O outro lado da barricada
O Renault Scénic foi o terceiro elemento da família Mègane a ser equipado com o bloco TCE 130. Depois do Coupé e da Berlina, esta é uma opção que reflecte a cada vez maior eficácia, em termos ambientais e de prestações, dos pequenos motores a gasolina, em que a adição de um turbo-compressor lhes fornece os argumentos necessários para combater os blocos turbo-Diesel, até agora sem rivais à altura.
Porém, o tempo da mudança está aí. Digamos que, com esta estratégia, as marcas automóveis passaram para o outro lado da barricada – uma barricada que, até muito recentemente, dificilmente permitiam uma alternativa. É que, não apenas os motores a gasolina, para serem performantes, tinham que possuir uma cilindrada volumosa, como além disso eram gastadores e poluidores por excelência. Entretanto, essa realidade foi combatida, não com novas e mais vibrantes propostas tecnológicas, dentro do mundo dos motores a gasolina, mas sim com desenvolvimentos cada vez mais precisos dos motores turbo-Diesel. Com a consequência que se conhece: estes motores atingiram um ponto extremo de desenvolvimento, tornando-se cada vez mais onerosos e de manutenção mais complicada. E, para defenderem o ambiente, exigiam cuidados e escolhas tecnológicas cada vez mais apuradas e, por isso, caras.
Atentas a isso, as marcas de auto-móveis encetaram uma corrida dife-rente, em busca de argumentos que trouxessem para “este” lado da barricada os mo-tores a gasolina. Para isso, havia que cumprir dois requisitos de um caderno de encargos muito preciso: baixa cilindrada, altas performances. Na Renault, essa filosofia foi rapidamente praticada através de dois expoentes: os blocos de 1.2 e 1.4, evoluídos com a tecnologia TCE (Turbo Control Efficiency) – ou seja, pequenos motores, equipados com um turbo-compressor, permitindo prestações de qualidade e uma dinâmica superior. O motor 1.2 TCE equipou a gama de utilitários; o 1.4 TCE passou a estar disponível nos familiares. A gama Mègane é o caso mais evidente e o Scênic o mais recente eleito para dar azo a esta tecnologia.
Familiar por excelência
O Scénic capitaliza todos os argu-mentos que torna-ram a gama Mègane uma escolha racionalmente equilibrada para toda a família: ao espaço acrescenta uma faceta de versatilidade ine-rente a um mono-volume compacto, que não rejeita características dinâmicas interessantes. Reage como uma berlina às transferências de massas, em percursos mais sinuosos, sem adornar em demasia a sua carroçaria de centro de gravidade mais elevado e, além disso, uma certa rigidez na suspensão, calibrada para o maior peso que lhe será inerente transportar, mantém o chassis sempre equilibrado, pese embora diminua um pouco o conforto de rolamento, em especial em pisos mais degradados. Nada de mais, contudo.
Os 130 cv do motor 1.4 TCE são suficientes para que as viagens sejam mais rápidas, é certo, mas, numa viatura com uma volumetria tão mais evidente como é o Scènic, nem por isso assim tão económicas. A Re-nault anuncia um consumo médio de 7,3 l/100 km, mas dificilmente essa meta será possível. Ao longo dos mais de 400 quilómetros que o AutoanDRIVE cumpriu, o consumo médio nunca baixou dos 9,5 l/100 km. Uma média realizada em condições de uma utilização normal, que incluiu auto-estrada, estrada particularmente sinuosa e, numa das viagens, com quatro adultos a bordo.
Seja como for, este poderá ser o único óbice à escolha racional que é a opção pela Scènic TCE 130. Os intervalos de manutenção foram agora aumentados para 30 mil quilómetros e, além disso, o preço final é significativamente inferior à equivalente versão com motor dCi.
A unidade por nós ensaiada estava nivelada como Dynamique S e, para lá do equipamento de série, “de per si” bastante completo e interessante, trazia vários extras – como jantes Schuss em liga leve de 17” (290 euros), Pack Sensor (700 euros) e cartão Renault mãos-livres (300 euros).
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: 4 cil. em linha, diant. transversal; 1397cc; turbo-compressor; inj. directa de gasolina; 16 válvulas; distribuição variável
Potência (cv/rpm): 131/5500
Vel. Máx. (km/h): 190
Acel. 0-100 km/h (s): 10,5
Consumos (l/100 km): 7,3
Emissões CO2 (g/km): 168
Preço (euros): 25900 (não inclui os opcionais)

