Borgward Isabella (1954-1962)

O carro da cara feia

O Borgward Isabella é um dos carros que me lembro de, na década de 60, povoarem as estradas. É esta a imagem que tenho: de muitos Borgward a circularem de um lado para o outro. Não sei especificar se era sempre o mesmo, que passava várias vezes junto à minha casa, ou se eram muitos e sempre diferentes. Era um carro feio e tinha medo dele – não me lembro porquê, mas tinha. Coisas de miúdos…

Mais tarde, a palavra Borgward entrou para o meu baú de “recuerdos”. Penso que quase todas as crianças, nesse tempo, tinham um “hobby”, que era arrancar as marcas das carroçarias dos carros. Eu sempre fui um desajeitado nestas coisas de gamar a propriedade alheia; tentei, tentei e tentei – e a única palavra que não resistiu ao meu prego (sim, aquele do jogo que se fazia na escola, lado a lado com o pião e o berlinde; não havia cá destas modernices da Net e do MSN!) foi a feia e impronunciável Borgward. Ainda não há muito tempo a encontrei, num caixote a atafulhar de velharias poeirentas e fiquei a olhar para ela, com um sorriso de alguma nostalgia. Outros tempos – de felicidade, em que a vida era feita de coisas bem mais simples.
Outra recordação que tenho da Borgward é de um Hansa negro a despistar-se numa das rectas que atravessava a minha pequena aldeia e a cair num terreno agrícola, dois ou três metros mais abaixo. Nin-guém se feriu, mas achei curioso o nome: Hansa, até pensei que queriam dizer Anca e que aqueles estrangeiros que tinham feito o carro, não sabiam escrever bem a palavra. Só muito mais tarde, descobri que o Hansa era um também modelo da Borgward – na verdade, aquele que precedeu o Isabella.

Um carro versátil
O Borgward Isabella – que nasceu para lutar contra o 180 da Mercedes-Benz – foi, além de feio, um automóvel versátil, mas pouco aceite no mercado euro-peu. Tinha uma cara enorme e pouco simpática. E nem aquele losango brilhante, cravado a meio da enorme grelha cromada dianteira, ajudava à imagem. Depois, tinha uma enorme superfície de linhas arredondadas, mas esguias, em que pontuava o “capot” poderoso e quase arrogante.
Contudo, o Isabella foi declinado em várias versões. Basicamente, era um “sedan” de apenas duas portas, apesar do seu tamanho – que se reflectia com sucesso no interior, que ostentava uma qualidade acima da média para os padrões de então. Porém, a casa fundada pelo alemão Carl Borgward, deu diversas formas ao Isabella, todas elas bastante mais interessantes e apelativas visualmente que o original. Assim, o Isabella foi, sucessivamente, carrinha, “cabriolet” e “coupé”. E chegou a ter algum sucesso desportivo, em especial nas longas provas de resistência em estrada aberta, que eram tão populares na década de 50.
Mecanicamente, o Isabella, que foi lançado em Junho de 1954, tinha um motor de quatro cilindros e 1493cc, que desenvolvia 60 cv e impulsionava o carro até aos 130 km/h. A transmissão estava a cargo de uma caixa de quatro velocidades total-mente sincronizadas (algo pouco vulgar então) e que utilizava uma inovadora embraiagem hidráulica para ajudar nas passagens, que eram efectuadas através de uma alavanca montada na coluna de direcção, substituída mais tarde por uma tradicional alavanca no piso. A suspensão era por molas independentes nas quatro rodas.
O Isabella Cabriolet foi introduzido na gama em 1955 e ficou conhecido como Isabella TS; o seu motor desen-volvia uns bem simpáticos 75 cv. Porém, nem com isso as vendas aumentaram, pelo que foi então decidido lançar uma versão mais bonita do Isabella – o Coupé, com o mesmo motor de 75 cv, bloco que foi estendido em definitivo a toda a gama em 1958.
Infelizmente, a carreira do Borg-ward Isabella foi muito curta. A marca começou a debater-se com problemas finan-ceiros, que cul-minaram numa controversa ban-carrota, em 1961. Isso deixou um número incrível de Isabella sem entrada no mercado e a solução foi vendê-los ao México, para onde viajaram de barco e onde rodaram com a designação P100. No total, foram produzidas 202862 unidades do Isabella, um número quase irrisório naquela altura. E, na luta bávara entre a Mercedes e a Borgward (ou, se quisermos, entre o 180 e o Isabella), venceu folgadamente a marca da estrela.

Texto: Hélio Rodrigues

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7 respostas a Borgward Isabella (1954-1962)

  1. O AUTOMÓVE INIGUALÁVEL. Mais que Perfeito. 1493cil. 1500kilos. Estabilidade, Segurança e tudo o conjunto. Eu fazia os 400 km. da Rio S.Paulo em 3hs. Atingia a veloc.máxima 145km. Cons.gas.10km./litro. (Possuí 4). (2 sedan ano 1960) e (2 coupe ano 1957). Naquela época as revistas mostravam q/era o mais sofisticado e o mais elogiado em todo o Mundo.
    Fone: (21) 3989-8277, 9835-7778-E-mail: tudonibus@yahoo.com.br

  2. Fernando Oliveira diz:

    Para meu espanto, o primeiro carro mostrado, um cabrio azul com placas holandesas, hoje está no Brasil, o importei e implaquei com placas pretas

    Terei maior prazer em uma data mostrar-lhes esta raridade

    Abraços
    Fernando Oliveira
    033 84020044

  3. BORGWARD Tipo: Isabela 2.0 (Sedan ou Coupé) São lindos demais para mim e que vale a pena ver fotos, imaginem autênticos.
    Únicas Paixões que tive na vida por coisas materiais. Foram estes automóveis. Infelizmente os 2 últimos que tive. Um foi abalroado por um Vw que ultrapassou a pista e me abalroou, o outro, quando estive em viagem deixei em um estacionamento que sofreu um incêndio.

  4. Marco diz:

    Prezados alguém sabe se há algum a venda no mercado?
    queria um conversível e não dos modelos argentinos…
    Era o carro que meu pai usava aqui há 40 anos e queria fazer uma surpresa para ele!
    grato
    Marco
    11 – 84061122

  5. Fabíola diz:

    É muito bonito, não acho nada de cara feia, hahaha. Sei de um 1958, lindo, que está à venda. Quem se interessar, por favor, envie email para Fabiola: flowenthal@uol.com.br, com possível proposta de preço. Cor baunilha e cereja, não conversível. Grata

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