Ford Mondeo 1.8 TDCi Titanium ECOnetic

O amigo da natureza

O Mondeo 1.8 TDCi ECOnetic é a mais recente contribuição da Ford para a preservação ambiental. A marca efectuou diversas alterações mecânicas e aerodinâmicas no Mondeo, baixando as emissões de dióxido de carbono, bem como os consumos médios. Tudo, sem prejuízo da qualidade e agradabilidade de condução, tradicionais na gama.

Hoje em dia, a defesa do meio ambiente é pedra de toque em todas as decisões e, também, uma forma eficaz de encarar o futuro. Consciente disso, a Ford decidiu meter mãos à obra, apetrechando as suas diversas gamas com os utensílios que permitissem continuar na linha da frente, no que diz respeito às preocupações ambientais. O Mondeo, como é bom de ver, foi uma dessas gamas.

Mais verde, o mesmo potencial
O AutoanDRIVE ensaiou a versão de quatro portas, com o motor Duratorq 1.8 TDCi de 125 cv e nivelada no patamar Titanium de equipamento. E, cerca de quatro centenas de quilómetros depois, em viagens através de todo o tipo de estradas e auto-estrada, com chuva quase sempre, as conclusões foram de facto positivas.
Para conseguir apostar na defesa do meio ambiente, a Ford introduziu várias modificações no básico 1.8 TDCi.
Em primeiro lugar, a caixa original deu lugar a uma unidade com apenas cinco relações. Estas foram adaptadas não apenas às necessidades de uma condução urbana com consumos mais baixos, potenciando a sua disponibilidade no trânsito, com a redução dos consumos nas acelerações, como além disso conseguem manter uma excelente progressão e disponibilidade em estrada.
A suspensão do Mondeo ECOnetic foi rebaixada e o motor teve a sua cartografia recalibrada, utilizando agora um óleo de baixa viscosidade desenvolvido propositadamente pela BP.
Em termos estéticos, a aero-dinâmica do Mondeo sofreu alguns ajustes, designa-damente aplicações na parte inferior da grelha dianteira, diminuindo o atrito dinâmico. Tudo isto, em conjunto com os pneus de baixa fricção, permitiram reduzir em cerca de 20% as emissões de CO2, que não ultrapassam agora as 139 g/km.
Antes de sairmos para a estrada, confessámos alguma curiosidade em conhecer este “novo” Mondeo. As anteriores experiências na defesa do meio ambiente, por nós encontradas em outras marcas, nem sempre foram positivas. Contudo, acabámos por deixar o Mondeo com alguma pena – as suas prestações quase não foram beliscadas. E se, quando entramos no seu habitáculo, apreciando como habitualmente o bater são da porta, ficámos algo desconfiados quanto à existência de uma caixa com cinco velocidades, depressa mudámos a nossa opinião – os técnicos da Ford assinaram um belo trabalho!
Além disso, se “pneus de baixa resistência” quase sempre querem dizer “pneus de plástico”, foi com satisfação que verificámos que os Pirelli que vestiam as jantes de 16” cumpriram sempre a sua obrigação: manter o carro dentro das trajectórias por nós delineadas, sem grandes hesitações ou escorregamentos laterais. Isto, nunca é demais insistir, em percursos em que a estrada estava, de uma forma geral, entre húmida e molhada!
O Ford Mondeo é um carro com uma elevada volumetria, factor que poderia comprometer a sua agilidade. Porém, isso não é uma evidência: o chassis mantém o equilíbrio de sempre e, com as suspensões mais baixas, a firmeza de rolamento acentua-se, sem desprimor para o já tradicional conforto a bordo.
A insonorização poderá não ser a melhor, ouvindo-se bem o som rouco do motor em aceleração, mas até isso pode ser agradável, pois é acompanhado por uma saudável progressão, até aos regimes e relações mais elevadas.
A velocidade de ponta anunciada pela Ford queda-se pelos 203 km/h – e efectivamente até resulta fácil chegar lá. Aliás, a sensação de velocidade a bordo quase não existe, o que nos obrigou por vezes a uma maior atenção na hora de inserir o Mondeo em percursos mais empenhativos. Nada de mais, contudo, excepto aquele picozinho de adrenalina tão necessária de vez em quando…
O interior é espaçoso, sendo de assinalar as cotas nos bancos traseiros. A qualidade e a montagem dos materiais é de acordo com o segmento em que o Mondeo se insere; contudo, não achámos muito intuitiva a utilização do computador de bordo, assim como a leitura das informações pode ser dificultada pela luz exterior em algumas situações. Enfim, pormenores… Como, outro exemplo, o acesso ao porta-bagagens, algo profundo na hora de carregar volumes mais pesadinhos.
O nível Titanium recheia bem o Mondeo com diversos itens de conforto e segurança activa e passiva, justificando bem os mais de 32 mil euros necessários na hora de abrir os cordões à bolsa.

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor:
Diant., transv., 4 cil. em linha, 16v, duas árvores de cames à cabeça, 1753cc, turbo-Diesel, inj.directa c./”common rail”, turbo de geometria variável, “intercooler”
Potência (cv/rpm): 125/3700
Vel. Máx. (km/h): 203
Acel. 0-100 km/h (s): 10,7
Consumos (l/100 km): 5,3
Emissões CO2 (g/km): 139
Preço (euros): 32750

Texto e fotos: Hélio Rodrigues

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