Opel Astra 1.7 CDTI DPF Cosmo

Qualidade de liderança

Uma nova silhueta, mais dinâmica e desportiva: este o principal traço daquilo que a Opel designa como uma nova linguagem de “design”. Depois, junte-se a isso mais tecnologia, mais e melhores conteúdos e temos o novo Astra. Desde que nos foi apresentado que a curiosidade ficou aguçada; agora que o conhecemos, ficamos com a certeza de que existe ali qualidade de liderança.

O AutoanDRIVE experimentou o Astra 1.7 CDTI Cosmo, nas rápidas estradas da Região Oeste, célebre pelos seus vinhos, mas também pelas sinuosidade e beleza dos seus caminhos. Depois, quis saber os limites do motor de 125 cv na A10 e o comportamento do chassis nas suas longas curvas, subidas e descidas. Enfim, no trânsito, para lá da enorme curiosidade que as suas (ainda novidade relativa…) linhas despertaram, ficou a sensação de facilidade de utilização do motor e caixa de velocidades e de maneabilidade em situações mais apertadas.
Na verdade, qualquer comparação com o anterior Astra, nesta variante de cinco portas, é pura coincidência: o novo Astra fala muito melhor com todos a bordo, desde o condutor aos outros passageiros. E as palavras que mais conseguimos ouvir são: conforto, equipamento, conteúdo e comportamento. Vamos por partes – para ficarmos a saber por que razão a Opel tem neste Astra um “major player” no assalto à liderança do segmento.

Suavidade e conforto em estrada
O Opel Astra – que entra agora na sua quarta geração desde 1991 – tem uma imagem muito diferente, mais actual, jovem e compacta. As linhas do tejadilho fluem descendentemente para o portão traseiro, onde, quanto a nós, o pecado está no pequeno triângulo que aloja o fecho – mas esta é uma opinião subjectiva, como subjectiva é a noção de beleza. Não se pode agradar a gregos e a troianos: nos resto, a linguagem dos estilistas da Opel compôs uma obra-prima de carácter dinâmico; tudo na carroçaria do Astra existe para pensar no movimento, na capacidade expressiva de ser rápido e eficaz em todas as situações.
Esta facilidade é, depois, acompanhada em termos técnicos. O chassis mecatrónico do Astra é muito eficaz, reagindo bem às transferências de massas, no que é bem acompanhado pelas suspensões com taragem milimétrica a condizer com as exigências e, também, numa direcção bastante informativa e capaz de inserir bem a frente do carro nas curvas, durante uma condução mais incisiva. Sem ser obviamente um desportivo puro e duro, (esse papel está reservado para o futuro OPC…), mesmo este Astra com o conhecido motor de 1,7 litros e 125 cv, bem associado a uma caixa de seis velocidades, exacta e seca na engrenagem, ressuma competência e veia juvenil. Dito de outra forma, está feito para andar depressa, sem desprimor para o conforto vivido a bordo e sem rolamentos inúteis na massa em movimento. Dá confiança e é eficaz.
Confiança e eficácia que são bem apre-ciadas num interior onde o espaço está criteriosamen-te definido, sem atro-pelos entre os passageiros da frente e com os de trás a viajarem sem conflitos. Nada há de pior do que aquele automóvel onde o cotovelo do condutor bate no parceiro do lado, quando se quer, por exemplo, usar a alavanca de mudanças! Isto, no Astra, é impossível.
Os bancos são ergonómicos, como ergonómicos e virados para a actividade de conduzir com prazer estão o tablier e o painel de instrumentos. Estes têm boa leitura e apresentação e, também eles, entusiasmam pela sua veia desportiva.
Enfim, o conforto situa-se também no prazer do toque e da visão. Os materiais no interior do Astra, onde predominam os acabamentos em cor preta e em cinzento titânio, foram bem escolhidos e bem montados; não há folgas, não há enganos – a exactidão e competência alemãs estão todas lá, eliminando falhas e ruídos.
Único senão: o travão de estacionamento eléctrico pareceu-nos menos intuitivo que o de outras propostas existentes em marcas rivais. Mas pode ser apenas embirração nossa…

Relações íntimas
Um carro é, muitas vezes, palco de relações íntimas. Não, não estamos a falar da tentação de verificar “in loco” se os bancos tombam – mas sim na relação, bem mais prosaica e menos carnal, entre o preço e o equipamento. É esta a relação que urge aqui referir, com a franca arbitragem da qualidade. Ora, também aqui o novo Astra não nos desiludiu.
O equipamento Cosmo implica diversos itens de série, potenciando desde logo o conforto e a segurança. Por exemplo, tendo por base a versão de entrada da gama, o nível Enjoy, acrescenta ao ar condicionado, ao volante forrado a couro, ao “cruise control”, ao rádio-leitor de CD/MP3, aos espelhos retrovisores eléctricos com função de desembaciamento, aos vidros eléctricos em todas as portas e ao fecho centralizado com comando à distância, “pormenores” como os bancos forrados a couro e tecido, o travão de mão eléctrico, sistema de auxílio ao arranque em subidas, sistema de som de sete altifalantes e sensores de chuva e iluminação, entre outros. Os opcionais são, por isso, escassos – mas, ainda assim, com uma utilidade a não depreciar: faróis adaptativos bi-xénon AFL com sistema de lavagem e nivela-mento automático (900 euros); sus-pensão com controlo electrónico FlexRide (750 euros); e câ-mara de reconheci-mento de sinais de trânsito e aviso de saída involuntária de faixa (se ligar o pisca, não funciona) “Opel Eye” (500 euros).
A segurança está a cargo, de série, de oito “airbags” (duplo frontal, laterais e de cortina na frente e atrás), de encostos de cabeça activos de última geração, dos cintos de segurança com tensores e limitadores de força, do sistema ISOFIX para cadeirinhas de criança e do controlo eléctrico de estabilidade (ESC).
Tudo isto por 26.600 euros, tornando bastante íntima a relação intrínseca entre a qualidade, a quantidade e o valor final da equação em apreço, durante a decisão final.
Portanto, depois destas ilações convictas, fica outra, esta definitiva: temos vencedor. Os rivais que se cuidem!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: quatro cilindros em linha, 1686 cc, 16 v., turbo-Diesel, turbo geometria variável, inj.directa “common rail” e “intercooler”
Potência (cv/rpm): 125/4000
Vel. Máx. (km/h): 195
Acel. 0-100 km/h (s): 11,5
Consumos (l/100 km): 4,7
Emissões CO2 (g/km): 124
Preço (euros): 26.600

Texto e Fotos: Hélio Rodrigues

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