Bailarino clássico
O Vauxhall Viva foi outro dos carros da família. Era um HC de 1971 e já tinha o novo motor de 1300cc. Apareceu a reluzir no branco imaculado da sua carroçaria novinha em folha. Sempre o achei muito bonito, elegante e com imenso espaço. Para mim, apenas tinha um defeito: as suas duas portas!
Não se estranhe este pormenor: para um esgalgado e desajeitado miúdo de pouco mais de dez anos, era uma tarefa complicada deslizar para o banco de trás. Havia sempre qualquer coisa no caminho, a atrapalhar os movimentos: ou era o cinto de segurança, preso no pilar central e onde os pés se embaraçavam; ou era o banco, que não “andava” o suficiente para a frente; ou era, enfim, a cabeça a estrondear no tejadilho. E, nas costas, lá estava sempre o resmonear impaciente dos adultos, esses críticos impiedosos da nossa juventude!
Mas enfim: em tudo o mais, gostei do FI-78-85: pelo seu aspecto quase sempre reluzente; pela suavidade com que fiz inúmeras viagens nele; até mesmo pela tendência para ter vontade própria na traseira, quando as curvas apertavam. E se, nesses anos longínquos, elas apertavam!
O FI-78-85 sobreviveu ao dono, que morreu quando o Vauxhall Viva tinha já uns veneráveis 20 anos, mas estava, ainda, ali para as curvas. Foi vendido: vi-o apenas uma vez, dois ou três anos mais tarde, em Santarém. Senti saudades: e confesso que, ainda hoje, gostaria de saber o que foi feito dele.
O último de uma era
O Vauxhall Viva HC foi o terceiro da gama desta marca que pertencia ao universo da GM – e que teve o seu baptismo em 1963, com o HA, o primeiro pequeno carro que a Vauxhall produziu desde 1936.
Maior, mais elegante e mais refinado, não passou contudo de uma evolução com base no chassis e trem rolante do HB, que substituiu o HA depois de somente três anos e 309.538 unidades produzidas. No princípio, tinha até os mesmos motores, com início no bloco de 1159cc; contudo, logo em 1971, este motor foi melhorado, a sua cilindrada aumentada para os 1256cc e a potência para os 60 cv. Tudo no HC era simples, eficaz e muito prático – até mesmo o acesso aos bancos traseiros era suficiente, pois as duas portas eram enormes, pesadas e tinham um bom ângulo de abertura; o problema era, decididamente, eu!
Nessa altura, ainda tinha medo de um automóvel – dito de outra forma, nunca tive interesse em me sentar por trás do volante negro e fino e conduzi-lo. Mas, recordando as viagens que fiz, parecia-me fácil de manusear, era confortável e seguro – excepto quando o condutor decidia carregar um pouco mais no acelerador. Então, o Viva parecia que ganhava vida própria e, aí, as mãos de quem o dirigia bailavam de um lado para o outro. Nada que alguma vez me tivesse assustado – mesmo sabendo eu que o carro teve dois acidentes, um deles violento e que sucedeu exactamente numa zona de curvas, em que surgiu areia na estrada, surpreendendo fatalmente a perícia do condutor.
Escritos que consultei para “abrilhantar” este texto deram-me a certeza de que a minha memória fidelizou bem as sensações: o Viva era mesmo um pouco, digamos, “solto” na estrada, quando se viajava de maneira mais afoita. E não é que ele atingisse uma velocidade estonteante: o construtor anunciava uns pacatos 138 km/h de velocidade máxima. Mas, com uma carroçaria com mais de 4,1 m de comprido, quase 2,5m entre eixos e 817 quilos de peso, não era tarefa nada fácil fazer funcionar correctamente o conjunto durante as transferências de massas.
Seja como for, o HC foi, de longe, o modelo mais lon-gevo da gama Viva – a sua produção terminou em 1979, após 640.863 unidades produ-zidas. Mas conti-nuou nos antípodas, com a Holden australiana a manter vivo o… Viva por mais algum tempo.
E, nas versões com motor mais potente – o HB tinha um motor de 1975cc e 104 cv, que deu origem ao GT, segundo dizem os entendidos um carro no mínimo muito curioso – o HC criou um “monstro” das pistas britânicas, o Firenza Sport SL e o bem mais pacífico Magnum. Ambos eram versões de luxo; o Firenza era um coupé e tinha um motor de 2279cc e até 131 cv de potência; o Magnum, que tanto foi uma berlina como um coupé, teve igualmente este motor, mas foi produzido essencialmente com o bloco de 1759cc e 78 cv.
Texto: Hélio Rodrigues

VIVA,
li com atenção o seu texto e percebi que é um amante do Viva.
Tenho a felicidade de possuir um e gostaria de lhe deixar esta “correcção”.
No texto diz: “… princípio, tinha até os mesmos motores, com início no bloco de 1159cc; contudo, logo em 1971, este motor foi melhorado, a sua cilindrada aumentada para os 1256cc e a potência para os 60 cv….”
Na verdade, o meu é um HB de 1969 e tem 1161 cm3 no livrete.
Parabéns pela página, se tiver interesse posso consultar outras características sobre o modelo HB no livrete.
Cumprimentos
Boa tarde, caro Nuno Viana. Agradeço imenso o seu comentário e a sua atenta correcção. Trata-se de um curioso detalhe, que vou investigar, embora acredite que não passe disso mesmo: um pormenor interessante. Já agora, se tiver alguma história com o seu HB, ou quiser partilhar a sua experiência de feliz possuidor de um HB, não hesite em fazê-lo, concedendo-nos autorização para a publicar. Caso aceite este “desafio”, agradeço-lhe desde já a sua disponiblidade, sugerindo-lhe ainda que nos envie fotos do seu HB.
A morada para onde o poderá fazer é: heliofrodrigues@gmail.com. Um abraço
Hélio Rodrigues
BOAS NOITES!
Curiosamente também sou NUNO,e um NUNO que teve um VAUXHALL VIVA HC 1300 em 1985, do ano 1972,e que há 2 anos comprou, recuperou, preparou outro VAUXHALL HC 1300 que saiu na edição de Março na revista TOPS&CLASSICOS!
BAILARINO de origem, porque rebaixado à frente 14cm e atrás 12 cm, jantes 14″ e pneus 195/55/14 COLA AO ASFALTO.
Boa Noite.
Tenho um Vauxhall Viva HB de 1968.
Neste momento tenho-o a reconstruir e necessitava de contactos para conseguir borrachas para os vidros.
Se algum dos senhores poder disponibilizar agradeço.