Graaaande surpresa!
O Peugeot 5008 revelou-se uma grande (literal e metaforicamente falan-do) surpresa. Confortável, espaçoso, dinâmico, bem equipado e económico (este pressuposto apenas q.b.), o primeiro monovolume dito compacto com o leão a meio da grelha tem predicados para ser um sucesso.
O Peugeot 5008 é assumido pela marca como o seu primeiro monovo-lume original. É certo, por duas ordens de razões. Primeira: apesar de partilhar a plataforma a as bases mecânicas com o Citroën C4 Grand Picasso, o 5008 não é um clone puro, pois recebeu muito do ADN da Peugeot, transformando-se num caso sério de eficácia dinâmica e de algo que quase raia uma certa sofisticação.
A segunda, é histórica e merece mais algumas frases explicativas. Em 1994, foi criada uma sinergia entre os grupos FIAT e PSA (Peugeot e Citroën), para a concepção e produção de um monovolume, baseado em plataformas e mecânicas comuns. Foi dada a designação “Eurovan” ao produto final, numa assumpção do carácter global deste monovo-lume para a economia europeia. Esta sinergia chamava-se Sevel, o nome da localidade, perto da cidade francesa de Valenciennes, onde estava implantado o complexo industrial onde o carro foi produzido. A primeira geração deste monovolume único teve designações diferen-tes, para cada marca: Ulysse, na FIAT; Phedra, na Lancia; C8, na Citroën; e 806 na Peugeot. Era um monovolume à maneira da velha escola lançada pela Renault com o Espace: grande volumetria, formas esquinadas, pouca elegância e muito espaço e alguma versatilidade básica interior. Em 2002, a segunda geração aproximou-se das exi-gências do novo milénio e, na Peugeot, o monovolume passou a cha-mar-se 807. Hoje, o 807 ainda é produzido e vai coabitar com o 5008 – que a marca assume não pretender ser, sob nenhuma forma, o seu substituto futuro. O 5008 é algo totalmente diferente, inovador e distinto.
Por tudo isto, embora a Peugeot garanta ser o 5008 o “seu” primeiro verdadeiro monovolume, a realidade é que, não apenas o 807 É tam-bém um monovolume (e a diferença, entre ambos, de mais 197 mm no comprimento nem dá a primazia em compacidade ao 5008, nem retira esta característica ao 807 – ou seja, tão compacto é um como o outro…), como vai partilhar o espaço nos pontos de vendas nos con-cessionários no futuro mais próximo. Espera-se é que com números bem diversos pois, apesar de monovolumes, apesar de compactos, traduzem diferentes filosofias e conceitos distintos. Tal seja isto que torna o 5008 mais “compacto” que o 807…
Boa dinâmica
O Peugeot 5008 utiliza as mesmas propostas a nível de motor existen-tes no 3008 – logo, não há aqui lugar para surpresas. A surpresa, isso sim, está reservada à capacidade dinâmica evidenciada pelo chassis, imune ao rolamento (escasso, é preciso frisar) da carroçaria, que é mais baixa que no 807 e C4 Grand Picasso e, portanto, torna não apenas mais elegante o perfil do 5008, como coloca o seu centro de gravidade mais próximo do asfalto, com significativas melhorias no comportamento. E é também preciso dizer que o 5008 mostrou amplas qualidades de estradista, não apenas nas curvas de longo raio das auto-estradas, mas também em estadas secundárias, sinuosas e exigindo alguma neutralidade do chassis na transferência mais abrup-ta de massas. Além disso, o conforto dos passageiros nunca é coloca-do em causa, pois os amortecedores assumem um bom compromisso entre eficácia dinâmica e capacidade de filtrar sem intrusões para o habitáculo, as irregularidades e tendências da estrada. No que são bem acompanhados pelas suspensões, estruturadas para trabalhar com maiores pesos – pois é preciso não esquecer que o 5008 pode levar até sete passageiros e que, apesar da capacidade da bagageira sair diminuída com a lotação total, esta pode ser adaptada a qualquer situação, fruto de uma versatilidade exemplar, de que falaremos mais abaixo.
Acresce referir que o AutoanDRIVE ensaiou a versão equipada com o bloco turbo-Diesel de 1.600cc e 110 cv de potência, cuja competência nunca foi colocada em causa pela maior volumetria do 5008 e que, bem ajudado por uma caixa manual de seis velocidades bem escalona-das, permite mesmo algumas veleidades – não desportivas, é claro, pois a filosofia do 5008 está bem longe disso, mas sem desprimor para os pergaminhos dinâmicos da Peugeot, onde o leão tem por tradição rugir em cada modelo.
A Peugeot anuncia consumos pouco acima dos 5 litros aos 100. Porém, nunca conseguimos aproximar-nos desses valores; na realidade, o mais perto que estivemos foram pouco mais de sete litros – em con-dução espartilhada pelos mais rígidos limites de velocidade e suavi-dade, rondado, isso sim e com maior honestidade, os oito litros por cada centena de quilómetros percorrida. Há quem chame a isso gastar muito; achamos que não – afinal, o motor 1.6 HDI tem que puxar uma massa assinalável, sem nunca esquecer a sua galhardia inata, e isso paga-se de uma forma ou de outra – no caso em apreço, com consu-mos maiores que os assinalados.
Qualidade e versatilidade
A identidade parental com o 3008 é bem visível – para lá das bases mecânicas, conforme já referimos atrás, o 5008 partilha ainda o “design” do habitáculo e a maior parte do equipamento de série. O que quer dizer, entre outras coisas, que parâmetros como a qualidade e originalidade foram mantidos no monovolume, com destaque para os acabamentos do interior, os materiais que forram desde as portas à consola central, assim como o painel de instrumentos, cuja montagem e escolha não merecem reparos. Ao contrário do que é habitual nos monovolumes deste calibre, os ruídos parasitas não estão em evidên-cia, embora existam na parte mais recuada do habitáculo, por obra e graça de alguns acessórios e não provocados por deficiência na mon-tagem ou escolhas menos criteriosas dos materiais. Portanto, mais um ponto a favor do 5008.
O 5008 tem cotas de habitabilidade apreciáveis – afinal, sempre é um automóvel com um comprimento de mais de 4,5 metros e, portanto, o espaço interior tem que se coadunar com a massa externa. Ou seja, cinco passageiros viajam sem “conflitos” e, caso se opte pelo opcional de dois bancos adicionais (1000 euros), ficamos com três filas de ban-cos paralelas – 2+3+2, em que estes últimos apenas permitem um espaço algo contido, mais apropriado a crianças ou a adultos de pe-queno porte.
Todavia, o 5008 une bem a habitabilidade com a versatilidade. A capacidade da sua bagageira é variável, de acordo com diversos padrões de utilização dos bancos, oscilando entre o mínimo de 210 litros (com os sete lugares activos) e o máximo de 2506 litros, com todos os bancos traseiros rebatidos e transformando o 5008 num… furgão. Ah! Se normalmente andar com o 5008 na versão de cinco lugares, então terá à disposição uma bagageira com um máximo de 679 litros (com os bancos traseiros “puxados” totalmente para trás, na calha longitudinal em que “trabalham”), coberta por uma chapeleira de enrolar – a tal fonte de ruídos que assinalámos atrás…
O 5008 1.6 HDI que ensaiamos era a versão Sport e, portanto, uma das mais bem recheadas da Peugeot. O interior, muito luminoso por-que possuía um tecto panorâmico em vidro, escondido por uma cortina recolhível electricamente, protegendo-o da luz solar, está todo virado para o conforto dos ocupantes, com destaque para a função de con-dução, pois o condutor é “abraçado” pelo painel de instrumentos, ergonómico e com a leitura fácil das indicações que disponibiliza. Aliás, a Peugeot criou mesmo um curioso dispositivo tipo “head up display”, em plástico, que se eleva ao accionarmos a ignição e onde são projec-tadas informações básicas, como a velocidade instantânea e a distân-cia, em segundos, ao veículo da frente, situado bem ao nível dos olhos do condutor.
No cômputo geral, o equipamento de série é muito completo, com o tradicional ar condicionado, o sistema áudio direccionado para multi-funções, como aceitar CD, DVD e MP3 (a navegação é um opcional e pode custar entre 990 e 2375 euros), os sensores de estacionamento e o travão de estacionamento eléctrico. Em jeito de conclusão, o preço de 33.850 euros (na versão de sete lugares) não pode considerar-se um exagero, estando mesmo o 5008 em (quase) paralelo com o 3008 – oferecendo, por exemplo, mais espaço e versatilidade, por apenas mais cerca de 2000 euros.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: diant. transv., quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1560 cc, turbo-Diesel de geometria variável, inj.directa c./“common rail”, “intercooler” e filtro de partículas
Potência (cv/rpm): 110/4000
Vel. Máx. (km/h): 183
Acel. 0-100 km/h (s): 12,9
Consumos (l/100 km): 5,3
Emissões CO2 (g/km): 140
Preço (euros): 33.583 (versão de sete lugares)

