Sangue na guelra
O Alfa Romeo Giulietta da minha história era um Sprint Veloce. Na verdade, foi a primeira evolução desportiva do Sprint, que era o “coupé” da gama e foi o primeiro Giulietta a ser produzido. Sem ser uma beleza, era muito eficaz e tinha aquilo que se chama de sangue na guelra. Estes genes vão agora ser explorados pela marca de Arese no novo Giulietta.
O Alfa Romeo Giulietta Sprint Veloce desta história era verde escuro. A história é simples e, como tantas que pululam a minha infância vivida junto a uma estrada com muito trânsito, trágica.
Numa aldeia situada uma meia dúzia de quilómetros mais a norte, vivia um mecânico de automóveis, que tinha a mania das velocidades. E, claro está, um gorduroso bigode negro. Era ele o dono do Sprint Veloce e não tinha grandes medos em o puxar ao máximo nas longas rectas ladeadas de choupos que abriam e fechavam a aldeia. Por isso, atravessava a povoação com os pneus a guinchar na única curva que ali existia, digna desse nome. E foi nessa curva que, uma tarde, as coisas correram mal.
Nessa altura, era uma curva para a esquerda, sem visibilidade – coisa que também não tinha quando era para a direita! Nada de incómodo para o piloto-mecânico, como sempre confiante nas suas capacidades por trás do enorme volante do Sprint Veloce. Por isso, nem sequer pestanejou quando, ao ver a carroça carregada de pedras que lhe surgiu pela frente, ronceiramente, numa altura em que o velocímetro do Alfa beijava os 150 km/h, tentou acrobaticamente evitar o embate. Só que as bermas eram demasiado elevadas e o pião que ainda esboçou ficou por aí: o carro embateu com a lateral direita na carroça, espalhando pelo asfalto a carga de calhaus.
Um desses calhaus entrou pela janela e matou de imediato o passageiro; igual sorte teve o cavalicoque que puxava a carroça, cujo ocupante foi parar ao hospital. O pilotaço saiu ileso e, pouco tempo depois, já andava outra vez a acelerar e a assustar velhinhos e ciclistas, desta feita ao volante de um Peugeot 404, com motor a gasolina. Ontem, como hoje…
Genes desportivos
A primeira geração do Alfa Romeo Giulietta nasceu em 1954. Produzido em Grugliasco, nos arredores de Turim, o Sprint foi a primeira versão a ser lançada. A sua carroçaria era de duas portas e o seu perfil, apesar de mais volumoso que os tradicionais “coupés”, foi integrado neste grupo. No ano seguinte, foi lançada a versão de quatro portas e, ainda, uma versão de dois lugares e descapotável, assinada pelos estúdios de Pinifarina e designada Spider. Este historial garantia de imediato a desportividade do Giulietta: o que o Mundo vê em primeiro lugar, o Sprint, não deixava dúvidas sobre paternidade do modelo e os seus genes – ao cabo e as resto, já lá estava o fermento daquilo que, hoje em dia, a Alfa Romeo designa como “cuore sportivo”.
E por falar em coração, a primeira geração do Giulietta apenas teve um motor – o bloco de duas árvores de cames à cabeça e 1290cc, construído em liga leve. A sua potência original era de 53 cv na Berlina e de 80 cv no Sprint. Porém, o repetido trabalho de desenvolvimento, levado a cabo pelos “tuners” da marca, foi aumentando sucessivamente a potência, que chegou aos 90 cv no Sprint Veloce e aos 116 cv no SS (Sprint Speciale) e no SZ (Sprint Zagato).
O Sprint Veloce não era um carro encantador, com as suas formas arredondadas e pouco esculpidas. Na verdade, de “coupé” pouco mais tinha além das duas enormes portas e uma ligeira inclinação descendente no tejadilho, que culminava numa traseira curta. A sua frente fazia estranhamente lembrar uma caricatura: dois olhos redondos e esbugalhados; um nariz adunco e comprido, ladeado por um amplo bigode dividido em duas secções; e, em baixo, uma boca esguia e muito fina, que era na verdade um pára-choques cromado, muito elegante e a toda a largura do carro. Esta era, porém, a parte mais, digamos, simpática do Giulietta.
Só que o Giulietta não foi desenhado e criado para encan-tar estetas e amantes das belas linhas de estilo italiano. Foi, isso, sim, feito para encantar os aman-tes da adrenalina e da velocidade. Muito maneável e leve, o Giulietta depressa se tornou num ícone das estradas dos Alpes e do sul de França, por onde passavam provas como o Rali de Monte Carlo ou os Alpes Austríacos, verdadeiros emblemas na história das competições. Na verdade, o seu palmarés desportivo é impressionante e a Alfa Romeo participou de forma oficial em diversas provas e campeonatos. Estes genes não se perderam no tempo e, a prová-lo, está o futuro Giulietta, que será lançado ainda este ano.
O novo Giulietta
A produção do primeiro Giulietta terminou em 1965 mas, na década de 70, surgiu uma segunda geração, que foi tão bem sucedida quanto a primeira. Agora, três décadas mais tarde, a Alfa Romeo decidiu lançar a terceira geração do seu desportivo de eleição.
E este sim, é um perfeito produto do estilo italiano, aliando graciosidade e beleza à desportividade inata. Um conceito iniciado com o Alfa Romeo 8C Competizione e que a marca de Arese quer estender ao futuro, trazendo de volta os seus grandes nomes de glória, sem esquecer valores elevados de tecnologia e emoção.
O futuro Giulietta é, por isso, um automóvel emocionante. Adaptado às exigências actuais, utiliza motores de elevada tecnologia, mas sempre em respeito pelo meio ambiente. Serão quatro opções, todas elas com recurso a um turbo, tanto nos motores a gasolina (1.4 TB de 120 cv e 1.4 TB MultiAir, de 170 cv), como Diesel, de segunda geração (1.6 JTDM de 105 cv e 2.0 JTDM de 170 cv). A máxima expressão será protagonizada pelo 1750 TBi Quadrifoglio Verde, com 235 cv. A Alfa Romeo garante, além disso, um comportamento dinâmico de elevado nível, tornando certas as emoções. Mal podemos esperar!

