Feito à medida
Você quer um carro feito mesmo para si? Então, a BMW tem um: o Série 5 GT – de Gran Turismo e não referente a hipotéticas veleidades desporti-vas. Que as tem, claro está. Bem como tem aquilo que você sempre quis de um automóvel: estatuto, espaço, tecnologia de ponta, versatilidade, qualidade e performances.
O Série 5 GT não é, como já percebeu, um BMW qualquer. Mais baixo que o X6, mais curto que o Série 7 (de onde herda o chassis e as ba-ses mecânicas), mas maior que o Série 5 Berlina, o GT cumpre bem os objectivos de ser diferente. E, também, de dar nas vistas.
Longas viagens
O BMW Série 5 GT é, sem quaisquer dúvidas, um automóvel feito para viagens grandes, loooongas e com muita qualidade de vida. O Autoan-DRIVE ensaiou a versão 530d GT, que é a entrada de gama entre os turbo-Diesel e, em simultâneo, a aposta no “mix” de vendas da marca bávara no nosso mercado.
Mais curto – mesmo assim, com quase cinco metros de comprimento! – que o Série 7, possui a mesma distância entre eixos que o “navio almirante” da BMW. Pesado, com a balança a ultrapassar as duas toneladas, apesar dos múltiplos painéis em alumínio da carroçaria, tentando agilizar o resultado dinâmico final, o Série 5 GT tem muito espaço, em especial atrás – onde se pode viajar com todo o luxo possível, pese embora o passageiro do meio possa sofrer algum desconforto, pois o túnel da transmissão, muito corpulento, é algo intrusivo. Talvez a pensar no máximo conforto, a BMW disponibiliza uma opção de interior, com duas poltronas atrás, separadas por uma consola central!
“Situado” entre o agressivo X6 e a carrinha da Série 5, o GT pode defi-nir-se como uma mistura entre uma carrinha e um coupé. Mas esta definição seria, quanto a nós, demasiado redutora. O Série 5 GT é… um Série 5 GT! Isso diz tudo a seu respeito: exclusividade maior, persona-lidade vincada e surpreendente, um contexto topo de gama que não deixa ninguém indiferente e tem o condão de fazer virar muitas cabe-ças por onde desliza.
Viajar no Série 5 GT é, pode dizer-se assim, flutuar. A sensação avelu-dada do poder é constante, bem definida pela base mecânica que, mesmo no 530d, resulta suficiente para uma performance contínua de elevado grau de segurança, velocidade e eficácia dinâmica. Os 245 cv do motor de seis cilindros em linha podem parecer escassos, para fa-zer movimentar de forma célere toda a possante massa do 530d GT – mas não são! Para isso, em muito contribui uma transmissão a cargo de uma caixa automática de oito (oito, leu bem!) velocidades, geridas da forma mais eficaz pelo espantoso “Dynamic Drive Control”, um sis-tema que controla e optimiza ao máximo, ao sabor dos desejos do condutor, toda a eficácia dinâmica do automóvel.
Mas expliquemos melhor o que é este sistema electrónico de afinação do chassis, operado e controlado a partir de um botão situado na consola central, junto ao selector da caixa de velocidades. Para lá da posição Normal, onde as afinações são um compromisso entre eficácia dinâmica e suavidade de rolamento, existem outras três opções: a Confort, a Sport e a Sport +, sendo esta a mais radical e que deixa o Série 5 GT sob o absoluto controlo do condutor, pois o programa de controlo de estabilidade (DSC) fica desligado. O modo Confort privilegia o mais absoluto conforto, filtrando de forma notável todas as irregu-laridades do percurso – e nem a maior altura da carroçaria significa, nesta situação mais, digamos, aveludada, um maior adornar da mes-ma. O modo Sport quer dizer que o chassis fica afinado à medida para emoções mais fortes e uma dinâmica mais agressiva, potenciando um pouco quem quiser começar a retirar emoções fortes do GT – que au-mentam exponencialmente se optarmos pelo “Plus”; mas aqui, confes-samos, não convém mesmo nada abusar, pois sempre são duas tone-ladas e uns 100 mil euros de automóvel, que é necessário não riscar nem alterar através de um “facelift” súbito e emotivo!
E um BMW que se preze tem tracção às (no GT que ensaiámos, enor-mes, montadas em jantes de 20 polegadas, um dos muitos opcionais que esta unidade possuía, custando 3.450 euros) rodas traseiras. Porém, a BMW disponibiliza em algumas versões, como opcional, um sistema de quatro rodas direccionais, ou ainda o Adaptative Drive, sis-tema que combina as barras estabilizadoras activas do “Dynamique Drive Control” com o Controlo Electrónico do Amortecimento – EDC (3.090 euros), tornando ainda mais incisivo o comportamento dinâmico do automóvel.
Ainda sobre o “Dynamic Drive Control”, acresce dizer que, em simultâ-neo com a afinação do chassis, o sistema mexe também com a dureza das suspensões “multi-link”, a gestão do motor (um exemplo: no modo “Normal”, os consumos ficam-se abaixo dos 10 l/100km e, no Sport”, esses valores chegam a aproximar-se dos… 14 litros!) e a eficácia da direcção, completando um “cocktail” perfeito, batido à medida do con-dutor e da sua sede de diversão.
Versátil como um… monovolume
Mas o Série 5 GT não é apenas tecnologia, imagem diferente e perfor-mance. É, também, versatilidade – e, garantimo-lo nós, surpreendente.
Para começar, o espaço do interior é, sem dúvida, referencial. Os ban-cos dianteiros, com múltiplas hipóteses de regulação em altura, pro-fundidade, para trás, para cima, para baixo, das costas, do apoio lom-bar, são em “Pele Exclusive Nappa, com conteúdos adicionais Casta-nho Cinnamon” (3.120 euros), aquecidos, têm memória e fazem rela-xar o mais tenso dos corpos na mais longa e complicada das viagens.
O habitáculo é feudo da ergonomia, todo voltado para as funções da arte de bem conduzir com a maior das facilidades e conforto. Tudo está no sítio certo: a alavanca de mudanças, os mostradores de excelente leitura, o ecrã multifunções, onde até TV pode ser vista (desde que o carro esteja imóvel, opcional que custa 2.200 euros). A sua elegância é bem rematada pelos frisos envolventes e inferiores, em madeira nobre Fineline (610 euros). Folgas, materiais de má ou duvidosa qualidade, isso é coisa que aqui não existe – como não podia deixar de ser!
O tejadilho mais alto, fruto da estranha forma da traseira do GT, dispo-nibiliza uma maior cota em elevação para os passageiros, em especial os dos bancos de trás, que podem além disso apreciar a seu contento a luminosidade excepcional que o tecto de abrir eléctrico, panorâmico em vidro escuro proporcionava (outro opcional, 1.750 euros).
O BMW 530d GT possui, de série, o sistema iDrive, um comando rotati-vo na consola central, que permite gerir toda a actividade existente no interior. Por exemplo, através dele podemos controlar – os passagei-ros de trás também, desde que possuam um controlo remoto… outro opcional – o sistema de navegação, escolher a estação de rádio que queremos ouvir, ou o filme que queremos ver no DVD, a música que queremos ouvir no leitor de CD, procurar a nossa estação de TV prefe-rida, definir a melhor climatização, configurar a nosso gosto o painel de instrumentos, até mesmo escolher o ângulo de abertura das portas! Pode não ser propriamente intuitivo, mas quem tem um carro destes tem tempo para dele se tornar… íntimo!
Antes de irmos à bagageira e decalcarmos a sua versatilidade e funcio-nalidade, um derradeiro pormenor: no GT, está disponível um sistema de câmaras laterais, que permite observar a distância para os objec-tos situados à esquerda ou à direita da frente do automóvel. Algo muito útil nos estacionamentos em espaços apertados que, em con-junto com os múltiplos sensores e a câmara traseira, tornam a mano-bra de parquear estes cinco metros de carro tão fáceis como se se tratasse de um… MINI!
Então, vamos lá à apregoada diferença, na arte de ser diferente, prati-cada de forma tão ostensiva pela BMW: o porta-bagagens abre de duas formas distintas! Não, não é uma novidade – a primeira vez que vimos este “truque” foi no Skoda Superb. O sistema é simples: no mo-do Normal, abre-se apenas a porta para uma bagageira funda, com escassos (e complicados de gerir) 400 litros de capacidade – como se o 530d GT fosse um “mero” três volumes. Porém, na zona do lado di-reito da tampa da mala, um botãozinho escondido permite que a mes-ma porta funcione como se de um “hatchback” se tratasse, dando acesso a um porta-bagagens versátil, cujo volume pode ir até aos 1700 litros, conforme as nossas necessidades e mediante a gestão do rebatimento das costas dos bancos – individualmente, na totalidade, apenas a parte central, de cada lado à escolha, etc, etc. Ah! Para os mais distraídos, é preciso atenção, porque a dita porta abre e fecha electricamente! Basta carregar, para fechar, no botão respectivo…
Para finalizar, um “pequeno” pormenor: como é habitual e já percebe-ram, a BMW disponibiliza um extenso leque de opcionais, que aumen-tam de forma bem visível a factura final. O “nosso” 530d GT não era excepção: somando todos os opcionais que apresentava, o seu preço final ficou a rondar os… 100 mil euros! Mesmo assim, um preço feito à medida… pois qualidade e mordomias costumam fazer–se pagar. E bem!
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., 6 cil. em linha, turbo-Diesel, geometria variável e “common rail”
Potência (cv/rpm): 245/4000
Vel. Máx. (km/h): 240
Acel. 0-100 km/h (s): 6,9
Consumos (l/100 km): 6,5
Emissões CO2 (g/km): 173
Preço (euros): 77.850


[...] o AutoanDRIVE disse de sua justiça quando ensaiou a versão 530d, então a entrada na gama (http://autoandrive.com/2010/04/27/bmw-530d-gt/ ). Agora, o que importa reter são as razões que estão por trás da introdução do motor 2.0 de [...]