Nissan Murano 3.5 V6 S-CVT Premium DVD AWD

Da América com qualidade

O Nissan Murano nasceu para o mercado norte-americano. De linhas agressivas, quisemos conhecer os argumentos que esgrime num mercado tão exigente como aquele. E ficámos rendidos a tudo, desde a qualidade que se transpira no interior, às linhas quase futuristas e, enfim, ao conforto de rolamento e performances dinâmicas, em qualquer situação.

A primeira geração do Murano nasceu em 2002 e foi o primeiro “crossover” da Nissan comercializado nos Estados Unidos e Canadá. Seis anos mais tarde, a segunda geração foi apresentada no Salão Automóvel de Los Angeles – e três meses depois estava no mercado, com a designação Murano 2009. Na Europa, enfrenta rivais de peso, como o BMW X3; e não se sai assim tão mal como isso. Pelo menos, atendendo ao facto de estar disponível apenas com o motor V6 de 3,5 litros que anima o desportivo 350 Z, mas aqui declinado numa potência de 256 cv. É, portanto, um produto de nicho de mercado – mas daquele mercado que preza a imagem, a diferença, a qualidade e as prestações elevadas. E tudo isso está envolto naquela carroçaria de frente agressiva, quase a pender para uma nave espacial de ampla superfície vidrada angulosa e dinâmica, definindo de forma suave e bem desportiva as linhas de um perfil a que ninguém, mas mesmo ninguém, consegue ficar indiferente. Aliás, Murano não foi um nome escolhido ao acaso: é uma ilha italiana célebre pelas suas produções em vidro, muitas delas autênticas obras de arte esculpidas pelo fogo. O Murano é isso mesmo: uma escultura mecânica, em que o fogo vem de dentro, curiosamente quase em silêncio.

Poder e segurança
O Murano tem, já o dissemos, o mesmo motor V6 a gasolina do 350 Z. Construído em alumínio, é um bloco desportivo mas que, no Murano, foi “amaciado”, descendo dos 300 para os 256 cv. Mesmo assim, é fulgurante nas acelerações – e muito silencioso, apesar do poder dos seis cilindros em V. Acoplada, tem uma caixa de velocidades CVT, de relações continuamente variáveis, passível de ser usada no modo totalmente automático, ou semi-automático, com controlo das passagens de caixa por parte do condutor. Apesar deste controlo estar mais perto, na condução, do conceito vagamente desportivo do Murano, é no modo totalmente automático que a caixa é mais rápida, permitindo acelerações poderosas.
O Murano é um “crossover” – ou seja, misto de veículo de passa-geiros urbano com jipe. Possui tracção integral electrónica, mas o sistema All Mode actua mais sobre o eixo dian-teiro, permitindo apenas até 50% de torque no eixo traseiro. Isso nota-se bem em estrada, onde a frente tem tendência a fugir do eixo da curva. Os pneus da unidade que o AutoanDRIVE ensaiou tinham já alguns quilómetros em cima, o que também não ajudou muito.
Seja como for, em estrada ou fora dela, o Murano é um veículo de elevado gabarito. E não estamos a falar na sua carroçaria volumosa, com ângulo de entrada e saída suficiente para algumas escapadelas todo-o-terreno “soft” – a protecção inferior sob o pára-choques roça com facilidade os obstáculos mais elevados, ou na transposição de valas. Em estradões, é um prazer conduzi-lo, quiçá até maior que na estrada, onde se comporta “apenas” como uma berlina muito confortável, graças à suspensão – tipo MacPherson na frente, multi-braços atrás – macia (talvez demasiado…). E mesmo para lá dos limites do asfalto, as coisas passam-se com uma suavidade desconcertante: ao silêncio quase total do motor (ao ralenti é preciso ter o ouvido aguçado… ou então carrega-se de novo o botão do “power”…) junta-se o ondular da suspensão, deixando incólumes as nossas coluna e estrutura óssea em zonas mais acidentadas. Até parece que vamos sentados num sofá com rodas, veloz e macio como veludo!
Mesmo com todo o seu tamanho, o Murano é bastante manejável, apesar do ligeiro adornar da carroçaria e da tendência em fugir de frente, em zonas mais sinuosas – a isso em muito ajuda a disponibilidade do motor V6 e da caixa automática de variação contínua.
Único ponto deveras negativo está nos consumos. O AutoanDRIVE nunca conseguiu baixar dos 15 litros por cada centena de quilómetros percorrida – mesmo se, numa condução pacata e sem exageros, o escalonamento da caixa permite, por exemplo, que se pare num semáforo e se arranque, suavemente, em sexta! Claro que, se levarmos o acelerador ao fundo, o 6 dá lugar ao 2 e o Murano dispara que nem um cavalo selvagem. Mas sempre em silêncio.

Qualidade interior
O Murano nunca consegue passar despercebido. Se por trás se pode confundir com o novo Qashqai, mas mais volumoso, com o seu portão traseiro, os grupos ópticos e os vidros triangulares antes do último pilar, é uma primeira impressão enganosa. O perfil mais encorpado, e especialmente a frente de “tubarão”, desfazem todas as dúvidas. Diamante em bruto, a frente tem uma agressivi-dade inata, limitada pela grelha triangu-lada e pelas ópticas que se diluem para as zonas laterais da carroçaria. O pilar principal é o fio condutor que leva ao habitáculo, contribuindo de forma decisiva para a sensação de robustez atlética que o Murano destila. Infelizmente, desde o interior essa sensação desaparece – e o mesmo pilar pode ser intrusivo em relação à boa visibilidade geral que o condutor tem, em especial nas curvas pronunciadas para a esquerda.
E por falar, em interior, este ostenta uma qualidade a toda a prova. Num ambiente onde predominam o bege do couro e o brilhante das inserções em alumínio disse-minadas um pouco por todo o lado, percebe-se bem que os materiais são de escolha criteriosa e a sua montagem sem mácula. Folgas são coisas inexistentes: nem o estatuto do proprietário de um Murano o permitiria.
A ergonomia é outra das qualidades do Murano. Os bancos, de múltiplas regulações eléctricas, adaptam-se bem às… múltiplas estaturas dos passageiros da frente e, atrás, há espaço de sobra para todos. Além disso, há a possibilidade de memorizar cada a posição ideal do condutor; e o volante ergue-se e o banco recua, quando se abre a porta, depois de desligado o motor. Luxos e mordomias…
E por falar neles e nelas, a unidade ensaiada pelo AutoanDRIVE estava nivelada no máximo de equipamento disponível, o Premium. Isso englobava, entre outros, tecto de abrir panorâmico, sistema áudio Bose feito à medida do habitáculo, com leitor de MP3 e 11 colunas, portão traseiro com abertura automática, que se juntam ao volante multi-funções forrado a pele, ao ar condicionado automático com saídas para os bancos traseiros, aos bancos em pele aquecidos, com regulações eléctricas e memória de posições para o condutor, ao computador de bordo, ao “cruise control”, ao sistema de navegação, à câmara de visão traseira, à chave inteligente, aos sensores de chuva e de luminosidade e às jantes em liga leve de 18”.
Num automóvel com esta volu-metria e performances, houve um cuidado acrescido com a segurança activa e passiva, destacando-se, como equipa-mento de série, o controlo de estabilidade e de tracção, o ABS com controlo de distribuição de travagem, os encostos de cabeça activos e os seis “airbags” (frontais, laterais e para a cabeça).
Original e exclusivo, o Murano é um portento nas prestações, para a volumetria que possui. Porém, quem quiser fazer dele um desportivo a sério, desen-gane-se e assuma o carácter de conforto absoluto, no asfalto ou na terra, que as suspensões macias permitem. Enfim, um atleta em pantufas.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. longitudinal, 6 cil. em V a 60º, 3498cc, 4 válv. p./cil., duas árvores de cames à cabeça, distribuição variável, inj.directa sequencial
Potência (cv/rpm): 256/6000
Vel. Máx. (km/h): 210
Acel. 0-100 km/h (s): 11,6
Consumos (l/100 km): 10,9
Emissões CO2 (g/km): 261
Preço (euros): 68900

Texto: Hélio Rodrigues
Fotos: C. Santos e Hélio Rodrigues

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