Monumento nacional
Idanha-a-Velha é uma das mais bem preservadas Aldeias Históricas de Portugal. Designada como Monumento Nacional, impressiona pela força terrena da arquitectura antiga, medieval e até mesmo anterior. Basta referir que a entrada nas ruas empedradas e velhas da aldeia se faz atravessando uma Ponte Romana.
Esta é a Ponte de Alcântara e a sua monumentalidade apenas tem equivalente nas soturnas muralhas da cerca, com os seus torreões e, em especial, da imponente Porta Norte, que estava fechada aquando da nossa visita.
Foi, portanto, pela Ponte de Alcântara que entrei em Idanha-a-Velha. Rodei devagar até junta à muralha, atravessando as ruas estreitas e parando no terreiro mesmo ao lado da cerca, que tem uma extensão de 745 metros e uma forma ovalada. Depois, fiquei pronto para calcorrear as ruas, estreitas e algumas íngrimes, da aldeia – e espreitar os pedaços de História que, um pouco por todo o lado, explicam a existência de Idanha-a-Velha.
Museu vivo
Idanha-a-Velha nasceu como um povoado, assente em vestígios de origem romana, aquilo que foi uma importante cidade daquele Império, conforme explica uma placa gravada na Ponte de Alcântara e com data de 105. Contudo, os vestígios datam de antes de Cristo. Posteriormente, a aldeia conheceu uma importante época de desafogo e desenvolvimento económico, no tempo dos Visigodos – altura em que foi mesmo centro de cunhagem de moedas em ouro. Então, foi ocupada pelos árabes, até ser tomada pelo rei Afonso III, de Leão e integrada nas fronteiras do Condado Portucalense, mesmo antes da fundação de Portugal. O primeiro rei português, Afonso Henriques ofereceu a povoação aos Templários – e, em 1229, recebeu o primeiro foral, assinado pelo rei Sancho II. A partir daí, a sua história acompanha a de Portugal: doada à Ordem de Cristo pelo rei Dinis I, foi então repovoada e recebeu segundo foral, em 1510, dado pelo rei Manuel I – foi nessa altura que foi erguido o Pelourinho, ainda hoje em excelente estado de conservação. Vila da comarca de Castelo Branco, depois de Idanha-a-Nova, foi mesmo fugaz sede de concelho, entre 1821 e 1836.
Hoje, Idanha-a-Velha é uma povoação pitoresca, isolada no planalto beirão, com as montanhas da Malcata e o rochedo de Monsanto no horizonte. Preservadas de forma notável, as muitas ruínas que se podem encontrar são o retrato fiel de uma povoação que, ainda não há muito tempo, era objecto de disputas feudais e, mais tarde, propriedade de meia dúzia de abastadas famílias, que deixaram vestígios dessa abastança em edifícios monumentais, como o da família Marrocos, ou no Lagar de Varas existente no Largo da Sé.
A Sé Catedral, construída nos primórdios do Cristianismo (Séc. VI/VII); a Torre dos Templários, construção militar erguida no séc. XIII no espaço onde funcionou, no séc. I, o fórum romano; a Igreja Matriz, antiga Misericórdia do séc. XVIII, de estilo renascentista; um forno comunitário, há pouco tempo recuperado, existente na Rua do Castelo; a Capela do Espírito Santo, templo de estilo maneirista, dos séc. XVI/XVII e em cujo terreiro se realizam os festejos em honra do Espírito Santo; a Capela de São Dâmaso, também maneirista, datada de 1748 e situada fora das muralhas; a própria ponte romana sobre o rio Pônsul e onde passava a antiga estrada romana entre Mérida e Braga, são hoje vestígios em excelente estado de conservação, provando o cuidado extremo que fazem de Idanha-a-Velha uma das estações arqueológicas mais importantes de Portugal – de tal forma que recebeu a catalogação de Monumento Nacional. Mas, como se dúvidas existissem, há alguns anos foi construído um Posto de Turismo sobre as ruínas de uma casa romana, junto à Sé, e onde, de uma forma moderna e virtualmente futurista, se pode apreciar e estudar o passado de Idanha-a-Velha.
Texto: Hélio Rodrigues


Nos feriados de Dezembro, andei por aí, visitando todas as aldeias. Um must do que é nosso, maravilhoso. Todos as deviam visitar, antes de irem para as Caraíbas e outros locais…
idanha a velha e espetacular