Fácil e simples
O Nissan PIXO é o exemplo de como as coisas podem ser fáceis, simples e úteis. A marca japonesa criou o PIXO à imagem das necessidades mais básicas de um condutor de cidade. E o resultado é uma boa surpresa – até no preço.
A Nissan concebeu o PIXO com base numa filosofia de duas vertentes: facilidade e simplicidade. O PIXO – que é construído em colaboração com a Suzuki, na Índia e tem nesta marca o equivalente, no Alto – é, além de simples, amigo do ambiente: é o primeiro modelo da Nissan a exibir o símbolo PURE DRIVE, garante do empenho da marca na defesa do meio ambiente, mercê de uma reduzida emissão de CO2 para a atmosfera.
Pensado para a cidade e trans-portar quatro adul-tos numa carroçaria de quatro portas, o PIXO encaixa-se numa gama simples e fácil de escolher, onde o essencial está pre-sente e onde não existem derivações capazes de enca-recer a factura final. Tudo o que existe no PIXO, é útil e simples de utilizar.
Porém, isto não quer dizer que a fiabilidade, a segurança e o conforto tenham sido descuradas. A Nissan propõe de série “airbags” frontais e laterais e, em opção, de cortina insuflável. O ESP é, também, uma opção. O interior é amplo, apesar da compacidade da carroçaria (mesmo assim, com mais de 3,5 metros de comprimento!) e possui espaço para quatro adultos e diversos locais de arrumação para pequenos e médios objectos.
Em síntese, o PIXO é um concentrado de soluções fáceis, resultando num automóvel leve, ágil, simples e com um estilo dinâmico e um visual de vanguarda e, até, arrojado. Dito isto, entre, sente-se, faça-se ao trânsito e… surpreenda-se!
Bela surpresa!
Confesso que o PIXO me surpreen-deu – pela positiva. A carroçaria quase minimalista, de for-mas familiarmente Nissan, não me espantou: afinal, há dois anos tive a sorte de tomar contacto com praticamente toda a frota Nissan existente no Mundo e confesso que fiquei fascinado com algumas soluções de “design”, em especial as mais, digamos, controversas! Por isso, o PIXO, com a sua elegância de formas compactas e simultaneamente fluidas, até é um excelente resultado, mais consensual do que polémico.
Ao entrar, o bater da porta soou mais firme do que estava à espera (as portas traseiras têm um som mais… frágil), mas o cheiro aos plásticos que forram o interior deixou-me desconfiado. Afinal, os plásticos são duros e hostis ao tacto, a sua montagem não é visivelmente muito unida – e isso, de uma forma geral, poderia gerar ruídos, quando em andamento.
Depois, mais duas coisas me deixaram apreensivo: ter que afinar a posição dos retrovisores exteriores à mão (usando umas extensões bem pouco estéticas, diga-se de passagem) e o ruído do motor de três cilindros… bom, é o típico de um qualquer motor do género. Mas enfim: nem todos os motores Nissan têm que rugir como o do GT-R!
Porém, quando en-grenei a primeira velocidade e colo-quei em andamento o PIXO, tudo o que de negativo me atingiu no primeiro contacto, desapa-receu e se trans-formou.
Em primeiro lugar, a caixa de velo-cidades é certinha, fácil de manusear e as mudanças entram muito bem e de forma rápida. O motor, esse, mostra-se um ás no trânsito, com recuperações bem acima dos seus 68 cv: aliás, o facto de ser tão leve torna o PIXO num caso sério, em cidade! E, certamente, dá que fazer a alguns rivais bem mais possantes e de segmentos superiores.
Levei o PIXO para a CREL e, então, aconteceu outra surpresa: o ronronar asmático dos três cilindros desapareceu e deu lugar ao vulgar barulho de um motor em rotações mais elevadas, enquanto o PIXO saltitava alegremente até aos 150 km/h, relembrando que a CREL nunca foi um bom exemplo de mesa de bilhar e que o cimento de há 15 anos se transformou em angulosidades, que a suspensão tradicional McPherson na frente, eixo de torção atrás, absorve sem complexos de inferioridade.
A subida no início da A10 foi feita sempre em recu-peração de velo-cidade – e tenho que confessar que, com carros de potências de três dígitos, cheguei a ter que engrenar a 3ª, gritando por ali acima, se queria chegar aos 120 km/h, o que não foi necessário com o PIXO. Mais uma boa surpresa!
O que não é surpresa é a maneabilidade do PIXO. As suas dimensões reduzidas são feitas mesmo à medida da confusão urbana e, quando a dificuldade é encontrar um “buraco” para estacionar, até aqui o PIXO é… fácil: cabe em qualquer sítio!
Espaço para quatro
Mas há ainda outra surpresa: os plás-ticos do inte-rior estão bem mon-tados, não provo-cando ruídos parasitas, o que abona a favor de um automóvel que está a ser comercializado a partir dos 8.800 euros. E, por falar em interior, enquanto vamos conduzindo, percebemos que, um pouco por todo o habitáculo, há espaços e espacinhos de conveniência, o que é sempre útil para as arrumações, num carro de tamanho… citadino! Depois, a versão Acenta em que viajávamos, oferece de série diversos pormenores de conforto, como o leitor de CD compatível com MP3 ou os vidros dianteiros eléctricos que, em conjunto com opções como o ar condicionado manual ou o controlo de estabilidade (ESP), ou equipamento básico como direcção assistida ou travões com ABS, tornam agradável a viagem.
A ergonomia dos comandos é justa e, no interior, a filosofia que resultou no PIXO mantém-se intacta: tudo é simples, prático e eficaz. O espaço é feito à medida para quatro adultos; os bancos têm um bom apoio, incluindo para as pernas, graças à sua maior largura; atrás, há espaço suficiente para as pernas não provocarem “ondulações” na coluna vertebral do passageiro da frente e, além disso, o acesso é feito por… duas portas, o que não é vulgar num citadino tão pequeno. Os bancos podem rebater-se, aumentando para mais do dobro o volume de carga do porta-bagagens, que é algo fundo, mas que leva perfeitamente as compras para o fim-de-semana.
Depois desta to-mada de contacto, ficou mais uma certeza: o PIXO é uma boa opção para quem não gosta de carros complicados, preza a mobilidade e rapidez nas idas para o trabalho nas grandes urbes e, além disso, exige alguma versatilidade na utilização do automóvel de todos os dias. É que, até mesmo fora dos limites da selva urbana, o PIXO não envergonha ninguém: e, “the last but not the least”, o frugal apetite do pequeno motor de três cilindros é sem dúvida uma pequena ajuda na quebra de eventuais hesitações, no acto sempre subjectivo de compra.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant., a gasolina, 996 cc, 3 cil. em linha, 12 v., injecção multiponto, ignicção electrónica
Potência (cv/rpm): 68/6000
Vel. Máx. (km/h): 155
Acel. 0-100 km/h (s): 14
Consumos (l/100 km): 4,4
Emissões CO2 (g/km): 103
Preço (euros): 11.250 euros (inclui Pack Safety; a pintura metalizada é opcional e custa 265 Euros)

