Opel Insignia 2.0 CDTI 160cv DPF Cosmo

O papa-léguas

A Opel definiu o Insignia como “o equilíbrio do poder”. Para isso, baseou-se nas suas linhas em simultâneo harmoniosas e subtis, associando-as a um “cocktail” inato de potência, condução e comportamento. O resultado traduz-se num automóvel topo de gama, que não deixa ninguém indiferente e pode surpreender até os mais cépticos.

O Opel Insignia veio substituir o Vectra e, desde Fevereiro de 2009, tem vindo a marcar a sua posição no jogo de prestígio, que é a con-jugação de elementos tão fundamentais como a imagem, qualidade, equipamento e preço, num “pack” tão completo e capaz de subjugar intenções e acabar com ideias pré-concebidas. Mas vamos por partes.

Imagem com qualidade
O Insignia é um automóvel, de facto, poderoso. A sua silhueta, em simul-tâneo robusta e fluida, acentua-se pela frente ampla e de curvas harmonio-sas, caminhando através de uma linha de cintura elegante e esculpida em vinco cavado lateralmente, para uma traseira ainda mais intensa, fundida de uma maneira subtil com o cair do tejadilho distintivo, estilo “coupé”. Mas, na frente, o olhar perde-se no conjunto de luzes tipo “asa” e cai em cima da enorme grelha, traço de distinção da nova linguagem de “design” da Opel.
A harmonia exterior prolonga-se depois para o interior, onde os detalhes se assumem como a continuidade da fluidez e subtileza do que se observa no conjunto da carroçaria. Um pormenor que realça a desportividade e intensidade do conjunto do habitáculo, está na secção superior do painel de instrumentos, naquele arco contínuo que se prolonga a partir dos frisos das portas e envolve o ambiente, quase como a linha de água de um barco elegante e concebido a favor do espaço.
E, neste espaço, vem ao de cima a qualida-de dos materiais escolhidos pela Opel, bem como a ergono-mia e eficácia dos comandos e instru-mentos, proporcio-nando um completo conforto a todos os passageiros, bem como facilidade e simplicidade de utili-zação pelo condutor.
Neste conjunto tão requintado, um único reparo: os plásticos que forram a consola central mereciam ser mais nobres e menos evidentemente duros, apesar de não serem agressivos ao tacto. Destoa um pouco, depois de se observar e sentir tudo o resto.
Já sobre a facilidade de utilização de todos os controlos e comandos, pena que o travão eléctrico proposto pela Opel tenha que ter intervenção do condutor para estacionar e não seja totalmente automático, como o é no momento do arranque.
Mas enfim, nada que belisque a imagem e a qualidade intrínseca que se vive a bordo do Insignia, um automóvel focado para a exigência de condutores que privilegiam as grandes viagens sem preocupações e sempre na crista da onda. E, de facto, essa é a vocação inata do Insignia.

Dêem-me estrada!
A versão ensaiada pelo AutoanDRIVE foi o Insignia 2.0 CDTI DPF Cosmo, com o motor 2.0 CDTI ECOTEC, de 160 cv e integrando já as características “verdes” de defesa do meio ambiente, com menores consumos e emissões de CO2, que a Opel designa ecoFLEX. Características essas que são acompanhadas por pormenores de diferenciação exteriores, como a grelha dianteira mais fechada, selagem da zona inferior entre pára-choques e o radiador, um “spoiler” dianteiro diferente e molas mais baixas na suspensão, rebaixando a carroçaria e diminuindo assim o arrasto aerodinâmico.
O nível de equipamento Cosmo significa a integração de diversos itens de conforto e qualidade de vida, em detrimento de novidades tecnológicas, como o sistema de condução interactiva FlexRide ou o chassis rebaixado, apenas existente no nível Cosmo e nas versões mais potentes. Mesmo assim, ser Cosmo significa a adição, ao nível básico Edition – que, “de per si”, traz consigo elementos tão importantes como controlo electrónico de estabilidade (ESP); volante em couro com comandos integrados; programador de velocidade; ou o apoio de braços traseiro com sistema de carregamento entre os bancos – o ar condicionado electrónico bi-zonal com sensor de humidade; pára-brisas atérmico; sensores de luz, chuva e de estacionamento, este com sistema avançado, que permite detectar o lugar correcto para estacionar; apoio lombar pneumático com quatro posições; banco do condutor com ajuste de inclinação; espelho retrovisor interior electrocromático; elementos decorativos cromados na parte inferior do pára-choques; e jantes em liga leve de 18”.
Tudo isto, torna re-quintado o acto de viajar no Opel Insig-nia. Porém, quando este tem debaixo do “capot” o motor atrás referido, o pra-zer aumenta: o Insignia é um auto-móvel muito eficaz, para o qual as longas curvas das auto-estradas são o caviar de um peque-no-almoço servido na exclusividade de um hotel de charme.
De facto, às vias mais largas e ao chassis progressivo e de reacções firmes e constantes, quase neutras, pode juntar-se o poder do motor 2.0 e 160 cv, em que a potência surge em força a partir das 1750 rotações, proporcionando viagens calmas, rápidas e muito seguras. Pena que o escalonamento da caixa de seis velocidades não permita que se diga o mesmo em cidade ou em estrada com muito trânsito, onde a sexta relação quase existe apenas a partir dos 90 km/h e obriga a um constante uso da alavanca, em terceira e quarta velocidade. O seu engrenar é seco e exacto, mas não muito rápido, em condução mais empenhada.
Ainda em estrada sinuosa, o Insignia, apesar de ser diver-tido, tem uma certa tendência a fugir de frente, abuso que se corrige facilmente levantando o pé e deixando a traseira acompanhar a tra-jectória delineada pela direcção que, sem ser muito infor-mativa, em especial em mau piso, permite ainda assim uma boa inserção em curva.
No final, o cansaço é uma miragem: o Insignia apresenta-se com bancos de bom apoio e ajuste lombar e, no caso de serem os novos bancos desportivos ergonómicos (de série no nível de equipamento Sport), o conforto e o apoio ortopédico são majorados através de aquecimento e ventilação, possuindo ainda funções de memória e comando eléctrico. Enfim, mordomias… Mas, afinal, ao nível de um automóvel tão imponente e administrativo, como é o Insígnia. E tudo isto por menos de 40 mil euros, o que o coloca num patamar de combate na luta sempre tão cerrada pela primazia no segmento.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Diant. transv., 4 cil. em linha, 1956 cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”
Potência (cv/rpm): 160/4000
Vel. Máx. (km/h): 221
Acel. 0-100 km/h (s): 9,5
Consumos (l/100 km): 5,2
Emissões CO2 (g/km): 136
Preço (euros): 37150

Texto e Fotos: Hélio Rodrigues

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