Renault Fluence 1.5 dCi 105 Eco2 Exclusive

Uma surpresa em três volumes

A Renault não tem sido bem sucedida, nas suas tentativas de produzir um automóvel com uma verdadeira carroçaria de três volumes. O R19 Chamade e os Mègane com porta-bagagens foram os patinhos feios das respectivas gamas. Mas, com o Fluence, a tendência pode mudar. Uma surpresa em três volumes.

Primeiro volume: a imagem. Um automóvel com carroçaria tricorpo, de três volumes, ou quatro portas – escolham a definição que melhor entenderem e perceberem – raramente teve uma aceitação consensual. Excepções de sucesso contam-se pelos dedos – e, quase sempre, no segmento D. Ora, a Renault conseguiu, com o Fluence, algo que antes não tinha conseguido: criar um automóvel com uma imagem bem sólida, de linhas fluidas e elegantes, capazes de gerar aceitação entre um público mais exigente com a imagem.
O Renault Fluence esgrime bons ar-gumentos, no seu estilo que a marca define como “estatutário e moderno”. O seu “design” é dinâmico e até mesmo o porta-bagagens mais volumoso e elevado está inserido num conjunto rematado com harmonia – muito devido à sua grande distância entre eixos.
Na verdade, o Fluence está muito mais próximo da berlina Laguna – não apenas a sua carroçaria é apenas 77cm mais curta, como até a distância entre eixos se assemelha (2756mm vs 2702mm) – do que do Mègane, modelo de que herdou alguns componentes, mecânicos e não só.
Porém, olhando para o Fluence como um todo, percebe-se perfeitamente que não é, de forma nenhuma, um Mègane de quatro portas. Aliás, a Renault é taxativa quanto a isso, ao situar o Fluence na mesma ordem de grandeza do Laguna, embora o “estacione” a meio caminho entre o segmento C e o D.
À imagem harmo-niosa e elegante, refinada e distinta, bem proporcionada apesar de um tricorpo e remando contra a maré tradicionalmente conservadora de uma carroçaria de quatro portas, a Renault junta uma impressão de solidez, reforçada pela frente mergulhante e com uma pequena grelha superior e pela linha de cintura ascendente, que culmina no maior volume, mas não menos elegante, da traseira, atenuada pelo conjunto de faróis moderno e inovador.
Portanto, dito isto, a primeira parte desta aposta tripartida está ganha: o Fluence tem estatuto, requinte, qualidade e modernidade na sua imagem.

Amigo da estrada
Segundo volume: a dinâmica. Preci-samente: o Fluence pode surpreender, quando em movi-mento. O seu chassis não é o do Mègane, antes foi desenvol-vido para este modelo fabricado na Turquia. Associado a eixos concebidos para permitirem uma boa filtragem das irregularidades da estrada e, em simultâneo, proporcionarem uma rigidez estrutural eficaz, permite que se role sem constrangimentos. E nem sequer a sua distância entre eixos superior provoca grandes problemas nas zonas mais sinuosas, mantendo até uma agilidade surpreendente: basta que se trate o Fluence com decisão, verificando-se então que a subviragem não é demasiada e que existe mesmo alguma diversão a bordo. Isto, porque o Fluence adopta um trem rolante tipo pseudo MacPherson, com braço inferior rectangular, na frente, e um eixo flexível de deformação programada, atrás. E, sem dúvida, por causa da direcção eléctrica, esta sim herdada do novo Mègane e que consegue transmitir ao condutor as informações necessárias à condução, incluindo uma boa inserção em curva.
Claro que o Fluence é um automóvel voltado para a família: e isso sente-se bem quando se percorrem curvas de maior raio, como por exemplo em auto-estrada, durante as quais a se sente uma menor firmeza no contacto com o traçado da estrada.
Do Mègane, mas também doutros modelos da marca francesa, veio o bloco turbo-Diesel de 1461cc, nivelado nos 105cv de potência, bem como a caixa de seis velocidades. E, quanto à sua serventia, nada a apontar: nem sequer as maiores dimensões e peso do Fluence assoberbam as prestações e consumos, que se mantêm (graças ao escalonamento mais “desportivo” das relações da caixa) interessantes, embora sem deslumbrarem. Afinal, é para maiores famílias em movimento que o Fluence nasceu…

Equipamento topo de gama
Terceiro volume: o conteúdo. Este é de topo-de-gama, pois a Renault decidiu comercializar em Portugal o Fluence apenas com um nível de equipamento, designado Exclusive – e tornando-o uma das principais mais-valias do modelo, no que diz respeito à (pouca) concorrência que encontra no mercado.
O interior do Fluence é, isso sim, quase totalmente herdado do Mègane: entrar no Fluence é quase o mesmo que entrar num dos novos Mègane, com um “design” igual e materiais e revestimentos na mesma ordem de qualidade. O tablier e consola são as mesmas do Mègane e até os mostradores analógicos são “retirados” do… RS: estão lá os ponteiros e separadores amarelos, a numeração do velocímetro é que não é tão, digamos, poderosa.
Porém, junta um espaço maior para os ocupantes dos bancos traseiros e, principalmente, um recheio mais completo. Para lá dos bancos em pele, ar condicionado automático bi-zonal com saídas também para a parte traseira do habitáculo, telecomando de navegação, controlo do ar condicionado, rádio e telefone sob o volante, cartão mãos livres com encerramento das portas por afastamento e auto-rádio “Radio Classic” com leitor de CD/MP3, de série o Fluence traz também uma segurança a todos os títulos… exclusiva. Aqui, o destaque vai inteirinho para os seis “airbags”, o controlo electrónico de estabilidade (ESC) com função de controlo de subvi-ragem (CSV), cintos de segurança de três apoios com pré-tensores e limitador de esforço nos lugares da frente, regulador e limitador de velocidade, encostos de cabeça activos de última geração e a assistência à travagem de urgência com ignição automática da sinalização de emergência (EBA), esta bem mais tradicional em segmentos superiores.
A unidade ensaiada possuía ainda, como opcionais, o Pack Look (jantes em liga leve de 17” e tecto de abrir eléctrico, por 490 euros), o sistema de navegação Carminat by TomTom (490 euros) e a pintura metalizada (390 euros).
Em conclusão, o Fluence é um bom amigo da família – elegante, económico, bem equipado e por um preço que consegue ficar aquém da alegada concorrência que, como já foi referido, habita um andar mais acima. Vejamos é, isso sim, se o nome pega…

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: quatro cilindros em linha, 1461cc, 16 v., turbo-Diesel, turbo geometria variável, inj.directa “common rail” e “intercooler”
Potência (cv/rpm): 105/4000
Vel. Máx. (km/h): 185
Acel. 0-100 km/h (s): 10,4
Consumos (l/100 km): 4,5
Emissões CO2 (g/km): 119
Preço (euros): 26.450

Texto e Fotos: Hélio Rodrigues

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