Pacote de vitaminas
O Bravo significou, durante muitos anos, o sucesso da FIAT no segmento C. Aliava uma imagem musculada a características dinâmicas muito interessantes. Há quase três anos, a marca de Turim reactivou o nome Bravo, tornando-o ainda mais atractivo, na esperança de regressar ao sucesso naquele segmento. Agora, forneceu ao Bravo um pacote de vitaminas capaz de o tornar ainda mais apetecível.
O FIAT Bravo está, portanto, mais forte e potente. A razão disso está no motor 2.0 Multijet, uma evolução do anterior (e já existente na gama) bloco turbo-Diesel 1.9 JTD de 150 cv. A potência foi aumentada em 15 cv e, apesar da taxa de compressão ter, pelo contrário, sido diminuída – defesa do ambiente “oblige”, pois desta maneira a taxa de emissão de CO2 quedou-se nuns “simpáticos” 139 g/km – a existência da tecnologia Multijet e, principalmente, com a adopção de um “common rail” de última geração, ofereceu uma alma nova ao FIAT Bravo.
Aliás, quanto a isso, os números não enganam: aos 215 km/h de velocidade máxima anunciada, juntem-se os 8,2 segundos neces-sários para ace-lerar dos 0 aos 100 km/h e está tudo dito: a gama Bravo tem, agora, um desportivo que faz jus aos pergaminhos ditados por uma imagem jovem, dinâmica e poderosa.
Desportivo por dentro e por fora
A unidade que o AutoanDRIVE en-saiou podia facilmente passar o teste do algodão: não enganava mes-mo nada, nem na aparência, nem nas prestações.
Ostentando o nível de equipamento Sport R, o “nosso” FIAT Bravo estava vestido a rigor, bem dentro da tradição italiana de conceber automóveis fascinantes: a carroçaria estava pintada com o exclusivo branco Glory e apresentava-se enriquecida com saias laterais, tejadilho negro de ampla superfície vidrada e vidros traseiros escurecidos, à boa maneira “tuning”; esta aparência era ainda mais vigorosa, com as belas jantes de 17” em liga leve e desenho exclusivo, que deixavam entrever as pinças dos travões pintadas de vermelho e estavam calçadas com pneus de baixo perfil.
A desportividade do Bravo 2.0 Multijet de 165 cavalos não se esgotava na beleza e eficácia das linhas exteriores. No interior, o apelo aos sentidos mais rápidos estava patente em pormenores como o negro dos bancos e revestimentos, no pontilhado vermelho existente no volante desportivo, no punho da alavanca de mudança de velocidades, na orla dos bancos e, também, na pedaleira e no apoio para o pé esquerdo em metal e nas aplicações metálicas existentes no painel de bordo.
A própria ergonomia parece neste exemplar ainda mais eficaz e, para tornar o ambiente mais envolvente, denota-se um cui-dado acima da média na montagem dos materiais, criteriosamente escolhidos e em nenhum lugar desagradáveis ao tacto ou ao olhar.
Condução vigorosa
O Bravo 2.0 Multijet exige vigor e decisão ao condutor, para poder desfrutar dos 165 cavalos do motor. Este apenas é ruidoso quando está ainda frio, sentindo-se então mesmo algumas vibrações; depois, tudo isso desaparece e os sentidos depressa se adaptam a outra realidade: os 380 Nm do binário revelam-se um poder a desenvolver depressa, com o auxílio decidido do pé direito; sem isso, o Bravo é quase manso, quase pacato.
Mas, quando desperta o piloto escondido que há em si, o Bravo 2.0 Multijet torna-se um agradável objecto de prazer. A cavalaria do motor está bem auxiliada pela caixa de seis velocidades, bastante exacta mas que, também ela, exige firmeza na engrenagem, revelando-se o curso do selector bem adaptado a uma condução mais empenhativa.
Em auto-estrada, já se sabe: a FIAT anuncia para este seu “baby” rebelde 215 km/h de velocidade máxima – e, de facto, depressa e bem se afloram os 200, dependendo depois da coragem, do trânsito e das condições da via, atingir os não os 220…
Nos caminhos sinuosos das estradas nacionais, não é necessário ir tão depressa, para se retirar prazer. O motor é solícito sempre que lhe é pedido – mas, se quer apenas rodar pacatamente no trânsito intenso de um fim-de-semana prolongado, então talvez sofra uma desilusão, pois terá que recorrer com frequência às relações mais baixas, pois é aqui que os 165 cavalos do motor estão escondidos. A sexta velocidade é mais, digamos, para poupar no alimento…
Em contraponto, as dimensões compactas do Bravo querem também dizer eficácia nas zonas sinuosas, onde as transferências de massa são bem absorvidas pelo trem rolante, em que pontua uma taragem mais firme das molas, para ajudar à segurança e ao prazer.
Por isso, antes de pensar nos consumos, muito perto dos 8 litros, e no preço, 32 mil euros certinhos, pense que tem em mãos um puro-sangue latino. Desde que bem espevitado para correr à rédea solta.
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: Diant. transv., 4 cil. em linha, 1956cc, turbo-Diesel de geometria variável, c./”intercooler”, inj.dir. múltipla “common rail”, 16 válvulas
Potência (cv/rpm): 165/4000
Vel. Máx. (km/h): 215
Acel. 0-100 km/h (s): 8,2
Consumos (l/100 km): 5,3
Emissões CO2 (g/km): 139
Preço (euros): 32000

