Quem se lembra dele?
Roland Ratzenberger teve azar – na vida e na morte. Na vida, porque a sua carreira desenvolveu-se de forma lenta, sem grandes rasgos de talento e quase sem títulos para mostrar. Na morte porque, apesar de ter conseguido a proeza de chegar à F1, desapareceu no mesmo Grande Prémio de San Marino em que perdeu a vida o que era, na altura, o melhor piloto do plantel: Ayrton Senna. E, claro, para muitos o melhor do Mundo.
Por isso, toda a gente se lembra do campeão brasileiro, mas são escassos os que se recordam que, antes do acidente mortal de Senna, outro piloto tinha deixado a vida nos muros de Imola: um tal de Roland Ratzenberger. Roland quê? Ratzen quê? – são talvez as duas perguntas mais frequentes, quando se recorda aquele funesto o fim-de-semana.
Pois é: a F1 não teria mudado nada, é certo, se tivesse sido apenas este austríaco quase desconhecido do grande público a morrer em Imola – e não tivesse a ilustre companhia de Ayrton Senna no momento de subir a escadaria branca até São Pedro. Mas do que ninguém se deve esquecer é que não é apenas dos grandes ídolos que se faz a história da F1: muitos mais foram aqueles que, sem um palmarés maior que a paixão por trás do nome, pagaram com a própria vida essa mesma paixão desmesurada. Roland Ratzenberger foi um deles.
Colega de Pedro Leite Faria
Conheci Roland Ratzenberger em Inglaterra. Nessa altura, no final da década de 80, o austríaco era um dos vários pilotos que viviam numa casa, no campo, onde outro dos inquilinos era o português Pedro Leite de Faria, que nessa altura se dividia entre a Fórmula Ford e a Fórmula 3. Por sua vez, Ratzenberger estava mais adiantado, encontrando-se a disputar o campeonato britânico de F3000 – nesse ano, 1989, terminou-o em 3º lugar. Lembro-me muito vagamente dele, como pessoa discreta e que não atraía as atenções e, além disso, muito cordial e educado. E, na realidade, apenas voltei a lembrar-me dele quando, em 1994, regressou do Japão com dinheiro suficiente (ganho nas corridas de Fórmula Nippon e Sport que lá realizou, com algum sucesso) para negociar com a neófita equipa Simtek um contrato de cinco corridas de F1. Após as quais se veria qual o seu futuro, consoante os resultados e as demonstrações de talento e capacidades. Este, na verdade, acabou por ser o fim de um caminho onde Roland Ratzenberger nunca baixou os braços e onde o suor de um imenso trabalho se superiorizou, tantas vezes, às alegrias que o sucesso imediato traz.
Ratzenberger nas-ceu em Salzburg, a capital da música e dos artistas da Áustria, no ano de 1960. Curiosamente, apenas depois da sua morte veio a lume esta data, pois o piloto, consciente das dificuldades de uma carreira já iniciada tardiamente, decidiu “retirar” dois anos à sua idade real.
Começou a correr apenas aos 23 anos, na Fórmula Ford 1600 alemã e, dois anos depois, conquistou dois títulos naquela categoria – no campeonato do seu país e no da Europa Central. Nesse ano, atravessou o Canal da Mancha para Inglaterra, que era então onde as coisas aconteciam, no que diz respeito à competição automóvel. Participou por duas vezes no então mítico Formula Ford Festival, em Brands Hatch, vencendo na segunda tentativa, em 1986, antes de subir à F3, onde permaneceu duas temporadas, dividindo-se também pelos carros de Turismo, conseguindo mesmo ser vice-Campeão Mundial em 1987, com um BMW M3 do Team Schnitzer.
Esta sua versatilidade acabou por lhe ser muito útil, em especial no Japão, onde chegou a ser piloto oficial da Toyota nos carros de Sport. Aliás, entre 1989 e 1993 participou nas 24 Horas de Le Mans, nos dois primeiros anos com um Porsche 962 e nos restantes integrado na equipa nipónica SARD, a equipa de fábrica da Toyota, terminando em 5º lugar em 1993.
No País do Sol Nascente, para lá de corridas com a Toyota e no Campeonato do Japão de Turismo, com um BMW M3, Ratzenberger fez duas temporadas na competitiva Fórmula Nippon, uma moda-lidade ligeiramente superior à F3000 europeia, mas inferior à F1. Os resultados não foram os melhores, mas ainda conseguiu vencer duas provas em 1992, quando a equipa Stellar substituiu o velho chassis de dois anos, pelo modelo mais recente da Lola.
Roland Ratzenberger nunca escondeu qual o seu sonho de menino: ser piloto de F1. Sem ser um talento inato, nunca baixou os braços e colmatou o “bocadinho assim” que lhe faltava com muito trabalho e, em especial, com uma incrível perseverança. Por isso, quando o saldo da sua conta bancária lhe deu fundadas razões de que tinha chegado a sua hora, entabulou contactos com Nick Wirth, o patrão da Simtek e, finalmente, assinou “o” contrato que lhe dava acesso ao sonho.
Ironicamente, esse foi o primeiro dia do resto da sua vida. Com cinco provas para mostrar o que valia ou não valia, Ratzenberger começou logo mal, ao não conseguir qualificar-se em Interlagos, para o GP do Brasil. Porém, na prova seguinte, que tinha o circuito de TI-Aida como cenário, “Rat” – alcunha que conquistou em Inglaterra, onde então era muito popular na televisão o boneco “Roland Rat” – soube capitalizar o facto de ser o único piloto de F1 que lá tinha antes corrido, para terminar em 11º lugar.
E foi tudo! O Grande Prémio de San Marino era a terceira prova do calendário. Na qualificação de sábado, Ratzen-berger saiu de pista a alta velocidade, danificando uma das asas da frente do Simtek. Ao optar por não entrar nas boxes, para os mecânicos verificarem se estava tudo bem com o monolugar, continuou – e, depois da fatídica curva de Tamburello, feita a 350 km/h, a asa danificada quebrou-se, tornando o carro inguiável. A bordo, o piloto nada conseguiu fazer – o embate contra o muro deu-se, segundo a telemetria, a 314,9 km/h e “Roland Rat” morreu de imediato, com fractura da base do crânio. Os socorros foram infrutíferos e o óbito foi declarado oito minutos depois de o corpo ter dado entrada no hospital de Bolonha. Caso tivesse sido no local do acidente, a lei italiana teria selado a pista de imediato – e, dessa forma, Ayrton Senna poderia festejar os 50 anos dentro de dois meses. Mas isto somos nós a sonhar…
Texto: Hélio Rodrigues

Triste dia .. Lembro-me muito bem dele e daquele GP de Imola 1994…
fico triste por tudo o que aconteceu foi o pior dia da minha vida numca mais vou esquecer esse dia lembro de tudo sou apaixonado pela f1 mais esta muito sem graca sinto muita falta do ayrton dos dias de alegrias de domingo não deixando o Rolanratzenberg para traz que morreu tambem era um grande piloto não conheci muito mais deixara saudade na f1 obrigado pilotos pelo o que voces fizeram pelos seus paises valeu senna obrigado por tudo por vc me fazer tao feliz aos domingos nos como torcedor fa nos sentimos muito sua falta tri campeao va com deus senna …. já mais te esquecerei. ass nilo sergio um fa doente pelo ayrton.
[...] http://autoandrive.com/2010/01/23/roland-ratzenberger-04071960-%e2%80%93-30041994/ Share this:FacebookLinkedInGostar disto:GostoBe the first to like this artigo. [...]