Fiel companheira de viagem
A entrada na gama Mégane, em Portugal, faz-se através da versão equipada com o motor a gasolina TCE de 130 cavalos. Isso é obviamente também válido para a nova carrinha, designada Sport Tourer. Fizemo-nos à estrada ao volante de uma e, no final, não ficámos desiludidos.
A Renault Mègane Sport Tourer, lançada no Verão deste ano, cada vez mais se assume com o “best-seller” da gama francesa – aliás, no seguimento da geração anterior, em que se chamava então, muito prosaicamente, “Break”.
As suas características dinâmicas não são a menor responsável por essa escolha. A elas, juntem-se também espaço interior de refe-rência, em especial no compartimento de carga; qualidade de construção e da montagem dos materiais, no interior; e, enfim, a imagem – que a Renault tratou de forma inteligente, tornando a Mègane Sport Tourer muito apelativa e desportiva, através de um perfil mais jovem e de pormenores curiosos, como o conjunto de farolins traseiros, diferentes do habitual e que não passam despercebidos.
Sempre a postos
Mas regressemos à nossa experiência. Para nós, a Renault Mègane Sport Tourer não era nenhuma estranha; já conhecíamos o modelo francês de outros contactos, permanecendo no entanto intacta a primeira impressão – a de que a marca do losango fez um óptimo trabalho. Robustez, qualidade, equipamento – são itens onde a Renault não costuma pedir meças a ninguém e, uma vez mais, isso se destaca na versão carrinha da gama Mègane.
A unidade que utilizámos estava apenas “inscrita” no nível menos atractivo, no que a equipamento diz respeito – o Dynamique, onde faltavam, por exemplo, a chave com controlo remoto ou sensores de estacionamento traseiros. Enfim, pormenores… importantes para os mais exigentes.
Quanto ao resto – isto é, o motor – também não nos desiludiu. O bloco 1.4 com turbo-compressor e gestão inteligente da injecção de combustível apresenta-se competente, mas sem que os seus 130 cavalos sejam deslumbrantes.
Atingem-se com facilidade boas velocidades de cruzeiro – acima do permitido pela lei; as suas recuperações, sem serem fulgurantes, não envergonham ninguém e, no final da viagem, ficou a sensação de termos a nosso lado uma fiel companhia para longos roteiros. Suavidade de rolamento, conforto, segurança, silêncio do motor, tudo isto contribui para que nos sintamos fresquinhos ao fim de algumas centenas de quilómetros e prontos para o regresso a casa. Pena que, nessa altura, tenhamos que visitar o posto de abastecimento de combustível mais próximo pois, apesar da nossa condução certinha, tipo “chefe de família”… embora mais apressado que o normal em auto-estrada, nunca conseguimos baixar a fasquia do consumo dos 9,5 litros por cada centena de quilómetros percorrida – isto é, mais três litros que os anunciados na ficha técnica. E estamos em crer que será esta a única pecha da Mègane Sport Tourer TCE 130; até porque, para ter a versão equivalente, em termos de potência e equipamento, com o motor dCi, precisa gastar mais 3000 euros – o que, neste momento de crise, faz pensar os mais avisados.
Texto: Hélio Rodrigues
CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
Motor: 4 cil. em linha, diant. transversal; 1397cc; turbo-compressor; inj. directa de gasolina; 16 válvulas; distribuição variável
Potência (cv/rpm): 131/5500
Vel. Máx. (km/h): 200
Acel. 0-100 km/h (s): 9,9
Consumos (l/100 km): 6,5
Emissões CO2 (g/km): 153
Preço (euros): 22800
