Olhos d’Água

Onde nasce o rio Alviela

A nascente do rio Alviela é um local selvagem, com os seus penhascos abruptos e os olhos de onde a água nasce. Nos meses quentes, nada dá a entender a violência dos Invernos chuvosos, quando os olhos explodem água com incrível violência. Fomos lá ver e ficámos, uma vez mais, estarrecidos. E maravilhados.

No Verão, é um local aprazível e naturalmente calmo. O rio espraia-se suavemente e desaparece entre os choupos e os salgueiros. É a Praia Fluvial do Rio Alviela, conforme indica uma placa situada no cruzamento e outra no parque de estacionamento. O que significa que, aos fins-de-semana, entre Junho e Agosto, centenas de pessoas, provenientes das povoações dos arredores, entopem os acessos e ocupam os poucos lugares de estacionamento. Afinal, é a praia mais próxima para toda essa gente. Não tem areia, mas sim uma zona relvada, onde as toalhas podem ser estendidas. O rio é calmo e plácido, não muito fundo e até as crianças lá podem mergulhar. A praia é vigiada. Existem instalações sanitárias. O Restaurante e Bar “Olhos d’Água” serve “snacks”, café, bebidas, refrigerantes e, claro, refeições. Nunca almoçámos ou jantámos aí, pelo que não nos podemos pronunciar sobre a qualidade e o preço praticados. Mas o ambiente é descontraído e algo rústico; de uma esplanada em madeira, debruçada sobre o rio Alviela, pode apreciar-se toda a envolvente natural, bastante selvagem e crua.
Junto ao restaurante, há um parque de campismo e o Centro Ciência Viva do Alviela – CARSOSCÓPIO, si-tuado exactamente na fronteira entre o Ribatejo e a Estremadura. Aqui, o visitante pode, através de alta tecnologia, efectuar uma viagem empolgante, descendo às profundezas da terra em busca das origens da nascente do Alviela; percorrerá as quatro estações do ano, percebendo a sua influência na constituição de uma das maiores reservas de água doce do país; e explorará os refúgios ocultos que são o maior “habitat” dos morcegos cavernícolas.
Além disso, uma placa anuncia a possibilidade de serem feitas caminhadas; a existência de percursos pedestres, um circuito de manutenção, zonas de escalada e de canoagem. Porém, não conseguimos perceber se estes serviços existem mesmo, com excepção dos percursos pedestres, que podem levar às nascentes do rio Alviela, embora seja uma zona perigosa e exigindo muito cuidado na escolha dos locais onde se colocam os pés, devido aos buracos escondidos e cuja profundidade é desconhecida.
Porém, não foi nada disto que encontrámos agora, mas sim a poderosa natureza em todo o seu terrível esplendor e beleza. Estacionámos o carro no parque e iniciámos a visita atravessando a pequena ponte de madeira sobre as águas revoltas, caminhando no sentido contrário aos dos ponteiros do relógio, até aos olhos de água propriamente ditos e, depois, até chegarmos de novo ao parque de estacionamento.
As imagens valem mais que mil palavras.

Como ir
De Lisboa ou do Norte, pela A1 – Abandone a A1 na saída para a A23 e, aqui, continue até encontrar a placa indicando a saída para Alcanena. Siga as placas “Alcanena” até entrar na vila, que atravessa sempre pela estrada principal. No final da vila, siga as indicações “Pernes”, à esquerda. Após cerca de dois quilómetros, após uma ponte, encontra um cruzamento à direita; siga por aí – não é difícil de encontrar, pois o rio atravessado pela ponte transbordou e os campos estão inundados, embora não atinjam o asfalto. Nesta última estrada, avance outros dois quilómetros, até encontrar novo cruzamento à direita: chegou aos Olhos d’Água.
Estas indicações são válidas, a partir de Alcanena, para quem vier, por estrada, de Fátima, Torres Novas ou Santarém.
Para quem vier da Serra da Estrela, Guarda ou mais a Norte, utilizando a A23, basta sair onde diz Alcanena e seguir estas indicações.
Por estrada, desde Santarém (Sul), Porto de Mós (Norte) ou Rio Maior (Oeste) - Terá sempre que seguir até à vila de Alcanede (atenção, não confundir – existem Alcanena e Alcanede, separadas por cerca de 17 quilómetros). Em Alcanede, no cruzamento com semáforos, seguir as indicações “Alcanena”. Rode com cuidado: a EN 361 não recebe, neste troço, obras de conservação há mais de uma década e tem o piso em pior estado que muitas florestais do Rali de Portugal, situação agravada pelo mau tempo das últimas semanas! Ao fim de cerca de seis quilómetros, entra em Amiais de Cima; atravessa a povoação, até encontrar um cruzamento, onde vira à direita, seguindo as indicações “Amiais de Baixo” e “Centro Ciência Viva do Alviela – CARSOSCÓPIO”. Fixe este nome estranho, em placa de sinalização castanha – será a partir daqui o seu guia.
Em Amiais de Baixo, logo à entrada, encontra uma rotunda sem placas; utilize a segunda saída e continue sempre pela estrada principal, até encontrar, após um posto de venda de combustível e já na saída da vila, nova rotunda. Siga em frente, com atenção à placa que diz “CARSOSCÓPIO”, que vai encontrar, do seu lado esquerdo, cerca de 200 metros mais adiante. Continue por esta estrada estreita e sinuosa, até se deparar com os campos inundados e novo cruzamento à esquerda – chegou aos Olhos d’Água. Estacione no parque e aprecie a força da Natureza.

Texto e fotos: Hélio Rodrigues

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2 respostas a Olhos d’Água

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