2 Pack – 17.500 euros
- Duster 1.5 dCi 85cv 4×2 Confort – 18.700 euros
- Duster 1.5 dCi 110cv 4×2 Confort Cuir – 19.700 euros (*)
- Duster 1.5 dCi 110cv 4×4 Confort Cuir – 23.500 euros (*)
(*) A partir de Julho

